Indie-country de verdade com tempero de Brasil


Pedrinho Grana & Os TrocadosA cena independente de Brasília está de bem com a vida. Neste ano, muitos lançamentos de peso ganharam o mundo. O segundo disco do Móveis Coloniais de Acaju, o também segundo do Sapatos Bicolores, entre os mais destacados. Mas também bandas novas deram as caras com EPs e discos-cheios, como Disco Alto, The Pro e Tiro Williams. Ao mesmo tempo, Phonopop finaliza o novo disco e Watson entra na fase de mixagem do álbum de estréia. Além disso, grupos ainda mais novatos, como Los Torrones e Darshan prometem uma nova safra de ótimos discos.

Assim, nada mais natural do que se dar ao luxo de parir um lançamento do porte do disco “A Aurora do Deicida”, de Pedrinho Grana & Os Trocados, tão desprentensioso quanto genial em sua simplicidade folk-country-tosca-lofi. Trata-se de um dos grandes lançamentos do ano, que provoca – mesmo sem querer – o “oficialismo” do novo mainstream indie, por vezes afeito a clonagens sem cheiro nem cor. “A Aurora do Deicida” reúne uma enfiada de canções com gosto de sinceridade, inteligência poética e pinta de hit como poucos álbuns nos últimos tempos.

Entre as canções mais legais estão “Carga Pesada”, “Aquela Garota”, “Alguém na Minha Vida”, “Davi é o Novo Rei”, “Maléfico Fantasma” e “Seu Guarda, Me Faça Mulher Esta Noite”, candidatas a “hinos” da cena. Em todas elas, distante dos modismos folk em voga, prevalece um clima country com cara de centro-oeste brasileiro, o que confere ao disco um sabor especial e particular. As letras vão do nonsense ao sentimentalismo juvenil, passando por um irônico misticismo, que lembra Raul Seixas em seus momentos mais inspirados. O registro feito no estúdio Macaco Malvado, de Gustavo Bill, garante a fidelidade necessária ao espírito do disco.

Um supergrupo – André Vasquez dos Sapatos (guitarras, banjos, etc), Guigo do The Pro (bateria) e Nandico do Fuzzies (baixo) – acompanha Pedrinho, guitarrista e vocalista do Gramafocas, autor da maioria das canções, exceto dois covers (Gram Parsons e Gene Pitney) e duas parcerias com Lino Maury. O nome é uma tradução/brincadeira literal do nome de um dos ídolos do grupo, o americano Johnny Cash, invenção da banda e de André Vasquez, também produtor musical e executivo do disco. Um disco com frescor e paixão que justifica a existência sempre renovada do tal de rock and roll.

 

Escrito por Fernando Rosa, editor de Senhor F.

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