A história do contrabaixo – Parte XVI


A História do Contrabaixo - Parte 16Com a evolução dos instrumentos e cordas, ainda restava promover substanciais mudanças na tecnologia de amplificação do sinal. Mas algo ainda mais extraordinário estaria por acontecer.

Imagine a seguinte situação: no ano de 1970, em Londres, você é um dos mais requisitados baixistas ingleses, atuando em gravações e pequenas gigs, mas com pouca experiência em grandes concertos de rock.

Uma noite, em sua casa, seu telefone toca. A voz do outro lado da linha se identifica como John Entwistle, do Who. “Tocaremos amanha à noite na cidade Leeds, em um mega concerto ao ar livre, mas não conseguirei chegar no horário! Você poderia abrir para mim este show? Basicamente, serão as músicas de Tommy”, ele diz. Claro que você aceita, apesar do receio de atuar em um evento de grandes dimensões.

 

Parede de Amplificadores

Chega o grande dia. Ao subir no gigantesco palco, seu baixo (um Precision Bass 68) é plugado em algo que você só conhecia por fotografias: uma imensa “parede” de amplificadores de cinco metros de altura ligados em série!

A História do Contrabaixo - Parte 16

Quando o concerto começa e você toca a primeira nota do seu Precision, subitamente alguém ou alguma coisa o empurra para frente, quase fazendo com que você despenque do palco! O som é altíssimo, ensurdecedor e insuportável! De repente, tudo virou um imenso pesadelo! E como se tudo isto não bastasse, você não consegue ouvir uma única nota do baixo!

Para seu alivio, quando a primeira música termina, lá esta John, dando um aceno para você sair do palco e agradecendo pela força. Ao passar perto daquela pilha de amplificadores, ainda meio tonto, você tenta entender o que aconteceu! Afinal o que o empurrou para frente? Seria o deslocamento de ar ocasionado pela vibração dos auto falantes daquelas poderosas máquinas de graves?

Calma! Vamos contar como tudo começou! Naquela época, não existiam máquinas de retorno transistorizadas, fones de ouvidos e palcos limpos e organizados como hoje. Na verdade, nem computadores existiam ainda.

Os sistemas de P.A. (Public Adress System) consistiam em gigantescos amplificadores colocados no palco atrás dos músicos, ligados em série nas potências, que por sua vez eram ligados nas caixas acústicas. Todas as caixas que ficavam fora do palco tinham seu espaçamento medido por fita métrica e puro empirismo.

 

Bassman

Tempos difíceis não? O avanço do baixo elétrico (novas madeiras, hardwares e cordas) gerou entre os fabricantes a necessidade de prover o baixista com máquinas mais sofisticadas destinadas a melhoria da amplificação do sinal sonoro do instrumento.

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No começo dos anos 60, Leo Fender construiu um novo Bassman (figura 1), formado por um cabeçote separado dos gabinetes. Valvulado, ele possuía 50 watts de potência, com dois falantes de 12” polegadas.

A novidade era um tratamento melhor para os sinais graves, mediante o emprego de novos falantes, um revestimento acústico aprimorado e o conjunto da amplificação separado do gabinete. Tudo isto propiciava um som com mais ataque, agudos mais definidos e peso nos graves. Na época, foi considerado o “state of the art” em matéria de amplificação para baixos elétricos.

 

Ousadia nas novidades

Outra empresa atuante na época foi a Vox. Paul McCartney usou o equipamento durante a gig do ano de 1965 com os Beatles. O sistema consistia de um gabinete com dois falantes (um de 12” e outro de 15”polegadas).

Mais tarde, a empresa licenciou a Organ, Company, da Califórnia, a produzir amplificadores “Beatles Solid State Amplifier”, com 240 watts e gabinetes providos de quatro falantes de 12” polegadas. Outra empresa, a Acoustic Control, também sediada na Califórnia, começou a construir equipamentos única e exclusivamente destinados ao baixo elétrico.

Entre os mais famosos, estava o lendário Acoustic 360, com uma potência de 200 watts e um único falante de 18” polegadas. A novidade deste modelo era um pré amplificador embutido, que possibilitava a obtenção de novos timbres, mediante o uso de uma equalização paramétrica. Adivinhe quem tinha um? Ele mesmo: Jaco Pastorius, que ligava os dois em série nos tempos áureos do Weather Report.

