Feliz Aniversário Raul!


Raul Seixas

Raul Seixas ou Che Guevara? Apesar da estrela na boina essa foto é do Raulzito!

Nascia hoje o maluco beleza, estaria completando sessenta anos hoje.

Raulzito dos Santos Seixas foi um Mestre do Rock, um dos pioneiros do gênero no Brasil. Deixou nele sua marca, mesclando-o com ritmos nacionais, fazendo o que chamo de: “rock beleza”. Estilo pessoal que ninguém conseguiu imitar com alguma perfeição até hoje.

Fico imaginando como estaria o Raulzito hoje se não tivesse morrido naquela overdose idiota. Quando Raul morre, em agosto de 89 (mais uma para provar que agosto é o mês do desgosto e do azar) o rock nacional sofre uma grande perda, apesar de que, a meu ver, Raul ali já enfrentava uma decadência.

Raul SeixasTodos os caras quando envelhecem inclusive os roqueiros, revolucionários e revoltados em geral vão ficando mais conservadores com o tempo, vão ficando com “quatro lados e quatro ângulos rigorosamente iguais”, parafraseando Paulo Vanzolini, expoente do samba paulista e zoólogo. Os roqueiros, revolucionários, e revoltados em geral não escapam a essa quadradização.

Em Panela do Diabo, último disco de Raulzito, lançado após sua morte, já estava claro o processo de mercantilização por qual ele estava passando, já estava em decadência, já tava envelhecendo. Acho que se tivesse vivo hoje seria um roqueiro mais pop, mais light, também já estaria um pouquinho velho, seria um sexagenário a partir de hoje. Marcelo Nova, seu parceiro em Panela do Diabo é hoje um cantor bem pop. Na verdade aquela época o Marcelo Nova já era um cantor pop, mas hoje está no limbo, tirando um núcleo duro de apreciadores praticamente não é conhecido. Mas aquela época a decadência do Raulzito não estava completa, era um processo que se iniciava, sua morte bloqueou sua involução total.

Raul SeixasO próprio Raul, de certa forma admitia sua decadência como roqueiro, declarou que o disco que tava para sair (Panela do Diabo) não era das suas primícias, o Novo Aeon que o era. Mas o Novo Aeon vendeu pouco, para os padrões de um popstar como Raul, só foram 70 mil cópias vendidas. Exatamente porque este foi o auge da evolução musical do Raul, não era um negócio massificado, para o qual Raul caminhava no fim da carreira. A indústria cultural, a mídia capitalista boicotou o disco. Fazer o que, estávamos em plena ditadura militar, que perseguiu Raul, e fazer o quê, o “capetalismo” está ai. O que é bem diferente de Cuba, aqui a arte não é feita para ser bela e sim para fazer dinheiro, comprometendo a qualidade para beneficiar meia dúzia de capitalistas que detêm a indústria cultural.

Escrito por Fernando Cardoso Pereira.

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