O Cinema carioca de Arnaldo Jabor


Arnaldo JaborO cinema brasileiro já serviu como vertente percussora para diversos âmbitos, foi definido em movimentos e manifestações ao longo de um grande processo que se auto determinou nas nomeações do Cinema Novo, Cinema Marginal, Chanchadas, pornochanchadas, e o habitual de hoje, bem próximo já ao convencionalismo americanizado. Entre Glauber Rocha, Leon Hirzman, Cacá Diegues, Bruno Barreto e Anselmo Duarte, que são alguns dos nomes da cinematografia brasileira, tendo também a participação de Arnaldo Jabor neste processo, que faz parte da história do nosso cinema.

Arnaldo JaborJabor possui uma extensa carreira cinematográfica, assim como é também consagrada por alguns de seus filmes que fizeram sucesso comercial e até ganharam divulgação no exterior. Começou trilhando os caminhos no cinema novo com seus primeiros curtas e longas com forte influência no neo-realismo de filmes italianos e na Nouvelle Vauge francesa, destacando seu documentário “Opinião Pública”, inovador para a época fazendo um mosaico sobre a realidade brasileira, e depois com seu filme de toques surreais com forte influência do barroco em “Pindorama”, filme considerado pretensioso e de origem confusa, e depois já se encaminha para certa pré-pornochanchada só que com tons mais leves e mais teatrais no contexto da obra. Seus grandes sucessos são “Eu te amo” com Sonia Braga e Paulo César Peréio, onde ambos praticam cenas de sexo em quase todo a projeção do filme, revelando certa coragem do cineasta, assim como nos confronta também com o roteiro, e na atuação dos atores, consagrando ambos no cinema nacional, e “Tudo bem” da mesma época com Paulo Gracindo e Fernanda Montenegro, ganhador de melhor filme no festival de Brasília e um marco na carreira do cineasta carioca. Antes ainda desta fase destaca-se um de seus filmes de maior sucesso comercial “Toda Nudez será Castigada”, de 1973, baseado na peça de Nelson Rodrigues, um filme de procedência quase experimental, com toques teatrais de atuação remetendo aos monólogos de Brecht, o mesmo praticado por Othon Bastos em “Deus e o diabo na terra do Sol” de Glauber Rocha, o filme conta com as presenças de Peréio, Luiz Fernando Guimarães, Paulo Porto e Darlene Glória, em atuação que lhe favoreceu o Urso de Prata no Festival de Berlim, o filme sofreu forte censura até com a ameaça de ser proibido, mas com a premiação concedida foi liberado sem cortes.

Arnaldo Jabor - Cena do filme O Casamento com Adriana Pietro“O Casamento” é um de seus sucessos comerciais que foi bem recebido pelo público, sendo este também baseado na obra de Nelson Rodrigues, marcado também por ser o último filme de Adriana Pietro, onde narra sobre as discórdias e deformidades sexuais da sociedade e do ser humano, sendo ainda mais devastador no contexto do que “Toda Nudez…”.

Arnaldo Jabor - Cena do filme Eu Sei Que Vou Te AmarCom o longa “Eu sei que vou te amar”, obteve certa consagração em Cannes pelo prêmio da atriz Fernanda Torres de melhor atriz, o filme que transcorre quase inteiramente dentro dos aposentos de um casal em conflito, onde temas como amor e sexo são longamente promulgados, gerando todo um debate sobre a contextualização do casal perante os sentimentos ambíguos do ser humano, criando todo um aspecto em cima do roteiro do filme, extenso, quase que teatral em certas partes e também destacado como filme de roteirista, pois a trama é totalmente focada em texto, onde vale ressaltar a capacidade dos atores em atuar em cima de longos pronunciamentos ao decorrer de cada cena.

Arnaldo Jabor - Cena do filme A Suprema FelicidadeJabor viu sua carreira ser terminada quando veio a exclusão de incentivos para cultura feito pelo governo Collor, o que tirou Jabor do mercado cinematográfico. Naquele tempo cinema era mais na raça mesmo, feito por paixão com baixo custo, não é a toa que as pornochanchadas tiveram tanto sucesso, pois excluíasse parte da qualidade para pôr dosagens de humor e cenas escachadas, sendo barato e de alto consumo, e já cineastas como Jabor batalhavam em um campo mais devastador, que era o de promover a arte em geral.

