O louco cinema de Mel Brooks


Mel BrooksSer engraçado tem haver com talento e carisma, muitas vezes a anatomia do corpo também ajuda, mas essencialmente, comédia envolve acima de tudo a questão humana, o deboche, o vexame, a auto desvalorização, a perca da própria razão e dos preceitos que a vestem. O humorista tem o poder de transformar tudo na glória do riso, as ações e a estima, transformada para a concepção do que é considerado como engraçado, às vezes imoral, outra hora incorreto, estúpido, estapafúrdio, escrachado, ilegal, mas em designação total, o humor é e sempre será a atitude humana mais bem bolada e criativa que podemos ter.

Mel BrooksMas não basta ter senso de humor, o talento é quase que de estigma inevitável para conceber tal ofício, é um trabalho duro, humor envolve muito mais que um piada de português ou de falar mal da sogra, é um processo criativo que abre espaços para grandes mestres de tal façanha. Entre os mestres mais conceituados na arte de fazer rir, o cineasta e produtor Mel Brooks se destaca pelo seu humor corrosivo, desconforme e ideal no conceito mais engraçado da arte de fazer rir.

Mel BrooksBrooks é o diretor de vários clássicos do mundo da comédia, como diretor e também ator, elaborou vários filmes sobre sua regência que se tornaram verdadeiras facetas da comédia. Trabalhando essencialmente com os comediantes Gene Wilder, Marty Feldman, Dom deLouise, e muitos outros, compôs grandes quadros de humor, o colocando sem dúvidas entre nomes como Chaplin e Keaton no âmbito geral da comédia.

Mel BrooksSuas características envolvem a tiração de sarro de outros filmes, na maioria clássicos concebidos de Hollywood, assim foi na criação da série “Agente 86” com Don Adams no papel do agente trapalhão, série transformada em longa na década atual com Steven Carrel no papel principal, ou  em “Banzé no Oeste”, uma de sua primeiras comédias que satiriza os filmes de faroeste, com Gene Wilder no papel de um pistoleiro e um xerife negro que viria a ser interpretado pelo comediante Richard Pryor, mas que no final o estúdio optou por selecionar outro ator. “o Jovem Frakenstein” talvez seja seu filme mais bem elaborado, com roteiro de Wilder com parceria de Brooks, ficou ele ao encargo da direção do que seria uma sátira do conto de Mary Shelley, e que depois foi colocado junto as adaptações mais bem feitas sobre o Dr Victor Frankestein, sendo no filme de Brooks, o filho do grande Doutor como protagonista, interpretado por Wilder e tendo o ator inglês Marty Feldman como Igor, o servente, em uma aparição antológica da história dos filmes de comédia, o ator de olhos esbugalhados e com uma irreverência efervescente segura as melhores partes de todo o longa, que ainda conta com Peter Boyle no papel do Monstro e na participação de Gene Hackman como um cego em uma das cenas mais hilárias do filme.

Mel BrooksEntre estes clássicos, Brooks veio depois com uma proposta um tanto irreverente para o estúdio, fazer um filme mudo em pleno anos 70, algo que só um bom humorista e ao mesmo tempo grande diretor poderia proporcionar, “Silent Movie” no Brasil traduzido como “A Última Loucura de Mel Brooks” corresponde a um filme hilário do início ao fim, trazendo todas as características do cinema mudo com a perspicácia humorística de Brooks, junto de Marty Feldman e Dom deLouise, sendo os três os principais protagonistas desta loucura cinematográfica, filme que ainda conta com as participações de Burt Reynolds, Liza Minelli, Paul Newman, o mímico francês Marcel Marceau, sendo ele o único que pronuncia uma fala em todo o filme, Anne Bancroft, a Mrs Robinson de “A primeira noite de um homem” e esposa de Brooks, um filme memorável com cenas que vão do absurdo ao satírico, como a cena da corrida de cadeira de rodas automatizadas, onde o trio persegue Paul Newman em uma cena memorável do cinema humorístico.