 

Ampeg

A lendária Ampeg foi uma das primeiras companhias a fabricar componentes para expandir o sinal do contrabaixo acústico. O destaque ficava por conta de sistemas de 40 watts, providos de dois falantes de 15” polegadas, entre os quais o B-15 Portflex, que possuía somente 25 watts, mas que ficou famoso em decorrência do “pedigree” dos músicos que usaram este equipamento, entre eles, nada mais nada menos que James Jamerson.

A História do Contrabaixo - Parte 16Ainda assim, a verdadeira revolução do sinal sonoro – a que muitos especialistas consideram como uma verdadeira divisão de águas – foi a introdução do modelo SVT 300 (figura 2). Além de gerar poderosos 300 watts de potência, esta máquina ainda possuía dois gabinetes separados, sendo que cada um com oito falantes de 10” polegadas.

Seu revolucionário design, de pequenos e numerosos falantes, possibilitava uma resposta muito mais rápida do sinal comparado a outros modelos da época com falantes maiores, além de melhor divisão de freqüências. O SVT se encontra até hoje em operações, oferecendo versões com gabinetes providos de outras configurações.

 

Orange

Como não mencionar a lendária Orange, fundada em 1968, na Inglaterra, pelo jovem visionário Clifford Cooper? Reunindo os melhores engenheiros da época, ele iniciou sua empresa na própria garagem da sua casa, construindo uma obra prima de engenharia sonora (figura 3).

Seu sistema de válvulas era revolucionário. O nome provém de um vinil laranja que revestia os gabinetes e os cabeçotes. Fretwood Mac, Steve Wonder e Oasis foram alguns dos mais conhecidos usuários da Orange.

A Sunn Amplifiers foi igualmente uma das pioneiras a investir pesado em amplificadores para guitarras e depois para baixos elétricos. Richard McDonald, chefe de Marketing da Sunn, disse que a empresa acompanhou a própria evolução do rock.

Segundo ele, Jimmy Hendrix, Noel Redding, Tony Iommi, Yes e Rush foram grandes divulgadores da marca. Precisa dizer mais? A empresa foi adquirida pela CBS, junto com a Fender, no ano de 1965 com o objetivo de expansão dos negócios.

 

Os lendários Hiwatt

Mas, espera um pouco! Lembra-se daquela parede de caixas acústicas que quase o derrubou do palco quando você estava fazendo uma ‘sub’ para o John Entwisle? O nome que você viu naquele dia em cima do palco foi HIWATT, denominado de “tanques” por sua aparência robusta (figura 4).

A Hylight Electronics iniciou suas atividades em 1969 na Inglaterra através do seu fundador, Dave Reeves. Este equipamento possuía algo que faltava a todos os modelos da época: um chassi robusto e resistente que pudesse suportar as longas gigs que as bandas realizavam pelo planeta (por aviões e navios). Grupos do calibre de Pink Floyd, Yes, Who e Jethro Tull precisavam dos equipamentos intactos quando fossem atuar em seus destinos.

Somente as máquinas HIWATT poderiam oferecer isto, pois as quebras de equipamentos eram freqüentes. Mas tudo isto era irrelevante para estas máquinas. Estes verdadeiros tanques de guerra nunca quebravam! Chuva, sol, calor poeira e lá estavam eles! Como era possível?

A História do Contrabaixo - Parte 16Para construir estes amplificadores, Reeves contratou um especialista da marinha norte-americana responsável pelo desenvolvimento de equipamentos de combate. Seu nome era Harry Joyce. Aliada a empresa de tecnologia de ponta em componentes eletrônicos, o cara transformou os poderosos HIWATT em artefatos de admiração e respeito, não apenas por músicos, mas por historiadores e pesquisadores do mundo todo.

Esta evolução da expansão sonora, iniciado de forma pioneira mais uma vez por Clarence Leo Fender mudou os sons de graves em nosso mundo. Um verdadeiro prodígio em termos de evolução e aprimoramento da música como a conhecemos hoje! No entanto, a segunda revolução ainda não tinha terminado. Ron Wickersham inventou algo que revolucionou mais uma vez o mundo dos graves! Adivinhe o quê? Aguarde o próximo capítulo!

 

Fonte: Escrito por Nilton Wood, da redação TDM. Nilton Wood, professor de baixo elétrico da EM&T, conta a história do instrumento musical desde os seus primórdios.

 

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