O fóssil perdido do Pink Floyd


Syd BarrettO resgate das memórias não registradas de Syd Barrett, fundador do Pink Floyd.

Venho lendo “A Very Irregular Head”, biografia de Syd Barrett escrita pelo jornalista Rob Chapman que tem sido considerada o melhor resgate da vida e obra de Barrett. Ela não apenas se empenha em reconstruir a história do fundador do Pink Floyd, desmontando lendas e remontando o mito, mas – e principalmente – tenta, com algum sucesso, comparar a arte de Barrett à de autores, pintores e compositores dos séculos 19 e 20. Se não obtém sucesso absoluto, é porque há traços comuns a artistas em geral que não chegam a constituir achados ou descobertas.

Pink Floyd se apresenta em Estocolomo, no Gyllene Cirkeln (Círculo Dourado), em 10091967Chapman, que diz ter visto Syd tocar em uma única ocasião (o show com o efêmero grupo Stars, relativamente desastroso, mas ainda assim oniricamente registrado pelo autor), pinta um Barrett ambíguo: um homem que, em pleno curso da deterioração mental que levou à sua exclusão do Floyd, por diversas vezes se mostrava plenamente capaz de controlar as faculdades mentais, apresentar-se ao vivo e compor dois discos. O biógrafo duvida, por diversas vezes, dos relatos de amigos e conhecidos de Barrett sobre situações constrangedoras e degradantes, as quais, na opinião de Chapman, são fruto da combinação de memórias construídas a partir de lembranças falhas de terceiros com o uso de drogas por todo o grupo à época dos acontecimentos.

Isso tudo apenas reforça a imagem distante de Barrett, o homem-menino que, mesmo multifacetado, criativo, seminal e amável como se sabe ter sido, acabou condenado à ode grandiloquente e incompatível do Diamante Louco.

À descrição da arcádia barrettiana de Chapman, somam-se duas outras escavações relevantes. Uma delas eu relatei aqui, trata-se da exibição de uma apresentação de “See Emily Play” em 1967, no programa da BBC Tops of The Pops. Ele acrescenta à escassa videoteca do Floyd pré-1968, quando David Gilmour entrou para a banda, Barrett “foi saído” e o mundo passou a ser preparado para The Dark Side of the Moon.

O fóssil perdido do Pink FloydA outra escavação acontecerá em 3 e 7 de maio de 2011, quando os suecos terão a chance de escutar a raríssima gravação – apenas em áudio, infelizmente – do show que o grupo fez no Gyllene Cirkeln (Círculo Dourado), em Estocolmo, no longínquo 10 de setembro de 1967. O show aconteceu semanas antes de o grupo embarcar para a errática turnê norte-americana, responsável por grande parte das lendas e causos de um Barrett já prejudicado pelas famas e drogas.

O que faz deste registro tão valioso, e o diferencia dos outros 2 bootlegs existentes dessa fase da banda, é a qualidade da gravação: microfones profissionais foram utilizados por um engenheiro de som famoso reconhecido. A experiência da audição será favorecida por um evento interessante: serão emulações de um show do Floyd de 67, com manequins vestidos com roupas da época. As pessoas se sentarão em frente ao palco e, depois de terem a curiosa experiência, assistirão ao show de uma banda cover sueca (a qual eu duvido que preste um tributo tão bonito a Syd quanto os porto-alegrenses da Pink Floy das Antiga. Mas isso fica pra outro post).

Videozinho

Pink Floyd em “Shine On Your Crazy Diamond”.

 

Fonte: Escrito por Fernando Corrêa, da revista Noize.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: