A história do contrabaixo – Parte XII


A história do contrabaixo - Parte 12Revolução no tempo errado

1961. E, se naquela tarde em Londres, Paul McCartney, em vez de adquirir um Hofner, tivesse escolhido um Gibson EB-1? Descubra por que isto não aconteceu.

 

Gibson Company – Onde Tudo Começou…

uando resolvemos abrir um espaço dedicado à história do contrabaixo, mergulhei profundamente no passado de nosso amado instrumento, para, juntos, descobrirmos onde e quando tudo começou.

Foi quando, ao folhear o livro “How The Fender Bass Changed The World”, de Jim Robert, encontrei uma foto de um baixo elétrico fabricado pela Gibson. Mas o que me espantou realmente foi a data da sua construção: 1936! Mas e quanto ao Precision de Leon Fender inventado em 1951?

Antes de continuar esta história, vamos voltar a Londres. Afinal de contas, porque o baixista da mais conhecida e amada banda do planeta optou por um Hofner? Para responder a esta pergunta, temos novamente que voltar muito no tempo, mais precisamente em uma pequena loja de instrumentos de nome Gibson Co. Orville Gibson criou alguns instrumentos na época – uma guitarra amplificada e um novo modelo de Mandolin, um instrumento de origem napolitana. Com um relativo sucesso de vendas, nasceu em 10 de outubro de 1902 a Gibson Mandolin-Guitar Co. Ltd.

A produção de guitarras em corpo sólido iniciou-se a partir do ano de 1930 pelas mãos de um jovem supervisor de produção chamado Les Paul. Naquele mesmo ano, Gibson teve a idéia de criar um instrumento similar ao grande contrabaixo acústico, como o Bassoguitar, introduzido no começo deste mesmo ano pela Regal Company (uma das pioneiras na fabricação dos modelos de baixo Upright).

Conforme você pode ver, ele nada mais era que uma gigantesca guitarra acústica, só que dotada de quatro cordas e tocada verticalmente. O instrumento possuía trastes e escala de 42” polegadas, similar ao gigante acústico. Por causa do seu tamanho, ele não teve muita aceitação na época.

Foi então que, no ano seguinte – 1931 – a Dobro Company ofereceu uma versão mais diminuta, chamada de Resonator Guitar. Por causa deste instrumento, o velho Orville teve a idéia de construir algo muito menor, mas equipado com um apoiador (conhecido como espigão nos meios acadêmicos) para que o instrumento pudesse ser tocado igualmente na forma vertical. A diferença é que este modelo tinha um captador magnético igual aos que equipavam as guitarras elétricas. Esta nova criação foi chamada de Electric Bass Guitar.

 

Uma idéia genial e elétrica

A história do contrabaixo - Parte 12Enquanto alguns construtores se preocupavam em criar modelos de baixo cada vez maiores – com o intuito de obter uma maior sonoridade -, um dos engenheiros da Gibson, Lloyd Loar, teve uma idéia brilhante: construir um pequeno instrumento que usasse eletricidade para captar as vibrações das cordas.

O “pick up” era um transdutor eletrostático feito de baquelite, similar ao usado por Fender, e que foi instalado no final da escala do instrumento. Imagine caro leitor – que tudo isto aconteceu antes de 1940.

Mas Gibson tinha um pequeno problema de gerenciamento (que já tinha lhe causado problemas no passado). Ele sempre almejava um retorno financeiro imediato da criação dos seus produtos. Quando o jovem engenheiro montou um dos seus instrumentos, Orville não se entusiasmou muito com a idéia. Desiludido, Loar saiu da Gibson e montou sua própria companhia: a Vivi-Tone Electric Basses. Apesar de alguns protótipos construídos, tais instrumentos jamais foram fabricados em série. Os registros se perderam no tempo. Uma perda irreparável em termos da história da música.

 

A criação do EB-1

A história do contrabaixo - Parte 12De acordo com o historiador George Gruhn, entre 1936 e 1940 apenas dois destes instrumentos foram construídos. Um deles foi dado de presente a Wally Kamin, um parente de Les Paul; outro foi doado a um jovem baixista que tocava em um grupo de música havaiana chamado Tropical Islanders.

No ano de 1952, os primeiros modelos do Precision Bass já assustavam o mundo dos graves, com um volume de vendas cada vez maior. Empolgado com o sucesso do lendário P Bass, Gibson resolveu construir um instrumento similar. “Assim, no ano seguinte foi lançado o EB-1, o primeiro baixo elétrico fabricado pela empresa, em um modelo de escala curta – 30” e cujo corpo lembrava o de um violino, sendo equipado ainda com um apoiador para ser tocado verticalmente.

O captador foi instalado no final da escala, tentando proporcionar um som mais grave para o instrumento. As tarraxas ainda não eram próprias do recém criado modelo, sendo que foram emprestadas pelos modelos usados nos banjos da empresa.

Tudo isto foi considerado pelos historiadores e colecionadores como um dos maiores fracassos da história da Gibson. Apenas 546 unidades foram comercializadas antes da produção ser paralisada em 1958. Em 1970, tentou-se recriar o mesmo modelo, mas a idéia foi logo abandonada em definitivo. Foi preciso que longos 15 anos tivessem passado para questionarmos se, naquela época que o seu jovem engenheiro apresentou sua idéia de contrabaixo elétrico, não seria prudente prestar mais atenção naquele projeto. Jamais saberemos o que poderia ter acontecido, não é?

 

Fonte: Escrito por Nilton Wood, da redação TDM. Nilton Wood, professor de baixo elétrico da EM&T, conta a história do instrumento musical desde os seus primórdios.

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