O jazz de Charlie Parker


O jazz de Charlie ParkerArtigo sobre o filme Bird de Clint Eastwood.

A história real que recria o mito através dos tempos, a força criativa em função dos relatos de uma vida consumida em esboços de uma perfeição latente e prodigiosa, que guardou a alma de um dos maiores músicos de jazz de todos os tempos, senão o maior até hoje já citado, o saxofonista Charlie Parker, conhecido como “Yardbird” e depois com aquele que seria seu verdadeiro nome e principal vertente da categoria musical do meio jazzístico, “Bird”.

O jazz de Charlie ParkerEste mesmo apelido de Parker é o que nomeia o fabuloso filme dirigido pelo ator americano Clint Eastwood, em um maravilhoso e autêntico retrato do jovem saxofonista nos anos mais vindouros da criação de sua obra, o BeBop jazz dos anos 50 oriundo dos bairros mais noturnos e boêmios da cidade de Nova York, onde havia espaço para a enorme variedade de músicos que vinha se criando na capital da música. Se junta a Parker nomes como Dizzy Gillespie, Count Basie, sendo estes alguns dos comentados durante o filme, sendo que nesta mesma época já percorriam a mesma trilha, Coltrane e Miles Davis que depois de Parker reinventariam o modo de se tocar jazz.

O jazz de Charlie ParkerO filme transcorre sobre os tempos áureos do músico, onde entre brigas, bebedeiras e forte consumo de drogas, abria espaço para aclamação e reconhecimento de sua obra, tida como inovadora e altamente criativa, uma vertente do estilo de tocar sax, dando a impressão que a única marca de seu fracasso era seus excessos, como em muitos músicos de qualquer cenário, mas Parker era diferente, a depravação de seu bem estar e sucesso proviam de sua qualidade intensa de se auto indagar, privilégio de poucos, pois todos tendem a temer o derradeiro final, coisa que para Parker era apenas um porém.

O jazz de Charlie Parker filme de Clint Eastwood

Eastwood nos transporta com sua visão para o cenário novayorkino com muita intensidade de época, os bares, o clima que transcende por toda a projeção são de qualidade marcante e que desde aqui já mostram a capacidade do diretor em detalhar sobre a história americana e da música, principalmente o jazz, pelo qual Eastwood é aficionado. Seu filme conta sobre as parcerias de Parker, sua vida atribulada pelo casamento tumultuado e ao mesmo tempo amoroso, sua viagens, sua perdas sentimentais e sua incisiva veracidade musical, tudo remetendo em cenas substancialmente primorosas, onde a olho nu contemplamos um certo primor da cenografia e também da música, são vários momentos de passagens musicais que fazem do filme um marco importante da relação entre a música e a história de um de seus maiores mitos já produzidos, sendo inventivo e delineador da versatilidade musical.

O jazz de Charlie Parker filme de Clint EastwoodFilmado em 1988, com Forest Withaker no papel de Parker, papel que lhe rendeu aclamação e um prêmio em Cannes, contando com forte atuação do ator na composição do músico, toda sua postura remete a um brilhantismo perfeito, desde o modo de andar e até pela segurança que Withaker demonstra com muita veracidade e garra ao personagem. Outro ponto importante e escolha acertada para o longa é a presença da atriz Diane Verona, que marca como a esposa de Parker um grande papel ganhando destaque ao lado da força atuante de Withaker, sendo em ambos o mérito também da direção de Eastwood, que como ator, sabe bem desempenhar ambas as funções, assim como dirigi-las e criá-las em relação a todo o pudor que um filme desta dramaticidade e magnitude poderia oferecer e ocasionar.

Charlie ParkerÉ ponto marcante e difundido a relação de Parker com Gillespie e outros músicos, que desde tempos vinham a prestigiar Charles Parker por capacidade musical extrema na arte de improvisação e mudança rítmica, que fizeram da arte seu nome na história do jazz e da música. Seus clássicos são transportados para cada cena e podem ser acompanhados com detalhes pelos focos dados nas fases de sua carreira, o começo agravante, o reconhecimento gradativo, o prestígio fora do país e sua glorificação pela obra, tudo isto caminhando e ruindo pelas altas dosagens de drogas e inevitáveis tragédias da vida. O filme tem forte impacto técnico pela junção de imagens e pelo intenso roteiro que relaciona os combates morais do músico junto a sua capacidade de se apresentar, e pela narrativa não linear, que reflete sobre os impactos da vida do músico e suas repercussões em seu estado atual de cada cena, sendo demostrado em quase 3 horas filme, uma grande obra cinematográfica feita com qualidade pelos seus realizadores, sendo uma relação curiosa de arte visual com a música do Jazzista.

Charlie ParkerParker nunca teve um grande reconhecimento comercial em sua época, ficou mais na crendice de seus companheiros musicais que reconheciam nele a alta forma de sua criatividade em compor e tocar, comercialmente o lucro de seus discos ficavam com quem os vendia, os tempos eram outros na gravação de discos da época de 50, e os músicos valiam por sua vida somente em apresentações e nos shows que faziam, eis onde regia grande parte do fracasso de ascensão financeira da vida de Charlie Parker, sua incapacidade de cumprir horários e sua negligência perante o cumprimento de contratos.

Charlie ParkerUm gênio musical composto em uma forma robusta e depreciativa de ser humano, enorme e volumoso expandido talento e perfeição harmônica, parte herdada de seu apreço e estudo de música clássica, principalmente Stravinsky, que a combinação de sons influenciou muito os detalhamentos das composições de notas de Parker. Sua vida foi harmoniosa para com seus costumes, da vida boêmia que levava e do enorme artista que era. Sua música ecoa hoje em dia mundo afora sendo admirada por amantes do jazz, e Bird sendo consagrado como um dos maiores ícones da música já existente.

Clint EastwoodEastwood comove por sua paixão dedicada, é e sempre foi um grande apreciador do blues e do jazz, e em seu filme bota a prova seu vigor em homenagem a uma de suas maiores figuras transgressoras e libertadoras do estilo, fazendo de sua paixão um retrato histórico surpreendente e um filme grandioso, ao qual concorreu a grandes prêmios e deu também de vez seu engajamento na direção de filmes.

Um show a parte o filme vale a cada segundo, uma inebriante visão de um mundo antigo e clássico que nos remete aos tempos vindouros das criações artísticas mais intensas de nosso século, e de suas figuras nítidas de nossa compaixão, como Charlie “Bird” Paker e outros muitos que fizeram sua história, mas cabe aqui delinear a importância do saxofonista como um dos maiores criadores musicais, e além de tudo, de um grande ser – humano e sua vida, tão demasiada rápida que nos aponta como uma trágica fábula real, da conquista dos sonhos sob uma ótica de excessos, que deixa encargo à fantasia nebulosa de nossas paixões em vida, que para Parker além de tudo, era sua música e capacidade de criar e para nós, pelo menos para os bons ouvintes e apreciadores, admirar tão vasta obra original e espetacular, assim como também podemos assistir a uma fabulosa obra cinematográfica, sobre a vida de um grande ser – humano.

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro, um dos organizadores do Ilhota Rock Festival e autor de vários artigos publicados no blog Ilhota Rock sua coluna pode ser acessada pelo link https://ilhotarockfestival.wordpress.com/category/coluna-do-naga/.

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