A história do contrabaixo – Parte IX


A História do Contrabaixo - Parte 9A era Fender Jazz Bass

Com a venda Fender Company para a CBS em 1965, músicos, admiradores e colecionadores dos lendários baixos acreditaram que haveria uma perda de qualidade em virtude da industrialização dos seus produtos. Descubra o que aconteceu.

A História do Contrabaixo - Parte 9Antes de iniciar este novo capítulo da história do contrabaixo, me permitam efetuar uma correção. Nesta nova coluna, minha intenção era prosseguir com a evolução do Fender Jazz Bass. Mas, ao pesquisar com maior profundidade, cheguei à conclusão que mostrar apenas a evolução destes instrumentos iria restringir muito o nível de informação que sempre procurei estender de forma mais ampla possível.

A História do Contrabaixo - Parte 9Assim, resolvi mudar o foco do assunto, não me limitando apenas ao lendário Jazz Bass, mas também, mas também a toda linha de baixos da empresa. Alguns leitores podem estar questionando os motivos pelos quais eu abordo os baixos especificadamente fabricados pela Fender e não por outras empresas.

A resposta é simples: A história de nosso instrumento se confunde com a própria criação da Fender e com seu criador, Clarence Leo Fender. Assim, é natural que grande parte do desenvolvimento do baixo elétrico tenha sido realizada por estes pioneiros, que simplesmente acreditaram em uma grande idéia.

A História do Contrabaixo - Parte 9Em 1965, Don Randall e Leo venderam a companhia para a CBS. A nova empresa, por uma postura ética de manter a filosofia e a qualidade dos seus produtos, manteve os dois antigos fundadores com consultores de produtos. Isto porque o fato da Fender ter se tornado uma grande empresa levou muitos seguidores fiéis da antiga companhia a acreditar em uma perda de qualidade dos seus produtos, principalmente pelo inevitável sistema de industrialização que iria substituir a linha artesanal adotada pela antiga companhia.

Desta forma, em termos históricos, todos os instrumentos fabricados antes e depois da era CBS foram motivo de discussões e polêmicas sem limites. Ardorosos defensores do processo artesanal alegam que a industrialização prejudicou vários pontos relevantes no instrumento, como qualidade dos componentes, acabamento e, por fim, sonoridade.

A História do Contrabaixo - Parte 9Como contraponto, igualmente, muitos defensores pró CBS alegam que a industrialização dos produtos realizada por uma empresa deste porte em muito contribuiu em diversas melhorias, o que não seria possível não fosse o processo de industrialização.

Um dos aspectos mais relevantes foram os acabamentos finais, principalmente com relação à pintura na qual grande parte concorda que ocorreram sensíveis melhoras depois que a Fender foi vendida. Discussões à parte, o mais importante é que a idéia de introduzir o baixo elétrico no mundo da música não sofreu interrupções. Apesar das disputas e guerras industriais e burocráticas (além de dinheiro), o ideal se manteve: a música nunca mais seria a mesma…

 

A História do Contrabaixo - Parte 9Legenda das fotos

Figura 1 – A versão do Fender Jazz Bass de cinco cordas foi criada em 1965. O instrumento tinha uma escala de 34 polegadas, mas apenas 15 trastes, sendo que a sua tessitura ia até a nota A#.

Figura 2 – Note as configurações dos captadores do novo modelo. Historiadores afirmam que a ausência da nota dó nas regiões agudas do instrumento obrigava os baixistas a recorrerem a região mais grave do braço, ocasionando sérios problemas de timbragem. Foi uma ótima idéia no tempo errado, servindo ainda para demonstrar que nem tudo que a Fender fabricava se transformava em ouro.

Figura 3 – Dois anos antes da Fender introduzir os modelos Mustang, Leo criou os Mustang Bass para estudantes. A escala possuía 30 polegadas e era perfeita para iniciantes. O mais interessante é que este foi o primeiro baixo da companhia a ter seu logo introduzido depois.

Figura 4 – Em 1968, o modelo original do Precision inspirou a criação do Telecaster Bass. AS cordas eram inseridas como no modelo antigo, a ponte possuía dois suportes por corda e o headstock, escudos e controles foram ressuscitados do antigo modelo. O braço, no entanto, foi construído com a inserção de um laminado em maple.

Figura 5 – A primeira aparição do modelo Fretless (sem trastes) ocorreu em 1970. Não era um instrumentos muito comum na época. Apesar da tentativa da construção de instrumentos similares, a versão da Fender é considerada definitiva.

Figura 6 – Em 82, A Fender lançou o modelo Precision Special, equipados com captadores ativos, escudo preto e controles de volume e tonalidade próprios, além de uma chave seletora que regulava o funcionamento dos captadores.

 

Fonte: Escrito por Nilton Wood, da redação TDM. Nilton Wood, professor de baixo elétrico da EM&T, conta a história do instrumento musical desde os seus primórdios.

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