O grupo Baader-Meinhof


O grupo Baader-MeinhofEntre os anos de 1966 até 1976 o mundo parecia entrar em colapso, a geração pós-guerra e viventes durante a guerra fria e o fim do colonialismo, se formava após anos de massificação e destruição do homem para com o homem e um novo dilema parecia se formar, a geração dos chamados Baby Bomers, que presenciaram os fatos mais marcantes de um dos séculos mais movimentados deste mundo. Na Alemanha estigma-se que o novo poder seja governado por ex-nazistas em várias chefias do poder, e estudantes começam a revogar a presença da tirania, junto com as massificações dos conflitos da palestina, a guerra do Vietnã, a ocupação americana em bases para ataque ao Vietnã do norte, as causas das bombas de Hiroshima.

O grupo Baader-MeinhofTudo isso revoga sobre a ascensão de um estado fascista onde em 1967, jovens da Alemanha começaram a se mobilizar para com os direitos civis, e logo já adequaram seus conceitos nas bases dos estudos socialistas, bastante influenciados pela ascensão de Fidel em Cuba, e também marcados pelos assassinatos de Guevara na Bolívia e na intervenção dita “imperialista” americana. Disto estudantes começam em pequenos protestos a levantarem suas vozes para com seu governo, principalmente na situação do Xá do Irã em visita a Berlim, onde protestasse contra a visita feita por estudantes e exilados iranianos que termina em uma tumultuosa pancadaria por parte da polícia alemã e os estudantes, que ao final deixa ainda a morte de um jovem futuro pai de família, morto por um policial que não é julgado. O fato é levado aos jornais e entram em ação a reivindicação dos estudantes passando a atuar na clandestinidade, liderados pela então Andreas Baader, para começarem a praticar o protesto armado para com a quebra dos direitos civis em volta da imensidão dos fatos do final dos anos 60.

O grupo Baader-MeinhofEntram junto ao grupo a jornalista de esquerda Ulrike Meinhof, que após deixar para trás marido e filhas, entra na vida revolucionária em busca dos mesmos sonhos que seus companheiros, a luta armada pela liberdade contra um estado fascista que se acreditava que se formava nas entranhas do novo poder alemão, onde estimava-se que a Alemanha pretendia se armar novamente e que a ideologia do terceiro Reich não havia se perdido, e é onde exatamente entram estes jovens, que depois a pequenos protestos como queimar lojas para chamar atenção, logo depois aprendem na Jordânia a manusear armas e voltam roubando bancos a adquirindo dinheiro para financiamento da compra de armas para compor a prática da revolução que se acreditava.

O grupo Baader-MeinhofForma-se o grupo denominado pelo jornal da direita tido como mentiroso e imperialista do dono empresário Axel Springer, o grupo Baader-Meinhof, com foco na ideologia marxista e do Maoismo, que depois seria conjecturado como sendo Marxista-Leninista, seguiam semelhantemente o ideal dos Tupamaros do Uruguai e começaram atuar fortemente nas conclusões de seus objetivos, explodindo prédios de jornal, da polícia, de prédios que abrigam soldados americanos e praticando atos de terroristas resultando na morte de muitas pessoas, sendo tudo designado como protesto ao estado e a guerra do Vietnã.

O grupo Baader-MeinhofDurante a clandestinidade Ulrike escreveu livros e manifestos para serem divulgados imprensa a fora, Baader começa a atuar no investimento em materiais explosivos, e exatamente em uma dessas buscas de materiais deixados em uma garagem, é pego em uma emboscada onde leva um tiro na perna, o resto do grupo é preso quase por completo logo depois. Todos são mandados para o presídio de Stammhein, em Stutgart, onde ficam aprisionados em quartos separados e várias vezes isolados de qualquer som, enquanto são julgados pelo júri onde causam impacto pela causa em proporção de vários ataques verbais que fazem perante julgamento.

O grupo Baader-MeinhofEnquanto o grupo fora se sustenta em novos integrantes para fortalecerem os ideais, um dos fatos recorrentes em meio ao período se dá pelo massacre de esportistas durante as olimpíadas em Munique, quando palestinos invadem o prédio matando alguns atletas e o sequestro do avião Lufathansa, feito em pró da libertação dos líderes do grupo. Ambos acabam em fracasso, que só sustenta ainda mais a atuação da nova geração do grupo, Ulrike é encontrada morta tempos depois em sua cela, com o laudo de suicídio, mas com protestos acusando os carcereiros de assassinato, antes um dos membros antigos também é morto enquanto passa mal durante uma greve de fome. O grupo ganha vigor em sequestrar um dos membros do governo, que fica em posse dos novos integrantes por mais de 5 semanas, o governo nega a soltura dos líderes, logo depois todos os membros do bando são encontrados mortos em sua celas onde se dá a entender que todos se suicidaram, tempos depois o diplomata capturado é assassinado pelo Bando Baader-Meinhof.

