Morre Orson Welles, diretor do clássico Cidadão Kane


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Em 10 de outubro de 1985, o mundo artístico perdia inesperadamente o diretor de teatro e cinema norte-americano Orson Welles, que sofreu um ataque cardíaco aos 70 anos.

Desde criança, ele manifestou um talento precoce e admirável autoconfiança em assuntos teatrais. Começou a atuar em teatro no princípio dos anos 1930. Já em 1937 dirigiu diversas produções e montou a companhia Mercury, em Nova York. Em 1º de novembro de 1938, uma adaptação radiofônica da Guerra dos Mundos de H. G. Wells, transmitida ao estilo de noticiário, levou ao pânico o público ouvinte. A notícia de que marcianos tinham chegado à Terra e estavam em Nova Jersey foi transmitida com tal realismo pela rádio CBS que milhares de pessoas ficaram aterrorizadas e começaram a fugir de casa ao ouvir os boletins, narrados por Orson Welles. Tudo não passava de brincadeira. Mas esse gracejo serviu para fazê-lo entrar para a antologia das comunicações.

A repercussão do evento foi tão grande que, logo a seguir, Orson Welles fechou um contrato milionário com Hollywood para fazer dois filmes, com total liberdade para produzir, escrever os roteiros, dirigir e atuar.

O que o colocou entre os grandes diretores foi o filme ”Cidadão Kane”, de 1941. Welles empregou brilhantismo técnico, um senso preciso na distribuição dos papéis e uma estrutura narrativa complexa para sustentar um retrato provocante e ambíguo de um magnata americano. Tinha apenas 25 anos e revolucionou as técnicas de filmagem com recursos até então inexplorados, como profundidade de campo, ação entrecortada num mesmo ambiente, planos longos, movimentos de câmera e edição rápida. O resultado foi uma obra-prima, considerada unanimemente pelos especialistas um dos melhores filmes de todos os tempos, se não o melhor.

Porém, com o sucesso, vieram os problemas. O diretor foi acusado de basear-se na vida de William Randolph Hearst, um dos mais poderosos homens da época e que por 40 anos foi o grande magnata das comunicações nos Estados Unidos. O próprio Hearst encabeçou a campanha contra Welles e seu filme. Chegou-se a cogitar um valor para que fossem destruídos os negativos e todas as cópias.

O reconhecimento da genialidade de Welles só aconteceu muito mais tarde. ”Cidadão Kane” ganhou o Oscar de melhor roteiro, e Welles, em 1970, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra.

Sua filmografia, como diretor ou ator, inclui: ”A Dama de Shangai” (1948), ”Macbeth” (1948), ”Othello” (1952), ”A Marca da Maldade” (1958). Não se pode deixar de mencionar também “Verdades e Mentiras”, de 1974.

Welles em toda a sua carreira envolveu-se em projetos diversos e fez tudo para conseguir produzir seus filmes, o que nem sempre era possível. Muitos projetos permaneceram inacabados, como ”It’s All True”, rodado no Brasil, e ”Don Quixote”, filme em que Welles trabalhou durante dez anos e que chegou a ser exibido em Cannes, em 1986.

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