Heavy metal, música erudita e preconceito


Heavy Metal

Confesso, tenho mania de ouvir rádio AM, especialmente nas madrugadas. Recentemente, durante um programa de entrevistas, o apresentador conversava com um famoso maestro sobre a Lei Nº. 11.769, sancionada no dia 18 de agosto de 2008. Segundo ela, todas as escolas têm até 2011 para incluir a música no currículo de artes do ensino fundamental e do ensino médio.

O tema do programa, portanto, poderia ser debatido de forma rica e com muita propriedade. Mas logo de cara, o convidado pôs tudo a perder.

— Maestro, podemos dizer que a música na escola tem a mesma importância que o esporte na vida de um jovem? Ou seja, a música pode ajudar a desenvolver o ser humano e afastá-lo dos caminhos errados?

Ozzie the God Of Heavy Metal

Eis que o maestro, justo um maestro, saiu-se com essa:

— Depende do tipo de música. Tem música para o bem e tem música para o mal. O problema é que o jovem confunde música com ruído, aí fica complicado…

Não sei se é exagero, mas achei a resposta alarmante, especialmente por ter saído da boca de um homem que vive de música. Cansei de ver maestros reclamando que o povo não se importa com música clássica porque na verdade não a conhece.

Reclamam que falta espaço, que existe preconceito. Que se as pessoas dessem uma oportunidade, eles não teriam de sobreviver fazendo

concertos para um público tão pequeno e elitizado. E são sempre os que reclamam que adotam essa postura arrogante e desinformada, desclassificando qualquer gênero musical que não seja o erudito.

Imediatamente lembrei das aulas de literatura. Por mais importante e prazeroso que seja ler um bom livro e estudar os grandes escritores, quando se faz isso por imposição, sem criar um contexto e um “gancho”, aquilo se torna mera obrigação. Uma obrigação que qualquer criança e adolescente passará a odiar quem sabe pelo resto da vida. Se a abordagem do ensino de música nas escolas se prender a formalidades e sofrer esse tipo de censura do maestro entrevistado, temo por nossas crianças.

Wander TaffoSeria tão mais fácil usar esse “ruído que os jovens confundem com música” para atrair o interesse e a atenção dos alunos para a própria música clássica! Afinal, poucos estilos de música fizeram tanto por Bach, Beethoven, Mozart e seus pares do que, por exemplo, o Heavy Metal com suas bandas melódicas e os guitarristas neoclássicos. São incontáveis os arranjos, citações, trechos e até peças inteiras tocadas de forma acústica, em versão plugada, com orquestra, com vocal e de todos os jeitos possíveis que encontramos no Metal.

Obviamente não são os maestros que vão ensinar música nas escolas, mas espero que os responsáveis por essa tarefa e as escolas estejam abertas a esse tipo de experiência. Mesmo porque a empáfia de certos maestros não os deixa enxergar nada que não seja a orquestra pura, conservadora e tradicional.

A discussão, que não é nova, na minha opinião já foi encerrada há muitos anos e com muito brilhantismo pelo nosso saudoso Wander Taffo no extinto Programa Livre. Na ocasião, o “polêmico” maestro Júlio Medaglia assumiu essa postura tão comum da classe e saiu maldizendo o Rock, as guitarras elétricas, seus músicos e por aí vai. Taffo era um dos convidados do programa. Sem entrar na onda de Medaglia, apenas dedicou sua próxima canção ao maestro. O resto é história.

 

Wander Taffo

Wander Taffo tocando Adágio em G de Tomaso Albinoni, programa livre

 

Fonte: Rafael Sartori, da redação TDM.

Uma resposta to “Heavy metal, música erudita e preconceito”

  1. Caro amigo por favor leia a letra dessa musica,
    Só porque eu sou novinha
    pensam que eu sou de bobeira
    ai que eu caio pra dentro
    já mostro que eu sou trepadeira
    vou deixando até uma dica
    quer me deixar maluquinha?
    antes de brincar gostoso
    vai vai pincela na tchequinha
    pincela, pincela
    pincelando na tchequinha
    pincela pincela deixa a tcheca molhadinha

    toma to toma to to to toma
    hum na tchequinha
    toma to toma to to to to toma
    hm geladinha

    toma to toma to to to toma
    hum na tchequinha
    toma to toma to to to to toma
    hm na tchequinha

    só, só porque eu sou novinha
    só só porque eu, trepadeira

    pois veja meu amigo muitos chamam isso de musica também e se isso for mesmo musica acho que o nobre maestro estava certo ao dizer que existem musica para o bem e o mal tenho certeza que você caro amigo não gostaria que esse tipo de musica fosse ensinado a seus filhos. Esse tipo de musica só serve para incentivar protitutas, vagabundos, marginais, traficantes e outros tipos de delinquentes se isso for ensinado na escola o mundo se tornara de vez um verdadeiro caos.

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