The Punks Are Alright


Lançado há cerca de quatro anos e exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP no final de 2006, o filme em princípio seria apenas um documentário sobre a legendária banda canadense The Forgotten Rebels, que toca e milita pelo punk rock desde 1977.

The Punks Are AlrightDurante as filmagens, um dos integrantes conta a surpresa de ter recebido um e-mail dos Blind Pigs, contando como os tiozinhos de lá influenciaram o som e a atitude dos punks de cá. Isso pareceu exótico demais pro diretor Douglas Crawford (foto abaixo), que viu ali a chance de explorar as possibilidades da película a partir daquele contato inesperado e insólito.

A partir daí, o filme se desenrola em cenários tão distintos quanto o Brasil e a Indonésia. Imagens da banda paulista em Barueri (SP), bem como depoimentos de seus integrantes e de punks paulistas, tomam conta da tela. O vocalista Henrique aparece como uma espécie de porta-voz da maneira latino-americana de ser punk, com palavras ao mesmo tempo impetuosas e inteligentes; ele conta como é ensinar inglês a crianças numa favela, e de como a influência dos Forgotten Rebels foi literalmente passada de pai pra filho – no caso, de seu pai pra ele próprio.

The Punks Are AlrightLembranças dos primórdios do movimento em SP são contadas meio au passant, já que os entrevistados apenas tinham ouvido falar daquelas histórias. Não deixa de ser curiosa a estranheza dos gringos a fatos da nossa história recente, como a ditadura militar ou a mega-inflação – logo eles, que vêm de um dos países mais liberais e estáveis economicamente do mundo…

O cenário seguinte é o da paradisíaca Indonésia, e de algumas de suas principais cidades. Em Jacarta, o personagem principal é Dolly, um garoto articulado de 22 anos que ouviu os Blind Pigs pela internet e pediu um CD de graça pra banda. O 0800 teria total razão de ser, já que o jovem trabalha numa fábrica onde ganha menos de US$ 3 (isso mesmo, três dólares) por dia de trabalho, o que o impossibilitava de comprar CDs de quem quer que fosse. Pra ele, só mesmo o punk rock pra combater o mundo corrupto onde nós vivemos, da maneira que ele julga eficiente: fazendo barulho e sendo agressivo. O som dos Blind Pigs é descrito por ele como “um remédio pra todos os males”, os quais ele procura curar um pouco a cada dia.

The Punks Are AlrightOutro personagem no mesmo país é Jerinx, que mora em Bali e é baterista de uma banda chamada Superman Is Dead; pra ele, o que mais o oprime é viver numa cidade onde “a opulência se faz presente e finge ignorar a miséria que a cerca”. É lógico que tantas diferenças trazem um preço muitas vezes alto demais, e pago pelas parcelas mais desfavorecidas da população: prostituição, tráfico de drogas e terrorismo são apenas algumas das conseqüências mais visíveis com as quais ele tem de conviver todos os dias.

The Punks Are AlrightNum todo, o filme é uma ode fiel ao punk rock feita no melhor estilo “faça você mesmo”, já que o diretor Crawford também foi o responsável pelas imagens, edição, música e produção. Mesmo quando dá voz às utopias anarquistas que tanto impregnam o movimento punk pelo mundo afora, The Punks Are Alright é um retrato fiel do mundo que nos cerca e que tanto alimenta os temas de bandas por todo o globo. E deixa clara uma mensagem: o movimento punk nunca há de morrer. Pelo menos, enquanto esse planeta azul do qual somos inquilinos continuar a ser dominado pelo homem da maneira que o é pelos que se julgam os seus síndicos.

 

Fonte: Escrito por Guto Jimenez e extraído do portal Rock Pres.

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