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Governador veta a realização de eventos culturais em Ilhota

Posted in Artigos e opiniões with tags , , , , , on 16/08/2012 by Ilhota Rock Festival

Projeto cultural da Expo Belga e Ilhota Rock Festival foram arquivados pelo governo do estado

Projeto cultural da Expo Belga e Ilhota Rock Festival foram arquivados pelo governo do estado

Gerência de projetos turísticos da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte informou nesta manha de quarta-feira, o arquivamento do projeto PTEC 3186/2012, no valor de R$ 266.540,00, de proponente Fundação Cultural José Izidro Vieira para realização da 3ª Expo Belga e do PTEC 3165/2012, no valor de R$ 79.300,00, de proponente Fundação Cultural José Izidro Vieira para realização do Ilhota Rock Festival 2012 alegando os motivos na velha desculpa do período eleitoral, que impede o repasse de recursos à entidades de direito público. A mesma secretaria não fez o mesmo e nem viu o período eleitoral em Ascurra R$ 80.000,00, Festa do Pinhão Lages com R$ 500.000,00, Festa do Colono Itajaí R$ 100.000,00. Será que nestas cidades não tem eleições?

A questão da Expo Belga em debate se o evento promove a cultura em nossa cidade o que temos que discutir é os propósitos e empenho do governo do estado nas questões de promoções de eventos e políticas públicas para a cultura nos municípios de pequeno e médio porte, como o exemplo de Ilhota. A Expo Belga é muito relevante sim a nossa comunidade e fazer o resgate histórico em promover aqueles que colonizaram nossas terras é mais que importante é firmar compromisso aqueles que impulsionaram desenvolvimento em nossas terras.

Ilhota tem em sua bagagem histórica de colonização bem diferenciada das demais cidades de nossa região, os livros “Movidos pela esperança, a história centenária de Ilhota”, escrito pelas professoras Elaine Cristina de Souza e Viviane dos Santos, o primeiro escrito no município sobre o tema e “Ilhota, o encanto dos belgas no vale do grande rio”, de autoria das educadoras Ana Luiza Mette e Elaine Cristina de Souza, falam sobre a colonização. Recomendo também o trabalho de monografia do amigo Pedro Paulo, bacharel em história pela Furb que abordou o tema.

Temos sim descendentes belgas em Ilhota, um povo significativo em nossa cidade e o mínimo que eles sejam, temos que reviver todas as suas trajetória e agradece-los por firmarem seus marcos aqui, afinal, somos a única cidade no país a ter a colonização belga.

Uma pena pra aqueles que optam em mudança, pois gostaria de saber muito que mudança eles querem, em não deixarem realizar um evento tão significativo em nossa cidade, de renome nacional e gratificante aos inúmeros descendentes belgas em nossa cidade. Uma hora foi o boicote a ponte, agora a Expo Belga! Será isso as políticas públicas ou politicagem selvagem? O que o governador fez pela cultura em Ilhota, ao qual recebeu o meu voto e trabalhei muito pra eleger ele, foi sem dúvidas, uma apunhalada do mais nobre metal pontiagudo nas costas de todos nós ilhotense, pois até então, nem os pés ele pisou em Ilhota pra agradecer os votos obtidos!

Não foi somente o boicote da realização da Expo Belga que ele vetou e sim a não realização de um dos maiores festivais alternativos e independentes da cena catarinense, falo do Ilhota Rock Festival que esse ano completa 10 anos de história e que mais uma vez, ficaremos a ver navios. Parabéns aqueles que apostam na mudança, pois ela já começou! Cultura em nosso estado e municípios somente aqueles que são do partido do governador. Mas nós do Clube do Rock iremos se virar nos 30 pra realizar a oitava edição do Ilhota Rock Festival e a Fundação Cultura Ilhota irá viabilizar mecanismos para que possamos realizar num outro momento a 3º edição da Expo Belga. Creio que isso irá acontecer.

Precisamos de cultura e o Ilhota Rock Festival é exemplo disso! Se foram negado o apoio cultural e financeiro pra realização do festival, nem que faremos um barulho pequeno, pode ser lá em casa, mas que faremos… isso sim faremos, e conto com seu apoio de todos nesta causa.

Obrigado governador!

Dialison Cleber Vitti, um dos organizadores do festival.

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Estudo insólito: quanto mais ruidosa é a música, mais álcool se bebe

Posted in Artigos e opiniões with tags on 18/12/2011 by Ilhota Rock Festival

Estudo insólito: quanto mais ruidosa é a música, mais álcool se bebe

Estudo de universidade inglesa conclui que aumento dos decibéis contribui para que ouvintes tenham uma perceção “mais doce” da bebida alcoólica.