Arnaldo Jabor - Cena do filme Eu te AmoEm seus filmes vemos traços surpreendentes de influência do cinema Europeu, cineastas italianos, franceses sempre foram inspiração para Jabor, assim como a arte em si, principalmente o barroco. Ao longo de sua carreira sofreu com as censuras da Ditadura Militar, onde precisava passar por avaliações das obras e tinha que dar um jeito para o filme permanecer em sua íntegra de contexto, coisas como cortar cenas do rolo para exibição de aprovação e até distrair o avaliador militar em questão. O Brasil teve seus tempos difíceis em promulgação da arte, sendo todas elas questionadas, e o cinema era o de maior cobrança em relação aos militares, que prenderam e levaram Glauber ao exílio, assim como censuravam falas no roteiro e cenas determinadas como transgressoras.

Arnaldo Jabor - Cena do filme Opinião PúblicaApós o cinema brasileiro entrar em hiato, sem investimento e nem esperança, Jabor começou a interagir em outro campo, a escrita, de onde vem sua fama perante aos brasileiros hoje em dia, escreveu livros, contos e artigos para jornal, na sua maioria de cunho político, onde até hoje vive a sofrer suas represálias por textos irônicos e de auto julgamento, fazendo uma criação de opinião pública, criticado e apoiado. Entre os atores que já trabalhou, muitos se tornaram grandes estrelas do nosso cinema, como Sonia Braga, Paulo Gracindo, Paulo Porto, Fernanda Torres, Peréio e outros que construíram junto a Jabor um extenso panorama de arte cinematográfica brasileira, que nos serve para aprendermos mais sobre nosso próprio cinema e pelo desenvolvimento de arte em nosso país.

Arnaldo Jabor - Cena do filme Toda Nudez Será CastigadaAtualmente vem trabalhando na finalização de seu último longa, marcando um retorno as telas de cinema com “A suprema Felicidade”, filme que conta em partes sobre sua infância na capital fluminense onde cresceu, fazendo dela ficção, mas com retoques de sua cidade natal, principalmente no bairro em questão onde filmou, fazendo de “Amarcord” do cineasta italiano Frederico Fellini uma inspiração para o filme, previsto para este ano ainda. (aguarde e confira aqui no Ilhota Rock).

Entre seus textos de hoje muitos se aplicam pela variação dos temas, assim com em seus livros que viraram best-sellers, variando entre assuntos como cinema, sexualidade, amor e política.

Arnaldo Jabor - Cena do filme Tudo BemArnaldo Jabor é um dos que fazem parte do grupo mascarado de cineastas brasileiros da vanguarda setentista, onde eram um grupo de 5 cineastas ao todo que viviam na incursão da arte como ofício engajador da opinião alheia, hoje o cinema ganhou grandes proporções e Jabor tem se filiado a arte da escrita cada vez mais, fazendo de seu demorado retorno aos filmes a nos acreditar como sendo um de seus últimos, mas aguardamos por mais Jabor, em comentários nos jornais, nos livros, e no cinema!

Filmografia de Jabor

  • O circo (Curta) – 1965.
  • A Opinião Pública – 1967.
  • Pindorama – 1970.
  • Toda Nudez será Castigada – 1975.
  • O Casamento – 1975.
  • Tudo Bem – 1978.
  • Eu Te Amo – 1980.
  • Eu sei que vou te amar – 1984.
  • O carnaval (curta) – 1990
  • A suprema Felicidade – Sem data de lançamento.

Livros de Arnaldo Jabor

  • Os canibais estão na sala de jantar – 1993.
  • Sanduíches de realidade – 1997.
  • A invasão das salsichas gigantes – 2001.
  • Amor é prosa, sexo é poesia – 2004.
  • Pornopolítica – 2006.
  • Eu sei que vou te amar – 2007.

Em destaque seus filmes mais bem sucedidos e seus livros de maior vendagem. Até a próxima…

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro, um dos organizadores do Ilhota Rock Festival e autor de vários artigos publicados no blog Ilhota Rock sua coluna pode ser acessada pelo link https://ilhotarockfestival.wordpress.com/category/coluna-do-naga/.

Uma resposta to “O Cinema carioca de Arnaldo Jabor”

  1. Arnaldo com cineasta vc é um pécimo comentarista tente colocar alguma coisa positiva na sua patetica negativa vida.

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