Em 1989 morre Bette Davis


Sabe o que vão escrever em meu túmulo?

Ela escolheu o caminho difícil

Bette Davis

A morte de Bette Davis. Reprodução

Tenho uma idade em que inveja e ciúme já não fazem mais parte do meu repertório. Há muito me conformei com a minha feiúra. Assim como me conformei com a beleza dos outros. Todos nós somos famintos de elogios

Bette Davis

Foi numa sexta-feira à noite em Paris que o mundo se despediu da “Malvada” diva de Hollywood. Aos 81 anos, Bette Davis morreu de câncer num hospital na França, três dias após conquistar o prêmio Donostiadurante o festival cinematográfico espanhol de San Sebastián.

A carreira artística de Ruth Elizabeth Davis seguiu suas características pessoais. Na década de 30, quando a mulher ideal era subliminar, retratando beleza exuberante e ingenuidade, ela desbravou uma nova trajetória naquele universo de onipotência masculina. Dona de expressivos olhos azuis e exímia capacidade de interpretação, construiu papéis intensos, marcados por personagens imponentes, emancipadas, autoritárias, colocando em evidência um comportamento feminino nada convencional para a época. Amarga e malvada, dramática e heroína, colecionou uma reputação notável protagonizando mais de 80 filmes. Foi garçonete calculista, aristocrata egocêntrica, cega, louca, mãe-solteira, amante, traidora, decadente.

Mas a revolução que promoveu não se restringiu às telas. Fora delas, Bette Davis também foi incansável. Na luta por melhores condições de trabalho para o meio artístico, enfrentou a imposição selvagem dos grandes estúdios cinematográficos, reivindicando melhores salários, contratos mais íntegros e roteiros inteligentes. Durante a guerra, participou do clube Hollywood Canteen, que oferecia assistência alimentar e entretenimento aos soldados americanos nos campos de batalha. E por seu profissionalismo, foi escolhida a primeira mulher presidente da Academy of Motion Picture Arts and Sciences.

Reconhecida pelo público, talvez não tanto pela crítica, como por vezes se queixou publicamente, conquistou o Oscar de Melhor Atriz em 1935, porDangerous, e três anos mais tarde por Jezebel. Recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, por All about Eve em 1950.

Em sua memória foi criada em Boston, no ano de 1997 The Bette David Foundation que incentiva a descoberta de novos talentos no meio artístico.

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