A História do Contrabaixo – Parte XX


Fender BASS V - Uma concepção ousada que durou apenas cinco anos.

Fender BASS V - Uma concepção ousada que durou apenas cinco anos.

Com a aquisição da Fender, a CBS Company, ansiosa pela divulgação de novos produtos, lançou, em 1965, o Bass V, o primeiro baixo elétrico com cinco cordas na história. Uma idéia genial no tempo errado.

To B or not to B?

Você, jovem baixista, que adora ir aos concertos de heavy metal ou hard rock, e, claro, adora também o som de nosso amado baixo elétrico, principalmente daqueles graves poderosos da corda B, nunca se perguntou como surgiu esta idéia de se criar um novo instrumento com uma corda adicional? Bem, para respondermos a esta pergunta, precisamos mais uma vez viajar no tempo, precisamente no ano de 1965, após a CBS – famoso conglomerado da mídia americana – ter adquirido a Fender Company.

O pessoal do Marketing da empresa, ansioso pela divulgação de novos produtos, com a nova “grife” da companhia, realizou diversos lançamentos abrangendo os segmentos de guitarras, baixos e amplificadores. Entre eles estava a segunda versão do Bass VI (visto no capítulo anterior) e o Bass V, que foi o primeiro baixo elétrico de cinco cordas produzido pela companhia e único no mundo dos graves. Além disto, a Danelectro, principal concorrente da CBS, não tinha nada de similar.

A criação deste instrumento provocou dois eventos interessantes: o primeiro foi um dos maiores fracassos comerciais da companhia, provando que nem tudo que Fender criava se transformava em produto icônico (como o Precision e o Jazz Bass).

Apesar disso, esta revolução arquitetônica foi uma pequena semente de algo que iria de fato influenciar a mudança de novos timbres no baixo elétrico, quase 25 anos depois do ocorrido. Mas antes vamos conhecer a visão dos músicos daquela época, em nossa viagem rumo ao passado.

Fender Bass V – O acréscimo da corda C

Este instrumento possuía basicamente o mesmo corpo Fender Jazz Bass, sendo que a diferença estava em ser um pouco mais alongado para acomodar a nova corda. A primeira versão tinha um pick-up e um sistema de captação divididos em duas placas distintas, sendo duas para as cordas E e A e duas para as cordas D,G e C. Isto mesmo que você leu! Não era a corda B, mas a corda C.

Acreditavam os construtores que esta corda permitiria uma nova região para ser explorada principalmente em solos. Tal estrutura foi copiada de alguns modelos de contrabaixo acústicos criados por compositores como Berg, Falla, Stravinsky e Bartok para explorar determinados timbres. Ora, se já existia no gigante, porque não fazer no contrabaixo elétrico? Este foi o pensamento dos construtores da época.

Os pickups na arquitetura 2×3 e detalhe do headstock com o suporte para as três cordas.

Diferença de trastes

Se você observar bem as fotos constantes nesta matéria, irá notar que o novo modelo possuía um número reduzido de trastes, que na verdade era de apenas 15. Isto se devia ao comprimento da nova corda, ou seja, uma adaptação da corda E da guitarra elétrica, redimensionada para a nova afinação. Assim, a nova corda não tinha uma extensão suficiente para ser instalada no novo modelo de cinco cordas (um erro de logística completamente irracional para a época).

O braço era fabricado em Alder e o corpo em Rosewood. As cordas, a exemplo do primeiro P Bass, eram inseridas através da parte traseira do corpo. Sua última aparição em catálogo aconteceu em 1969, sendo retirado definitivamente em 1971. Os historiadores afirmam que este instrumento possuía sérios problemas de afinação. Além das vendas serem consideradas não satisfatórias, o Fender V nunca recebeu eventuais melhorias, por falta de interesse da empresa.

Jimmy Johnson e o primeiro Alembic de cinco cordas

Jimmy Johnson: criador do baixo de cinco cordas.

Neste ponto de nossa viagem do tempo, vamos para Mineapolis, onde vivia um jovem baixista chamado Jimmy Johnson. Trabalhando como freelancer e músico de estúdio no começo dos anos 70, Jimmy usava um baixo Gibson Les Paul para realizar seus trabalhos. Em uma entrevista concedida para a Bass Player, Jimmy conta o que o levou a pesquisar novos instrumentos: “Eu não estava satisfeito com o timbre do Gibson. Foi quando conheci os famosos Alembic e fiquei impressionado com sua sonoridade. Naquela época, eu era muito conhecido por trabalhar ao lado de James Taylor. Acostumado com sua música, eu pensei que alguns timbres mais graves poderiam realçar ainda mais a beleza da composição”.

Uma das pessoas mais influentes da época foi o seu próprio pai, que era contrabaixista da orquestra da cidade. Ele possuía um modelo de quatro cordas, porém dotado de um mecanismo similar ao hipshop, que possibilitava que a corda pudesse ter sua altura alterada até um tom abaixo. “Meu pai disse que havia muitos instrumentos acústicos de cinco cordas – com uma corda adicional B para atender a determinados autores. Foi a partir daí que eu pedi para a empresa GHS fabricar uma corda com a afinação de B que pudesse se adaptar ao instrumento de cinco cordas”.

Ao mesmo tempo, Johnson solicitou um novo modelo a Alembic de cinco cordas, porém, ao invés de ser colocada a corda C, a empresa deveria fazer uma adaptação no capotraste e na ponte para receber uma nova corda com uma calibragem de 120. O resto todos já sabem. Durante a próxima excursão com James Taylor todos ficaram impressionados com os timbres profundos do baixo elétrico do lendário baixista.

Mais uma vez um pequeno fato idealizado por um jovem e obstinado baixista criou um novo rumo na história dos graves neste mundo.

Escrito por Nilton Wood, da redação TDM.

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