É mais um estudo que coloca em jogo duas variantes inesperadas: o volume da música que se ouve e a quantidade de álcool consumido. De acordo com o NME, o estudo foi realizado na Universidade de Portsmouth, em Inglaterra, e conclui que, quanto mais ruidosa é a música que se ouve, maior é a quantidade de álcool consumido – e a velocidade desse mesmo consumo.

Os organizadores do estudo observaram o comportamento de 80 indivíduos entre 18 e 28 anos, habituados a consumir álcool. Estas “cobaias” foram convidadas a classificar várias bebidas em termos de potência, doçura e amargura. Enquanto o faziam, ouviam diferentes tipos de música.

Os resultados indicam que, quanto mais ruidosa é música, mais os participantes no estudo classificam as bebidas como doces. “Dado que os humanos têm uma preferência inata pelo doce, estes resultados oferecem uma explicação plausível para o facto de as pessoas consumirem mais álcool em ambientes barulhentos”.

Ainda segundo o NME, as conclusões deste estudo, financiado por uma associação britânica de pesquisa sobre o álcool, foram revelados numa publicação científica da especialidade.

Os Impossíveis. O desenho mais rock and roll da televisão

Posted in Artigos e opiniões, Desenhos animados with tags , , , , , , , on 12/10/2011 by Ilhota Rock Festival

Os Impossíveis, juntamente com Frankenstein Jr., dividiram o mesmo horário na tevê americana e sempre fizeram muito sucesso entre a garotada.  Com um visual moderno para a época, explorando roupas e penteados de grupos de rock como The BeatlesOs Impossíveis mostra as aventuras de três super-heróis que são músicos nas horas vagas.

Coil, o Homem-Mola é o líder do trio. É ele quem recebe as instruções do chefe, que aparece em um mini-televisor instalado na ponta da guitarra. Coil é baixinho, gordinho e possui molas nas pernas e mãos, que aumentam sua mobilidade e alcance.

Já o Homem-Fluido pode transformar seu corpo em qualquer tipo de líquido, facilitando o acesso a locais estratégicos. O curioso é que seu traje de super-herói é uma roupa de mergulho com máscara, inúteis para um ser que se transforma na própria água.

O Multi-Homem passa uma imagem de jovem desligado, com uma franja cobrindo os olhos, mas é ágil e poderoso. Cria várias duplicatas de si mesmo, que desorienta os vilões facilmente. Além disso, “Multi” auxilia o grupo a atravessar pontes e acessar lugares altos. Carrega consigo um escudo com um grande “M” gravado e seu bordão é: “Você pegou todos…menos o original”.

“Vamos nós!” é o famoso grito de guerra do trio, que ao chamado do chefe para deter algum malfeitor, abandona o que estiver fazendo (geralmente um show) e se transforma nos Impossíveis. O palco do grupo vira o Impossicar, o carro-voador que pode até se converter em um barco, van ou submarino.

Entre os vilões da série, destaca-se o Paper-Doll, capaz de passar por baixo de portas como uma folha de papel, e o Beamatron, armado com mortais raios laser. Como diriam os vilões derrotados, “esses Impossíveis são mesmo impossíveis!”.

O desenho, que antes de se chamar Os Impossíveis chamou-se “The Incredibles“, foi exibido na rede norte-americana CBS e virou histórias em quadrinhos no final da década de 60, produzidas pela editora norte-americana “Gold Key”. No Brasil, foram publicadas em 1967 pela editora OCruzeiro e, posteriormente, no almanaque “Heróis da TV” da editora Abril.

Em 1979, a Hanna-Barbera fez uma tentativa de readaptação de Os Impossíveis, com o titulo Os Super-Grobtrotters. Foram 13 episódios produzidos, mostrando aventuras dos Harlem-Globetrotters, o famoso time de basquete dos EUA, marcado pelos fantásticos malabarismos com a bola em jogo. No desenho, eles sempre perdem o primeiro tempo de um jogo contra mal-feitores, mas revertem a situação ao entrarem em quadra como super-heróis. Os Super-Globretrotters são formados pelo Homem-Esfera (uma adaptação de Coil), Multi-Homem, Homem-Fluido, Homem-Espaguete e Variedades. Apesar de alguns heróis terem os mesmos nomes e poderes que Os Impossíveis, não se trata exatamente dos mesmos personagens.

