Cinema sonoro estreia com ‘O Cantor de Jazz’ nos EUA


O Cantor de Jazz (The Jazz Singer) de Alan Crosland, o primeiro filme falado, cantado e musical, estreia nos Estados Unidos em 6 de outubro de 1927. O ator-vedete, Al Jolson, de origem russa judaica, apareceu maquiado com a pele negra. A trilha sonora comportava apenas 354 palavras, mas o sucesso é imediato e os irmãos Warner da Warner Bros. vêem a caixa registradora tilintar sem cessar. É o primeiro filme de grande duração com falas e canto sincronizado com um disco de acetato. A partir daí, os filmes mudos passaram a ser totalmente substituídos pelos filmes falados que se tornaram a grande novidade.

‘O Cantor de Jazz’ constitui-se numa referência histórica da indústria cinematográfica. A maioria das pessoas associa esse filme com o advento das películas faladas, embora Don Juan (1926), filme mudo de John Barrymore, tivesse também uma trilha musical sincronizada, executada pela Filarmônica de Nova York e efeitos sonoros pelo sistema Vitaphone. Seria bom deixar claro que esse não foi o primeiro filme sonoro, nem o primeiro falado tampouco o primeiro musical.

A “produção foto-dramática” de clamoroso sucesso, foi baseada no conto de Samson Raphaelson de 1921 “The Day of Atonement” (O Dia da Expiação), adaptado para a tela pelo roteirista Alfred Cohn.

O investimento de risco da Warner em 1926 de meio milhão de dólares com o sistema de som Vitaphone da Western Electric trouxe-lhe lucro de 3,5 milhões. Foi um enorme sucesso, responsável por transformar a Warner Bros. no maior estúdio de Hollywood. A comercialização do filme sonoro e a transformação da indústria de filmes mudos para falados tornaram-se realidade comO Cantor de Jazz.

Embora não tenha sido a primeira utilização do Vitaphone, foi o primeiro longa-metragem em que os diálogos falados faziam parte da ação dramática. No entanto apenas 25% do filme era falado. No restante, o som era sincronizado assim como ocorria com os números musicais. O primeiro longa-metragem totalmente falado ou totalmente dialogado foi o filme de gangsters Luzes de Nova York’(1928), também da Warner. Havia apenas algumas cenas,à parte as canções, em que os diálogos eram travados sincronizadamente. Uma trilha musical, composta de um ‘poutpourri de melodias, inclusive de Tchaikovsky, músicas hebraicas tradicionais e baladas populares, mais efeitos sonoros acompanhavam a ação, que não dispensava a ajuda de legendas e sublegendas ao longo do filme.

Foi entregue a Al Jolson o papel-título, após Eddie Cantor e George Jessel terem negado a oferta da Warner. As plateias das salas de cinema reagiram entusiasticamente ao ‘superstar’ e cantor de jazz favorito dos Estados Unidos, Al Jolson, nascido Asa Yoelson em 1886, quando começava a cantar, não sem antes improvisar, já com sua mãe ao piano, proclamando a famosa frase que introduzia o número musical: Esperam um minuto, esperem um minuto, vocês ainda não ouviram nada! Jolson na verdade estava promovendo o título de uma de suas canções ‘You Ain’t Heard Nothin’ Yet’, de Gus Kahn e Buddy de Sylva, gravada em 1919.

O filme subsequente de Jolson, dirigido por Lloyd Bacon, A Última Canção (1928), teve sucesso ainda maior. Essa película trazia o primeiro grande êxito musical de um filme falado Sonny Boy.

Uma película biográfica do diretor Alfred Green intitulada ‘A História de Jolson’ (1946), foi estrelada por Larry Parks embora o próprio Jolson tenha sido convidado. O papel acabou sendo desempenhado por Larry com as canções interpretadas em ‘playback’ por Al Jolson. Parks recebeu indicação ao Oscar por essa atuação.

Embora o filme não pudesse concorrer na categoria de Oscar de Melhor Filme – julgava-se que não era justo filmes sonoros concorrerem com filmes mudos – a Warner Bros., pelo seu diretor Darryl Zanuck, foi premiada com um Oscar Especial pela produção de ‘O Cantor de Jazz’, exatamente na estreia dessa cerimônia de premiação em maio de 1929.

O filme foi refeito duas vezes. Em 1952, sob a direção de Michael Curtiz com Danny Thomas como Jerry Golding e Peggy Lee como Judy Lane, e em 1980, sob direção de Richard Fleischer com o cantor e compositor Diamond no papel principal tendo o legendário ator Laurence Olivier como seu pai.

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