A história do contrabaixo – Parte VIII


A história do contrabaixo - Parte 8A Era Jazz Bass

Por sua genialidade, versatilidade e sonoridade, a invenção do contrabaixo elétrico realizada por Clarence Leo Fender conquistou mentes e corações de todos os baixistas do planeta. Críticas, sugestões e opiniões acerca de modificações e melhorias sempre foram uma constante na fábrica do genial inventor. Com o mais carismático e desejado baixo no mundo dos graves – o Jazz Bass – não poderia ser diferente.

A história do contrabaixo - Parte 8Fundada em 1901 por empreendedores americanos, a N.A.N.M. (National Association of Music Merchants) sempre desempenhou uma importante função no desenvolvimento e divulgação dos produtos musicais não apenas na América como também em diversos países do globo. E claro, para o lançamento de um produto como o Jazz Bass, este local era o mais indicado.

Com a produção do lendário baixo iniciada a partir de março de 1960, o instrumento constou no catálogo da exposição em julho deste mesmo ano, quando as primeiras unidades começaram a ser vendidas. De acordo com Don Randall, presidente da Fender, as vendas iniciais foram muito promissoras. “Tínhamos receio que os músicos estranhassem o novo modelo. Você sabe, quando algo é novo no mercado, a primeira reação é de desconfiança, mas as informações que recebemos de diversos revendedores e lojistas localizados em diversos estados do país eram justamente o contrário”.

A história do contrabaixo - Parte 8

O novo modelo chamava a atenção por seu novo design, principalmente do corpo. “Quando as pessoas experimentavam o Jazz Bass, todas, sem exceção, diziam que o novo instrumento era muito confortável”, disse Randall.

Apesar dos inúmeros percalços, tentativas, acertos e erros, a equipe da lendária fábrica possuía uma virtude: sempre procurar novos rumos, nunca se contentando com o aparente sucesso de um novo produto.

A primeira versão do novo modelo era equipada com o sistema de afinação da Kluson, corpo em Alder e escala em rose Wood, com o mesmo comprimento do Precision Bass (34 polegadas), embora na junção do capotraste com o headstock a largura do braço fosse menor (1 7/16”) do que o antigo modelo (1 3/4”), além dos pontos de orientação serem fabricados de forma circular.

A história do contrabaixo - Parte 8O contorno do corpo foi baseado nas guitarras JazzMaster e Jaguar, também fabricados pela empresa e que já vinha colecionando elogios (“você não coloca um Fender, você o veste”, dizia uma propaganda na época). Além de diferente, o novo modelo era um pouco maior que o Precision Bass 57, um dos principais fatores da sua confortabilidade.

Construída em metal cromado, a ponte foi herdada à imagem e semelhança do modelo 57, com a diferença de possuir uma roldana de metal acoplada a um sistema de material resinado semelhante a uma esponja usada para abafar o som das cordas do instrumento, no intuito que o novo modelo pudesse emular a sonoridade do contrabaixo acústico. Na segunda versão, este item foi excluído por sua pouca utilidade.

Uma das mais notáveis modificações foi o sistema de captadores, ou seja, a substituição do modelo Double Coil (dois captadores singles instalados próximo um do outro) pelo modelo Single Coil (dois captadores instalados de forma separada, com oito magnetos, dois por corda, para cada unidade).

De acordo com os estudos da Fender, a captação Double Coil foi desenvolvida para reduzir a estática produzida pelos primeiros modelos Precision. Apesar da notável melhoria na época, muitos músicos reclamavam que este sistema de captação propiciava uma perda de médios e agudos.

A história do contrabaixo - Parte 8O sistema Single resolveu este problema com a instalação de um captador perto da ponte, que teve a função de tentar recuperar estes timbres. Além disto, o outro Single foi instalado perto da escala, visando um maior ganho de graves. Com este conceito, o Jazz Bass ganhou uma nova e extraordinária sonoridade. A primeira versão continha um knob específico para o volume de ambos os captadores e um segundo controle para os timbres.

Passado os primeiros meses de entusiasmo e, com o novo instrumento sendo constantemente usadas por diversos baixistas nas mais diferentes ambiências musicais, as primeiras críticas começaram a surgir.

A reclamação veio do segmento dos músicos de estúdio. Eles alegavam que o novo modelo possuía pouca diversidade de timbres. O problema, segundo os técnicos, estava no controle de volume de ambos os captadores. A solução então foi instalar um segundo knob, permitindo assim que cada captador possuísse um controle de volume distinto. Conforme a amplitude do sinal de cada um, o novo instrumento adquiriu novas timbragens, permitindo assim que ele se tornasse mais versátil para diversos estilos musicais na época. A partir de 1966 as tarraxas Kluson foram substituídas pelos modelos ovais que equipavam os Precision. A Schaller passou a equipar os modelos a partir de 1976.

A História do Contrabaixo - Parte 8O Jazz Bass foi um instrumento que surgiu no momento e época certos. A era pop estava se iniciando e os músicos precisavam de um instrumento versátil no qual pudessem executar desde baladas country até blues, passando pelo rock clássico e progressivo, emergentes na época.

Mas afinal de contas, porque este instrumento se tornou uma lenda? Além de usa extraordinária sonoridade, a resposta estava na impressionante ergonomia que a Fender conseguiu desenvolver no Jazz Bass, fazendo com que estudantes e músicos de baixa estatura, baixistas com mais de 2 metros de altura e que porventura possuíssem um peso acima de 120 quilos pudessem executá-lo. Um milagre da ergonomia. No próximo capítulo, conheceremos a terceira e última parte da era Jazz Bass, quando então vamos compartilhar a visão do futuro dos baixos Fender.

 

Legenda das fotos

Figura 1 – A ponte era similar ao modelo Precision 57. Note o material fabricado em resina, usado para abafar as cordas. Por seu pouco uso, ele foi abolido na segunda geração do Jazz Bass.

Figura 2 – Um modelo fabricado em 1966. Note as mudanças de tarraxa. Os modelos Kluson foram substituídos pelas ovais do Precision.

Figura 3 – Detalhe dos Knobs, sendo que o superior controlava o volume de ambos os captadores, enquanto que o inferior era responsável pelos timbres.

Figura 4 – As mudanças de Knobs ocorreram no final de 1961 com a segunda geração do modelo. Note a inserção do segundo knob para o controle de volume, bem como o novo design de forma hexagonal.

Figura 5 – Detalhes do encaixe da escala feito em rose Wood. No detalhe à esquerda, a escala era reta, deixando um espaço no processo de colagem. Isto provocou alguns problemas de empenamento em alguns modelos. No final de 1962, a Fender desenvolveu um sistema de colagem que permitia que a escala se acoplasse ao baixo.

Figura 6 – No começo de 1966, o Jazz Bass sofreu uma mudança nos pontos de orientação. Os desenhos circulares foram substituídos por novos símbolos em madrepérola.

 

Fonte: Escrito por Nilton Wood, da redação TDM. Nilton Wood, professor de baixo elétrico da EM&T, conta a história do instrumento musical desde os seus primórdios.

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