Os Impossíveis

  • Título: (The Impossibles/1966-1967/EUA/Cor).
  • Formato: 36 episódios de 6 minutos.
  • Dublagem: AIC/SP. Gastão Renné [Homem-Mola]; Older Cazarré [Homem-Fluido]; Carlos Alberto Vaccari [Multi-Homem]; Ibrahim Barchini (narrador).

Morre Janis Joplin, e o blues perde sua áspera voz branca

Posted in Artigos e opiniões, Notícias do mundo rock with tags , , , on 04/10/2011 by Ilhota Rock Festival
Janis Joplin. Reprodução

Não saberia fazer de outra forma. E isto é a pura verdade. A exaustão faz parte de mim, até mesmo nas viagens que realizo. As pessoas ficam espantadas porque, mesmo nos ensaios, eu canto desta forma. Mas é a única voz que possuo. E é como sei fazer

Janis Joplin

Apenas 16 dias depois do mundo da música ser abalado com a perda do cantor, guitarrista e compositor Jimi Hendrix, o Blues-rock perdia mais uma de suas estrelas: a cantora e compositora Janis Joplin era encontrada morta em seu quarto de hotel, em Los Angeles, vítima de uma overdose de heroína. Janis Joplin tinha apenas 27 anos e despontava como uma das artistas de blues mais promissoras da sua geração.

Janis Lynn Joplin nasceu em 19 de janeiro de 1943, na cidade de Port Arthur, Texas. Cresceu sob a influência de músicos de blues como Bessie Smith e Big Mama Thornton, o que a levou a tomar parte no coro local. Aos 16 anos, enquanto suas amigas de infância frequentavam o ginásio, Joplin se aventurava em viagens de carona pelos Estados Unidos aproximando-se cada vez mais da cultura negra do blues. Durante a década de 60 passou a fazer parte da Big Brother & The Holding Company, gravando o álbum homônimo em 1967. Em 1968, lançca Cheap Trills, tido como um dos melhores de sua carreira e responsável por tornar a cantora famosa. Janis Joplin ainda faria parte de mais duas bandas – a Kozmic Blues Band e a Full Tilt Boogie Band – e gravaria mais dois álbuns, sendo o último, Pearl, lançado um ano após sua morte.

Sua voz era áspera, como áspera era sua forma de vida.

O corpo de Joplin foi cremado no cemitério Parque Memorial de Westwood Village, naCalifórnia, e suas cinzas foram espalhadas no Oceano Pacífico.

Uma visita tumultuada

Janis Joplin esteve no Brasil no ano de sua morte. Sua visita foi tão tumultuada quanto sua personalidade: foi expulsa do Municipal, sofreu um acidente na Barra da Tijuca, não conseguiu realizar um show público na Praça General Osório e subiu à Rocinha para beber gim com alguns moradores do local. Sua relação com a imprensa do Brasil também não foi pacífica, tratando mal jornalistas e classificando algumas perguntas como “imbecis”. Apesar de tudo, declarou aoJornal do Brasil que gostou muito da Bahia e, apesar dos problemas em terras brasileiras, certamente sentiria falta de nosso país.

O cinema francês perde Simone Signoret

Posted in Artigos e opiniões, Cinema Internacional with tags , , , , , , on 30/09/2011 by Ilhota Rock Festival

Simone Signoret Reprodução

O segredo da felicidade no amor não é ser cego, mas saber fechar os olhos quando necessário

Simone Signoret

O cinema francês perdeu Simone Signoret, 64 anos, que viveu seus últimos dias com ar de leoa cansada, doente, até ser derrotada por um câncer contra o qual lutou até o fim. Em seu último trabalho para o cinema, L´Etoile du Nord, rodado em 1981, já tinha perdido 15 quilos, mas sua força e vitalidade continuavam intocadas.

Falar de Simone Signoret é falar de Yves Montand, com quem vivieu uma paixão de 36 anos. É falar de uma mulher que participou ativamente da vida política de seu país e do mundo. É falar de uma grande atriz que nunca quis ser estrela, mantendo ferozmente a individualidade, a vida à margem da ficção das telas. É, ainda, lembrar a escritora que, nascida tardia no livro de memórias La Nostalgie N´est Pas Ce Qu´elle Étail, terminaria por cristalizar-se em seu único romance: Adeus Volodia, escrito já no outono de uma vida bela e plena.

