Chabrol e o crepúsculo da nouvelle vague


Chabrol e o crepúsculo da nouvelle vagueA morte de Claude Chabrol (foto) no dia 12/09, domingo, aos 80 anos, nos deixa praticamente órfãos dos grandes cineastas franceses dos anos 1950 e 1960. Sobraram dois, ainda produtivos. Pelo menos um – Jean-Luc Godard – é considerado um dos principais realizadores da história do cinema. O outro, Alain Resnais, que dirigiu “Ano Passado em Marienbad” e “Hiroshima, Mon Amour”, é um diretor fundamental para a cinematografia europeia, embora não tenha alcançado a estatura de Godard (foi, porém, mais louvado que Chabrol).

Primeiro, como críticos ligados à revista Cahiers du Cinéma, essa leva de nomes criou uma nova apreciação dos filmes americanos, reavaliando o trabalho de realizadores como Howard Hawks, Billy Wilder e John Ford dentro da ótica do “cinema de autor”.

Claude ChabrolO cinema de autor, aliás, foi o segundo momento desse grupo, que deixou as páginas impressas e partiu para a direção de filmes, criando a “nouvelle vague”, a nova onda da cinematografia francesa – o momento definitivo do cinema moderno.

Por isso, não estranhe se você assistir “Ano Passado em Marienbad” (uma encenação que brinca com a temporalidade) e lembrar de “A Origem”, ou mesmo de “Amnésia”, os filmes em que Christopher Nolan também brinca com a racionalidade do tempo. Quentin Tarantino chegou a copiar cenas de filmes desse pessoal, sobretudo Godard.

Da mesma forma, se você assistir “Jules e Jim”, de François Truffaut, verá o filme no qual estão baseados a maior parte de comédias e dramas que envolvem um triângulo amoroso. Já “Acossado”, de Godard, cria um modelo fílmico de rebeldia e desajustamento que continuaria fazendo dinheiro no cinema industrial da costa do Pacífico, décadas depois.

E por aí vai. Aqui tem um pouco mais sobre Chabrol, um diretor que, se não foi tão bom como os colegas, é melhor do que 90% do que está por aí hoje.

O crítico da burguesia

Cineasta francês Claude Chabrol, conhecido pela ironia com que retratava os hábitos dos conterrâneos em seus filmes, morreu ontem, aos 80 anos.

Claude ChabrolO cineasta francês Claude Chabrol, que descreveu com imenso bom humor os estranhos hábitos da burguesia de seu país natal, morreu em Paris, ontem, aos 80 anos. A causa da morte e detalhes do funeral não haviam sido divulgados até o fechamento da edição do caderno.

Em sua extensa obra, Chabrol pintou com crueldade, e sem recato, o comportamento e os hábitos da classe dominante e provinciana, com seus escândalos encobertos por uma fachada de respeitabilidade.

Nascido em 24 de junho de 1930, na capital francesa, filho de uma família de farmacêuticos, Chabrol passou a adolescência, em plena Segunda Guerra Mundial, em Creuse, região central da França. Da província, saiu apenas para cursar as faculdades de Letras e Farmácia em Paris.

Como crítico de cinema, participou do lançamento da Nouvelle Vague, escrevendo na revista Cahiers du Cinéma (1952-57) com François Truffaut, Jacques Rivette e Jean-Luc Godard. Em pouco tempo, Claude Chabrol se impôs como autor, realizador e produtor de seus filmes.

Nas Garras do Vício (Le Beau Serge, 1957), com Jean-Claude Brialy, recebeu o prêmio Jean Vigo e o grande prêmio do Festival de Locarno em 1958. Os Primos (Les Cousins) conquistou em 1959 o Urso de Ouro do Festival de Berlim.

Chabrol se divorciou da primeira mulher para casar-se com a atriz Stéphane Audran, sua musa, que interpretou papéis marcantes em filmes como “A Mulher Infiel” (La Femme Infidèle) e O Açougueiro (Le Boucher) de 1969, além de Ao Anoitecer (Juste Avant la Nuit), 1970.

Com Violette (1978), célebre envenenadora parricida dos anos 1930, o cineasta contribuiu para revelar o talento da francesa Isabelle Huppert, a quem escalou para estrelar cinco outros filmes, entre os quais Um Assunto de Mulheres (Une Affaire de Femmes, 1988), Mulheres Diabólicas (La Cérémonie, 1995) e A Teia de Chocolate (Merci pour le Chocolat, 2000).

Claude ChabrolFilmes mais leves, como Delegado Lavardin (Inspecteur Lavardin, 1986) e Frango ao Vinagrete (Poulet au Vinaigre, 1985), que contam histórias policiais estreladas pelo ator Jean Poiret, foram grandes sucessos de bilheteria na época.

O conjunto de sua obra, com mais de 80 filmes para o cinema e a televisão, foi coroado com o Prêmio René Clair da Academia Francesa (2005) e o Grande Prêmio 2010 de autores e compositores dramáticos.

Chabrol se casou pela terceira vez, em 1983, com Aurore Pajot, e era pai de quatro filhos.

A morte do cineasta francês pegou os fãs de cinema de surpresa ontem. No Twitter, seu nome ocupou, durante toda a manhã, o topo do Trending Topic do microblog, sendo o assunto mais falado da web.

Fonte: Jornal Diário Catarinense.

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