Mel BrooksMel Brooks atacou em todos os gêneros, no início da carreira satirizou os musicais em “Primavera para Hitelr” com Zero Mostel e Wilder na preparação de um musical sobre Hitler e o terceiro Reich, com humor de primeira. “SOS Tem um louco solto no espaço” gozação direta dos filmes de ficção-científica, em especial “2001 uma odisseia no espaço” e “Star Wars”, com Bill Pulman no papel principal, Rick Moranis como um abrupto Darth Vader, John Candy como um chewbacca gay, e muitas outras extravagâncias. Em “Alta Ansiedade” Brooks desenvolve uma trama para satirizar os filmes de suspense, em destaque filmes de Hitchcock como “Um corpo que cai” e “Festim Diabólico”.

Mel BrooksSeu último trabalho até agora foi “Os produtores” onde participou como roteirista, o filme é um remake de “Primavera para Hitler” filme satírico musical, onde um produtor e um contador bolam um golpe nos financiadores de uma peça sobre Hitler e Eva Braum, a peça é feita para ser odiada e rejeitada, para assim ser designada como inútil e não ficar mais de uma noite em cartaz, assim os produtores embolsariam todo o dinheiro do financiamento, mas coisas adversas acabam acontecendo.

Mel BrooksOutros filmes ainda fazem da carreira deste grande diretor, um marco geral do humor, “Banzé na Rússia”, “Droga de Vida”, “História do mundo parte 1”, “A louca história de Robin Hood”, “Dracula: morto mas feliz” trazendo Leslie Nielsen no papel do Conde e o próprio Brooks como o professor Van Helsing, ambos deitando e rolando em cima do conto de Bram Stoker, assim como participou como ator em muitos desses outors, fazendo personagens hilários a cativantes, do mesmo modo que atuou em filmes de comédia, fazendo vozes e participações, sendo a mais hilária quando faz o miado do gato em “O Jovem Franklstein”, mas no geral podemos citá-lo como um grande mestre da arte de fazer rir, sendo de seu feitio, chamar diversos comediantes para fazer parte consistente de suas loucuras.

Mel BrooksComo falado o humorista pode gerar seu próprio prestígio na arte do riso, como faz o Senhor Melvin Kaminsky, nome verdadeiro de Brooks, pois é ai que reside sua glória intensa, a glória da grande criatividade em desenvolver uma das emoções humanas mais interessantes e bonitas! A alegria.

Filmografia de Mel Brooks

  • The Producers (Primavera para Hitler) – 1968.
  • The Twelve Chairs (Banzé no Rússia) – 1970.
  • The Blazing Saddles (Banzé no Oeste) – 1974.
  • The Young Frankstein (O Jovem Frakenstein) – 1974.
  • Silent Movie (A Última Loucura de Mel Brooks) – 1976.
  • High Anxiety (Alta Ansiedade) – 1977.
  • History of the World: part 1 (A História do Mundo parte 1) – 1981.
  • Spaceballs – S.O.S (Tem um louco solto no espaço) – 1987.
  • Life Stinks (Droga de Vida) – 1991.
  • Robin Hood: Men in Tights (A Louca História de Robin Hood) – 1993.
  • Dracula: Dead and Loving it (Dracula, Morto mas Feliz) – 1995.

Nada em negrito, tudo de Mel Brooks vale a pena ser apreciado.

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro do Clube do Rock, onde ocupa o cargo de diretor financeiro sendo um dos organizadores do Ilhota Rock Festival e autor de vários artigos publicados no blog Ilhota Rock e sua coluna pode ser acessada pelo link https://ilhotarockfestival.wordpress.com/category/coluna-do-naga/.

Uma resposta to “O louco cinema de Mel Brooks”

  1. Ilhota Rock Festival Says:

    Caro amigos leitores do blog Ilhota Rock!
    Esse foi a última postagem do então colunista Naga neste blog. Não entendam mau essas palavras, pois ele não morreu, apenas rompeu com o movimento por conflitos ideológicos que não expressam a opinião da organização do Clube do Rock e do Ilhota Rock Festival.
    Suas publicações ficarão aqui arquivadas e continuarão sendo acessadas por todos.
    Uma pena que isso veio a acontecer, mas cada é dono de si e temos que respeitar isso!
    A vida continua…
    O Ilhota Rock também!

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