Nascida Simmone Henriette Charlotte Kaminker a 25 de março de 1921, em Wiesbaden, na Renânia alemã, então ocupada pelos franceses, era filha de um judeu que servia no Exército da ocupação. Ainda menina, já sonhava com o teatro e o cinema, mas tem os sonhos truncados pela guerra. Com a invasão alemã em 1940, perde a companhia do pai, que foge para Londres e, meio judia, passa a viver sozinha em Paris. Nessa época, ingressa na carreira artística e faz amizades com diversos intelectuais, entre eles, Jacques Prevet ePablo Picasso, tempos que chamaria mais tarde de anos de aprendizado.

Depois da guerra e de um breve casamento, vem o amor. Em 1949, encontra Yves Montand em Saint-Paul-de-Vence. A paixão é definitiva. Desde o começo, é uma relação única. Ela o acompanha em seu engajamento ideológico de esquerda e nas lutas pelos direitos do homem. Cada um faz sua carreira, Yves como cantor e ator de primeira grandeza e Simone como atriz completa, uma atriz que desabrocharia definitivamente bela – atrozmente bela – como uma mulher da Paris de 1900.

Seguem-se papéis memoráveis em Theresa Raquim, de Marcel Carne, As Diabólicas, de Clusot, As Feiticeiras de Salem, com a qual estréia no teatro ao lado de Montand. Depois de filmar Les Chemins de la Haute Ville, de Jack Clayton, na Inglaterra, ganha o prêmio de melhor atriz em Cannes em 59 e o Oscar de melhor interpretação feminina no ano seguinte em Almas em Leilão.

Mas, mesmo no auge da carreira, não perde a perspectiva política que deu à sua vida. Comunista militante, junto com Montand até 1956, quando os russos esmagam a insurreição húngara, visita o Kremlin e diz na cara de Krutchev o que pensa. Abandona o partido, mas não a causa política. Com mais 12 intelectuais assina um manifesto de apoio aos argelinos revoltados contra o domínio colonial francês. Direito à Insubmissão, intitula-se o panfleto, e por dois anos ela não volta a Paris. Com Sarte e Foucault, protesta contra a Guerra do Vietnam e depois em favor dos boat people refugiados daquele país. Denuncia as ditaduras e as torturas no Chile e na Argentina e apóia a Solidariedade na Polônia. Endossa o SOS Racismo, movimento para protestar contra o chauvinismo de alguns franceses de direita face a africanos e árabes que vivem na França.

Sua carreira abrange mais de 50 filmes, desde superproduções até filmes políticos. Os anos e a doença pesam., mas sua natureza radiante não faz disso uma tragédia: “A velhice é algo a que nos acostumamos. Quando fiz 40 anos, achei que estava doente. Depois, se há felicidade, leva-se na brincadeira“.

Corajosa, lúcida, foi grande até o final. Até as 7h30 da manhã do início de um outono francês, quando seus olhos se apagaram. Mas sua luz, a luz de alguém que olhou a vida corajosamente de frente em todos os momentos, a luz dessa mulher de todos os combates, que amou e foi amada por seu público, brilhará para sempre.

Incentivo às artes circenses e de rua

Posted in Artigos e opiniões, Cultura with tags , , , , , , on 01/09/2011 by Ilhota Rock Festival

Estão abertas as inscrições para Prêmio Funarte/Petrobras Carequinha de Estímulo ao Circo 2011 e Prêmio Funarte Artes na Rua (circo, dança e teatro) 2011. O Carequinha oferece recursos financeiros a projetos de artes circenses. Circos, companhias, empresas, trupes, grupos ou artistas circenses de todo o Brasil podem se inscrever.

O projeto poderá ser inscrito em sete módulos: Circo itinerante; Artista independente (solo ou dupla); Trupes e grupos; Formação; Pesquisa; Mérito artístico e Eventos. As diretrizes de análise são excelência artística do projeto, qualificação dos profissionais envolvidos e viabilidade prática do projeto. Já o Prêmio Funarte Artes na Rua oferece prêmios de apoio financeiro a projetos de montagem ou circulação de espetáculos, performances cênicas ou intervenções de rua. Podem participar artistas, grupos e companhias de natureza cultural.

Os editais e ficha de inscrição estão disponíveis na página da Funarte.

Adoniran Barbosa: um centenário que passou

Posted in Artigos e opiniões with tags , on 27/01/2011 by Ilhota Rock Festival

Adoniran BarbosaTão pouco percebido passou que só no ano seguinte encontramos tempo para falar dele. Falo de mim, mas falo da mídia também. O fato é que se o centenário de Noel Rosa foi pouco comemorado proporcionalmente à sua grandeza como compositor, o de Adoniran Barbosa o foi menos ainda. E, no entanto, poucos cantaram a alma brasileira como este paulista de Valinhos.

