Me deixa ver seu Lado B – O Rock sem vergonha da Motel Overdose


Capa do CD da banda Motel Overdose

Não resta dúvidas que a banda catarinense Motel Overdose faz jus ao nome. Ouvir seu disco de estreia (Motel Overdose, 2012), é mergulhar na atmosfera suja e rude de um filme B, daqueles em que overdoses em quartos de motel são cenas quase obrigatórias dentro do roteiro. O trio formado por Felipe Batata (guitarra e voz), M.Leonardo (baixo e voz) e Marcio Bicaco (bateria e voz) mostra ao longo das faixas por que está longe do bom mocismo que impera na música brasileira atual e é um dos principais representantes daquela perversa massa sonora do hard rock e heavy metal que há muito tempo carece de bons talentos.

A crueza e ferocidade da Motel Overdose aparece em faixas que soam como brutamontes espancando seus instrumentos em hinos triunfantes de hard rock, exemplo latente em músicas como “Pessoas Podres” e “Calendários de Oficina”. Já a sexy “Carne Quente” e a cáustica “Sangue, Pus ,Porra” soam exatamente como seus títulos sugerem. Baixo e bateria carregam o ritmo de maneira ferozmente sensual enquanto a guitarra oscila e quebra entre ondas ameaçadoras de distorção e vibrantes solos.

Mas o rock de alta gradação alcoólica da banda não poderia ficar apenas no lado esfumaçado e sombrio das (in)consequências geradas pela mesa de bar. Sobra também espaço para uma irreverência canalha, como na letra de “A Sua Irmã” ou na estranhamente deliciosa “Incesto e Suicídio”, em que a frase título é ironicamente descontextualizada ao longo de uma delicada melodia permeada de uma percussão bem mais calma que no restante do disco, e pela execução caprichada do guitarrista Felipe.

Outras duas pedradas complementam a paleta sonora explorada pela banda no disco. O clima de “Não Poderia ser Pior” transita entre uma calmaria atmosférica e rugidos eletrificados – o que de certa forma emula o sludge metal do Black Sabbath. Por último, na única faixa cantada em inglês, “Densidade”, o trio emplaca uma balada grunge que guarda semelhanças com bandas dos anos 90 como Screaming Trees e Afghan Whigs.

É justo dizer que o disco de estreia da Motel Overdose consolida a banda como uma contundente banda de bar, responsável por hinos rock pulsantes de punhos cerrados e com o foco claro em riffs certeiros. Passeando por gêneros como hard rock, punk, grunge, sludge e stoner, o lançamento de estreia dos caras consegue ser uma densa coleção de canções de rock carnais, com a palpitação e vigor de seus executores. Motel Overdose é rock violento, profano, e que, assim como um filme de Quentin Tarantino, também se delicia em humor negro, auto-ironia, e toques sacanas de maldade e surrealismo.

Marcelo Andreguetti, maio/2012

Links:

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