Os 50 discos indies mais importantes dos últimos 10 anos


Senhor F.

Dez anos se passaram desde que o disco “90 Graus”, dos gaúchos Walverdes foi lançado pelo selo Monstro Discos, de Goiânia. Ambos, selo e disco, eram ilustres desconhecidos no país, mas sinalizavam novos tempos. O selo Monstro Discos afirmou a idéia da independência como uma possibilidade real. Os gaúchos mostravam que era possível fazer rock com identidade e qualidade. O mundo mudou, novas tecnologias surgiram, mas um verdadeiro catálogo de clássicos sobreviveu ao tempo.

Neste mesmo ano de 1998, os alagoanos do Mopho, produziram outro marco independente, a sua primeira demo, ainda em cassete, que resultou no disco lançado em 2000, pelo selo Baratos Afins. Apresentado ao país pelo Zapp!, editado por Ricardo Alexandre, no Estadão, e por Senhor F, em matéria assinada por Fernando Naporano, o disco demarcou uma nova era para o rock nacional, chegando a conquistar fãs como Darian Sahanaja, dos Wondermints, que, depois, mixou o remake de “Smile”, de Brian Wilson.

Nessa mesma época, discos de bandas como Astromato, Vídeo Hits e Os Pistoleiros, em diferentes praias, mostravam que haviam novos caminhos para o rock nacional. Ainda, na virada de século, vieram outros discos clássicos, como os primeiros dos gaúchos Cachorro Grande e Bidê ou Balde e dos /brasilienses cariocas Autoramas. Bandas então desconhecidas como Pelebrói Não Sei também lançavam futuros clássicos. Artistas como Frank Jorge, Júpiter Maçã e Wander Wildner, por sua vez, ganhavam um novo fôlego para suas carreiras.

No meio do ainda confuso caminho entre o independente e o “mainstream” que marcou esse início de década, os cariocas Los Hermanos produziram o mais importante disco da década, “Bloco do Eu Sozinho”. Lobão também deixou sua marca com “A Vida é Doce” e grupos como Mundo Livre S/A, Nação Zumbi e Cordel do Fogo Encantado transitaram entre os dois mundos. Já em meados da década, songwriters como Beto Só deram as caras com ótimos discos, enquanto dezenas de grupos, como Faichecleres, Pipodélica e Phonopop também lançaram discos fundamentais para aquele momento.

O “Top-50” de Senhor F destaca ainda discos que, apesar de pouco conhecidos, conquistaram seu espaço pelo ineditismo e qualidade, do que são exemplos Os Pedrero, Grenade e Galinha Preta. Outras bandas como Eletrola, Repolho, StereScope, Dead Billies, e seus respectivos discos, por exemplo, cumpriram o papel de introduzir suas regiões no caldeirão nacional que se afirmava. Bandas como MQN e Thee Butchers’ Orchestra, por sua vez, garantiram a presença do rock mais visceral na cena.

Mais recentemente, bandas como Superguidis, Violins e Vanguart reafirmaram que a fonte da nova música jovem nacional é a cena independente. As novas tecnologias, por outro lado, facilitaram a produção, do que é um dos exemplos mais destacados o disco de estréia dos Superguidis. Por outro lado, com uma sucessão de discos importantes, a goiana Violins mostra que, além do “hype”, é fundamental um repertório criativo e consistente de canções. A maioria desses discos ficou restrito a um público especializado, mas isso não torna menor esse conjunto de obras. Ao contrário…

Top 50 independente de 1998-2008 (em ordem alfabética)

  1. Acabou La Tequila – O som da moda (RJ).
  2. Astromato – Melodias de uma estrela falsa (SP).
  3. Autoramas – Stress, depressão e síndrome de pânico (RJ).
  4. Beto Só – Lançando sinais (DF).
  5. Bidê ou Balde – Se o sexo é o que importa, só o rock é sobre o amor! (RS).
  6. Bois de Gerião – Bois de Gerião (DF).
  7. Brincando de Deus – Brincando de Deus (BA).
  8. Cachorro Grande – Cachorro Grande (RS).
  9. Cordel do Fogo Encantado – Transfiguração (PE).
  10. Eletrola – Eletrola (PA).
  11. Faichecleres – Indecente, imoral e sem-vergonha (PR).
  12. Frank Jorge – Carteira nacional de apaixonado (RS).
  13. Galinha Preta – 3 em 1 (DF).
  14. Grenade – Is an out of the body experience (PR).
  15. Júpiter Maçã – Uma tarde na fruteira (RS).
  16. Laranja Freak – Brasas lisérgicas (RS).
  17. Lobão – A vida é doce (RJ).
  18. Los Hermanos – O Bloco do eu sozinho RJ).
  19. Los Pirata – Los Pirata (SP).
  20. Los Porongas – Los Porongas (AC).
  21. Mopho – Mopho (AL).
  22. Móveis Coloniais de Acaju – Idem (DF).
  23. MQN – Hellburst (GO).
  24. Mundo Livre S/A – Carnaval na Obra (PE).
  25. Nação Zumbi – Fome de tudo (PE).
  26. Os Atonais – Em amplitude modulada (RS).
  27. Os Gianoukas Papoulas – Panorâmica (SP).
  28. Os Pedrero – Hard rock dreams … (ES).
  29. Os Pistoleiros – Os Pistoleiros (SC).
  30. Pelebrói Não Sei – Positivamente mórbido (PR).
  31. Phonopop – Já não há tempo (DF).
  32. Pipodélica – Simetria radial (SC).
  33. Prot(o) – Prot(o) (DF).
  34. Relespública – E o rock and roll Brazil!? (PR).
  35. Repolho – Repolho (SC).
  36. Retrofoguetes – Ativar Retrofoguetes! (BA).
  37. Sapatos Bicolores – O Clube quente dos Sapatos Bicolores (DF).
  38. StereoScope – Rádio 2000 (PA).
  39. Suite Super Luxo – El Toro! (DF).
  40. Superguidis – Superguidis (RS).
  41. The Dead Billies – Heartfull sessions (BA).
  42. The Maybees – The Maybees (SP).
  43. Thee Butchers’ Orchestra – Golden hits by … (SP).
  44. Vanguart – Vanguart (MT).
  45. Vídeo Hits – Doces, refrescos e tratamentos dentários (RS).
  46. Violins – A redenção dos corpos (GO).
  47. Volver – Canções perdidas num canto qualquer (PE).
  48. Wado – Cinema auditivo (AL).
  49. Walverdes – 90 graus (RS).
  50. Wander Wildner – Paraquedas do coração (RS).

Fonte: escrito por Fernando Rosa que é editor de Senhor F.

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