Adoniran BarbosaEnquanto Noel é o próprio Rio de Janeiro em pessoa, Adoniran cantou o interior do país, a gente simples e humilde do interior do estado de São Paulo e de sua capital, com seus problemas, suas dores e alegrias. Típico paulistano, filho de imigrantes italianos, Adoniran experimentou na carne a luta pela sobrevivência do paulistano comum numa metrópole sufocante como é São Paulo, onde tudo, o tempo e a vida inclusive, corre, range e solta fumaça pelas ventas, poluindo o céu e apagando as estrelas, como diria o baiano Caetano.

O verdadeiro nome de Adoniran Barbosa era João Rubinato. Mas, devido ao proverbial amor com que ele canta mesmo as tragédias e os sofrimentos, ia mudando de nome e de personalidade em cada situação vivida, tornando-se personagem de uma nova história. O dia a dia do cidadão comum é corrente e a matéria-prima com a qual Adoniran Barbosa constrói seu cancioneiro. Notícias de jornal, observação da gente da rua, daí sai a lira do compositor, que tem criações imortalizadas na música popular brasileira.

Adoniran BarbosaQuem já não sorriu entre encantado e triste com a história melancólica de Iracema, amada pelo cantor, que um dia “atravessou na contramão”, vivendo hoje lá no céu, bem pertinho de Nosso Senhor? Mas em meio ao que é notícia de obituário de jornal – Adoniran se inspirou para compor Iracema em uma notícia sobre uma mulher atropelada na Avenida São João – ocorrência triste e cinzenta do cotidiano mais triste e nublado do paulistano, está o humor do amante inconsolável, que guarda da amada a meia e o sapato, pois perdeu o seu retrato.

Como todo bom poeta, Adoniran foi também um criador de linguagem. O mergulho que fará na linguagem com suas construções e inovações linguísticas, pontuadas pela escolha exata do ritmo da fala popular e coloquial paulistana, na verdade vão no sentido inverso daquele que toma o samba em sua história oficial. Enquanto os outros compositores buscavam tom sublime e solene para suas composições, Adoniran nunca se afastou do jeito popular de ser e de falar, construindo uma linguagem própria e original.

Adoniran BarbosaFalando com o jeito popular, que dá às palavras a forma com que as pronuncia, diferente da oficial, mas com o sabor do entendimento oral, o compositor, cujo centenário agora celebramos, introduziu definitivamente na língua portuguesa a expressão “ tiro ao Álvaro” para cantar o tiro ao alvo que era o seu coração em direção ao qual a amada teimava em enviar flechas e mais flechas até não ter mais onde furar. Quem que já tenha amado na vida não se sentiu assim algum dia? E quem já não ouviu algum brasileiro confundir “alvo” e “Álvaro”? Ou “tábua” e” “talba”?

Não só expressões idiomáticas próprias saem da criação de Adoniran. Também nomes próprios são rebatizados com a liberdade que o talento confere à arte. É assim que o personagem Ernesto que mora no Brás e que deu uma festa onde não havia ninguém é rebatizado de Arnesto, e todos os que cantam o samba de Adoniran nem pensam em cantar de outra maneira senão Arnesto.

Mas a peça-chave, o ícone definitivo de seu cancioneiro é, sem dúvida, o famoso “Trem das onze”, onde o desejo de ficar ao lado da namorada tem que ser deixado de lado para tomar o último trem, não só para não ter que ficar esperando até “amanhã de manhã” como para não preocupar a mãe, que não dorme enquanto o rapaz não chegar.

Adoniran Barbosa

Com várias interpretações, de Elis Regina a Clara Nunes e até Chico Buarque, entre outros, Adoniran viveu e morreu modesto como nasceu. Amando a vida e acreditando na amizade, contando histórias com sua voz rouca, enchendo de humor e de realidade a vida dos botecos, foi o único sambista paulista que todo o Brasil reconheceu e reverenciou, inclusive o Rio de Janeiro e a Bahia, que são considerados um pouco o território do samba por excelência.

 

Fonte: Escrito por Maria Clara Bingemer, teóloga e professora da PUC-Rio é autora de “A Argila e o espírito – ensaios sobre ética, mística e poética” (Ed. Garamond), entre outros livros. (www.users.rdc.puc-rio.br/ágape). Artigo autorizado, permitido a reprodução deste artigo mediante a citação da fonte e posteriores chupadas, solicitar autorização da autora.

 

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