A história do contrabaixo – Parte XIII


A história do contrabaixo - Parte 13A continuação da saga dos instrumentos da Gibson mostra porque um pequeno detalhe mudou a história dos graves no mundo.

No texto anterior, vimos que em 1952 a Gibson Company, pertencente ao luthier Orville Gibson, construiu, motivado pelo sucesso estrondoso do lendário Precision Bass, o seu primeiro baixo elétrico – o EB-1 – que também possuía o recurso de ser executado no posicionamento vertical. Mas ele poderia também ser tocado no posicionamento horizontal, graças a dois apoiadores instalados no corpo do mesmo.

Os primeiros modelos não eram dotados deste dispositivo, o que sugeriria que estes instrumentos – pelo menos os primeiros modelos – eram destinados a serem realmente executados na posição vertical.

A História do Contrabaixo - Parte 13A foto que ilustrou a matéria publicada na edição anterior foi tirada dos arquivos da fábrica em 1970, ano que a produção do instrumento foi retomada em uma versão customizada (reedição de algum modelo original lançado por determinada empresa).

Mas lembre-se do ano em que foi lançado o primeiro modelo: 1953. Distante ainda naquela histórica tarde de 1961 em Londres, quando o ainda jovem (e futuro baixista) Paul McCartney adquiriu seu Hofner. Portanto, o fato de Paul não ter escolhido um Gibson é porque a empresa deixou de funcionar a partir de 1958. Mas ainda assim persiste a pergunta: Por que um Hofner?

 

A criação do EB-2 com os mesmos erros

O fracasso de vendas do EB-1 causou um susto na empresa de Orville. Visando uma maior expansão da empresa, a Gibson adquiriu a empresa americana Epiphone em 1957, procurando fincar um pé na América.

O segundo instrumento lançado pela Gibson foi o EB0-2, que possuía uma boa tocabilidade e também boa ergonomia. Seu bojo superior possuía um ângulo de inclinação maior, facilitando o apoio do antebraço da mão direita. Ele tinha ainda uma escala de 30,5” e um captador modelo humbucker montado no final da escala.

No entanto, parece que os caras não aprendiam com seus erros. Vocês acreditam que o novo modelo ainda era equipado com as mesmas tarraxas ainda eram as mesmas usadas nos banjos? Isto contribuiu para que este modelo também tivesse sérios problemas de entonação e problemas de ajustes no tensor do braço.

 

EB-6 com seis cordas

Em 1959, a empresa lançou o Rivoli 1960, idêntico ao EB-2 só que oferecido em outras cores. No ano seguinte, foi lançado um novo modelo – seguindo a linha do EB-2 -, só que agora com captadores instalados no centro do corpo.

A produção foi interrompida em 1962 e voltou à ativa dois anos depois com algumas inovações – como um mecanismo de string mute (sistema mecânico provido de resina plástica para abafar as notas quando acionado por meio de um sistema helicoidal), uma placa de metal revestindo o sistema de captadores e novas cores.

A História do Contrabaixo - Parte 13Apesar destas inovações, a produção do EB-2 encerrou-se no ano de 1972. Paralelo ao EB-2, a Gibson ousou lançar – no ano de 1960 – o EB-6, um revolucionário baixo de seis cordas com a afinação similar à guitarra elétrica, só que em uma oitava abaixo.

O EB-6 foi produzido a partir de 1961 e possuía um corpo sólido, no estilo SG, contando ainda com dois humbuckers e, pasmem!, tarraxas próprias para o instrumento. A produção do EB-6 foi descontinuada em 1966. Apesar dos meus esforços, não consegui obter uma única foto deste modelo.

 

EB-0 ou EB-3?

Um ano depois de introduzir o EB-2, a Gibson lançou o modelo EB-0. Reza a lenda que não era um número e sim uma letra. Porque a companhia resolveu zerar a sua numeração ainda é um mistério a ser resolvido!

Mais uma vez, a linha de baixos da empresa resolveu seguir o design das guitarras – no caso o modelo SG – introduzido por Les Paul dois anos antes. O corpo foi modificado para adaptar o hardware do baixo elétrico e dois humbuckers foram instalados neste modelo. Jack Bruce, do Cream, comprou um destes modelos da Gibson e gostou muito.

Aproveitando a fama do lendário baixista, a empresa o rebatizou de EB-3. Apesar de ser um dos instrumentos mais famosos da Gibson, sua produção cessou em 1979.

 

A era Thunderbird

Os modelos Thunderbird debutaram em 1963, mais uma vez seguindo as linhas projetadas para as guitarras fabricadas pela empresa – neste caso, a Firebird. Os primeiros modelos ofereciam braço acoplado ao corpo do instrumento, duas modalidades diferentes de sistemas de captação e o mais importante: finalmente o comprimento se assemelhou ao P Bass – 34”.

Um dos seus mais famosos usuários era John Entwistle (do Who). Seguiram-se os modelos Thunbird IV, fabricado em 1964, e o Thunderbird II, construído em 1968, com o qual a empresa promoveu alterações no design do corpo.

 

Porque Paul escolheu o Hofner

E agora, a resposta para nossa pergunta: No ano de 1961, o modelo disponível no mercado era o EB-2, e não a sua primeira versão – o EB-1 – já raro naquela época. Paul, como sabemos, é canhoto e tocava com o instrumento invertido. Assim, Paul concluiu que, em termos visuais, o modelo da Hofner não parecia tão estranho quando tocado ao contrário de sua posição original do que o modelo fabricado pela Gibson.

Além disto, o modelo Hofner era muito mais leve, apesar de historiadores e construtores afirmarem que o som do Gibson possuía uma sonoridade melhor, principalmente nos graves. No entanto, o fatal erro da adoção de tarraxas de banjo nos modelos EB-1 e EB-2, tornaram ambos os instrumentos extremamente instáveis, necessitando sempre de regulagens constantes.

A Hofner, apesar das tarraxas igualmente pequenas, possuía uma máquina de torque já adaptada à tensão das cordas, conferindo ao modelo uma maior precisão. Um detalhe de construção marcou a Gibson e alterou para sempre o rumo da sua história.

 

Fonte: Escrito por Nilton Wood, da redação TDM. Nilton Wood, professor de baixo elétrico da EM&T, conta a história do instrumento musical desde os seus primórdios.

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