O grupo Baader-MeinhofA guerrilha urbana utilizada pelo grupo é bastante semelhante aos fatos que podemos analisar entre todos os grupo de extrema esquerda, principalmente os de atuação na América do sul dos anos 60, na América central e vários outros de procedência socialista. A temática utilizada é semelhante às táticas também de grupos anti-ditaduras, principalmente aquelas que compunham a história da América do sul. Em meio ao caos em que se encontrava os acontecimentos deste tempo, como o assassinato de Martin Luther King, Bobby Kennedy, a morte de Ernesto “Che” Guevara, os golpes de estado e o apoio de Europeus aos americanos na guerra do Vietnã, intensas em bombardeios designados pelo então presidente Richard Nixon.

O grupo Baader-MeinhofO grupo Baader-Meinhof foi a criação e uma falange vermelha de estudantes a desfiarem o estado pelo ato do terrorismo, todos os seus membros foram capturados, presos, alguns torturados, outros assassinados e atuaram na clandestinidade por anos a fio, no começo foi uma revolta contra o método pacífico de estudantes de esquerda em querer debater pela democracia em plebiscitos e encontros feitos por Rudi Dutschke, mas que resultaram em uma tentativa de assassinato onde um jovem fora morto pelo atentado, Dutschke passaria por várias cirurgias e depois voltaria a vida pública e até fundaria o partido verde alemão, sendo o fato de seu atentado que levaria Ulrike Meinhof a entrar para a vida clandestina.

O grupo Baader-MeinhofEm meio a geração crescia o estereótipo do sexo, drogas e rock ’n’ roll, as delibações dos anos 60 e a experimentação do modo de vida libertina em relação a liberdade e o sexo, vogado também pelas lutas e revoluções mundo afora, como as revoltas na França em 1968, tida como uma revolução cultural, a influência de Cuba, país dito independente do domínio americano e pelos protestos de uma geração que crescia após os acontecimentos da segunda guerra mundial, que faziam o contrário de seus pais, que em vez de se calar, se jogavam de cabeça pelas causas humanitárias e tidas como certas. Ulrike fundamentou seu livro de acordo com os estudos do brasileiro Carlos Marighella, comunista político assassinado em 1970 no Brasil, Ulrike fundamental sua tática de guerrilha no livro “Minimanual do Guerrilheiro urbano” do escritor brasileiro, e fundamentou estratégias e objetivos do grupo.

O grupo Baader-MeinhofA marca que nos fica é da intensidade de jovens em promover toda uma trajetória de vida em cima de conceitos para designarem liberdade e direitos humanos, protelando contra políticas de cunho fascista e que admitem a anistia de antigos promovedores do terror, principalmente na Alemanha onde vários ex-nazistas presidiam cargos de poder, e declarado pelo grupo que a geração que regia as regras era a geração de Auschwitz, de assassinos, da geração de Hitler.

O grupo Baader-MeinhofRecentemente posto em filme pelo diretor alemão Uli Edel, o filme mostra a atuação do grupo desde o começo das lutas até o derradeiro fim do grupo, passando por toda uma trajetória cultural e política dos final dos 60 aos 70, sendo um filme extremamente importante para as gerações de hoje, da forma de estudo e de entendimento sobre certas ações de governo e civilização, um verdadeiro documento histórico feito com muita propulsão sobre os reais acontecimentos que mobilizaram as ações do grupo alemão, um grande destaque é a dos cartazes onde vai as fotos dos procurados do grupo, feito com muita realidade através do rosto dos atores que participam do filme, baseado no livro de Stefan Aust, biógrafo do RAF.

O grupo Baader-MeinhofÉ difícil termos filmes que mostram este lado da história com tanta veemência, pois sempre pode parecer ficar a idéia de simpatização das idéias postas pelo filme, mas a proposta do filme está mais em relatar e por a discussão em prática, pois o foco do filme se baseia nos aspectos históricos do mundo e da realidade em que o grupo atuava na Alemanha dos anos 70. O grupo teve seu último líder morto em 1993, Wolfgang Grams, e uma de seus últimos atos foi a demolição de um presídio construído na Alemanha, marcando o maio ato terrorista feito na República da Alemanha até hoje. O grupo sobreviveu a três gerações e foi um dos expoentes da revolta armada principalmente na Europa.

O grupo Baader-MeinhofO filme concorreu ao Oscar e Globo de Ouro em 2009 por melhor filme estrangeiro e foi muito repercutido pela Europa, no Brasil o filme não ganhou muito destaque apesar da simpatia de muitos por filmes de cunho histórico perante a grupos revolucionários, que é uma história bem comum aqui no Brasil, e conhecida, apesar de muitos negligenciarem tais fatos por desconhecimento ou simplesmente não aprofundamento, mas o filme faz seu triunfo em relatar para novas gerações,a s de hoje da era tecnológica, que fatos como estes moldaram a forma de pensar do mundo e que com certeza influenciaram a vida das pessoas, seja pela mensagem, pela violência ou até pelo simples ideal primário que move grupos desta relevância, a liberdade do ser humano.

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro, um dos organizadores do Ilhota Rock Festival e autor de vários artigos publicados no blog Ilhota Rock sua coluna pode ser acessada pelo link https://ilhotarockfestival.wordpress.com/category/coluna-do-naga/.

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