A história do contrabaixo – Parte X


A História do Contrabaixo - Parte 10Concebido, a princípio, para ser um instrumento mais leve de carregar, a expansão da sonoridade dos sons graves mudou para sempre a face da música em nosso planeta. Algo que o nosso humilde inventor jamais pensou que poderia ocorrer.

Em 1965, Clarence Leo Fender era um homem com sérios problemas de saúde, que surgiram em virtude do alucinante ritmo de trabalho que a Fender Company exigia de seus dirigentes.

Após muito pensar, foi consenso que a companhia fosse vendida para um grande grupo, que poderia administrar melhor a empresa. Assim, o conglomerado CBS adquiriu a Fender naquele ano. Nas décadas seguintes, a nova Fender adquiriu um enorme poder no musical business, apesar de muitos duvidarem da qualidade dos instrumentos feitos a partir desta fase.

Leo foi recontratado por um período de cinco anos como consultor da nova companhia, em uma tentativa de, segundo a nova direção, “preservar o espírito pioneiro da nova marca”. Mas o velho inventor era um homem inquieto e toda aquela burocracia o aborrecia. Cada detalhe de uma nova mudança era discutido com outros departamentos que, por sua vez, consultava o pessoal da engenharia, que por sua vez…

As coisas tinham definitivamente tomado outra direção. Tudo aquilo era gigantesco demais para que um homem de espírito prático e simples como Clarence pudesse entender, pois ele não era um administrador de empresas, mas sim um inventor, um genial inventor. Assim, apesar de seu trabalho como consultor, ele desenvolveu outras atividades, como projetos de consultoria, principalmente no desenvolvimento de um novo empreendimento criado por George Fullerton, um dos veteranos da antiga companhia.

 

A criação da Music Man

A História do Contrabaixo - Parte 10Em meados de 1972, Fullerton decidiu, juntamente com Tom Walker e Forrest White (dois ex-funcionários da Fender), criar uma nova empresa. Na divisão das responsabilidades, no entanto, eles constataram que faltava alguém que entendesse dos mistérios que envolviam a amplificação do sinal sonoro.

A resposta não poderia ser outra: após um contato com o inventor, foi fundada a Music Man Company, responsável pela criação dos lendários Stingray e Sabre, e considerada por muitos não apenas o maior legado do “conceito Fender”, como também a continuação dos ideais do grande inventor.

Ancorados em uma enorme campanha publicitária – que veiculava que as novas guitarras e baixos feitas pela Music Man possuíam grande tradição, por serem construídas “por grandes pioneiros” -, a resposta não poderia ter sido outra: um grande volume de vendas colocou a nova empresa no patamar de um dos mais conceituados fabricantes de instrumento do mundo.

A parceria do inventor com a Music Man durou até 1980, ano em que Fullerton o convidou para formar uma nova companhia: a G&L (de George e Leo), que contou também com a participação do sócio Dale Hyatt. O objetivo foi a criação de novas guitarras e baixos, contando, claro, com a poderosa “grife Fender”, Daí surgiram os modelos L SB-2, L-1000, L-2000, El Toro e os não menos famosos Interceptor.

 

A volta por cima

A História do Contrabaixo - Parte 10No ano seguinte, a CBS resolveu recrutar um novo diretor, alguém que pudesse reinventar novos instrumentos ancorados na famosa marca. Esse homem era William Schultz.

Trabalhando igualmente como consultor, ele desenvolveu durante cinco anos a idéia de que, apesar da empresa possuir uma incrível presença de mercado, isso não seria suficiente para que os “espíritos do pioneirismo de novos caminhos” não pudessem ser almejados, principalmente junto ao público fiel à marca.

A junção das idéias de Schultz gerou um novo departamento na empresa, destinado à pesquisa e ao desenvolvimento, porém sem o alvoroço da mídia. Finalmente, em 1985, o grupo comandado por Schultz comprou a companhia de volta. Dessa vez, a nova direção da empresa resolveu colocar à frente um pequeno grupo de pessoas que tinham dedicado parte das suas vidas à criação de baixos, guitarras e amplificadores, procurando preservar – em uma interessante inversão de valores capitalistas – os velhos tempos.

O novo time começou tudo de novo. Nada de máquinas sofisticadas. Apenas o nome, as patentes, as ferramentas necessárias e muita vontade de vencer. Inicialmente, a nova empresa importava seus instrumentos de outros fabricantes que possuíam uma melhor tecnologia para manufaturar todos os componentes.

Uma nova fábrica foi fundada em Corona (Califórnia, EUA) visando, além de possibilitar uma produção própria, ter um maior controle sobre a qualidade das peças produzidas, o que vinha se tornando inviável com a terceirização do sistema. Outra fábrica foi construída no México.

A Fender, agora sob uma direção mais equilibrada, continuou a ser reconhecida por abrir portas a todos os profissionais ligados ao mundo da música. No livro “Instruments of Desire”, do escritor e guitarrista Steve Waskan, há uma bela homenagem aos músicos e ao baixo:

Músicos fazem parte de algo que possuem uma imensa força social. A música possui princípios espirituais, econômicos e sociais. Assim, os criadores de instrumentos musicais são um dos grandes responsáveis por terem mudado a cultura deste planeta. A sonoridade do baixo elétrico ocasionou uma mudança dramática no próprio conceito da concepção e criação musical. Muitos instrumentos alegavam que o som do instrumento, com seu sinal expandido, fez com que muitos compositores reescrevessem suas composições procurando destacar a sonoridade do baixo elétrico, com peças para serem executadas única e exclusivamente por este instrumento.

A força da inovação, que existiu por intermédio das mãos de gênios como James Jamerson, Chris Squire, Jaco Pastorius e muitos outros, só veio a comprovar uma coisa: o grande inventor estava certo quando, naquele verão no distante ano de 1951, ao observar um músico tocando o grande contrabaixo acústico da platéia, pensou: – “E se eu fizesse um instrumento maior e com melhor sonoridade?”

 

Fonte: Escrito por Nilton Wood, da redação TDM. Nilton Wood, professor de baixo elétrico da EM&T, conta a história do instrumento musical desde os seus primórdios.

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