O amor e a arte. O cinema de François Truffaut


François TruffautQuem nunca ouviu falar de amor propriamente dito, ou de suas consequências drásticas e efeitos frutíferos a qual são concebidos à este sentimentos, como refutar entre a ambiguidade da ocasião do que nos gera e daquilo que fornecemos. A complexidade de tal sentimento e sua vocação em mover ações questionáveis de cada humano vivo. É como ouvir falar a expressão “Tudo por amor” e analisar até onde vai o efeito deste “Tudo”, sua prontidão e aptidão aos danos morais e físicos e delineamentos da prosaica propensão do sentimento mais efêmero de nossa capacidade humanística.

Do filme Jules et Jim, que aparece os três correndo por um corredorTendo isto tudo em vista, botamos agora para o elenco da sétima arte em delinear sobre o caso do assunto em questão e acharemos que quem mais se compromete em achar tais lacunas pelo cinema, é o cineasta francês François Truffaut, movimentador da “Nouvelle Vauge” junto de seu conterrâneo Jean-Luc Godard, influenciador do cinema novo de Glauber no Brasil, inspirado por Rossellini, Hitchcock, Jean Renoir, Eric Rohmer e outros, criou de seu cinema uma janela aberta ao entendimento confuso sobre o sentimento do amor. Considerado por muitos como o mais apaixonante dos diretores, seus filmes vogam pela trama correndo através da intervenção humana da paixão, o que é o mínimo que se espera de um dos mais renomados cineastas da França, principalmente sendo de Paris.

François TruffautDe seus filmes mais famosos e aclamados, “Os Incompreendidos”, vencedor em Cannes, que estabelece junto à “Acossados” de Godard como o início da “Nouvelle Vauge”, mostra a primeira incursão do personagem Antoine Doinel, e o filme trata da história quase similar a do próprio diretor, criado em orfanato, atuando em pequenos furtos, dividindo o tempo entre as amizades e os livros de Balzac, o que explica a simpatia e o amor ao qual é tratado o personagem durante o filme todo. Doinel ainda seria personagem de outros filmes de Truffaut, aparecendo ainda com o mesmo ator interpretando-o, foram “Amor aos 20 anos”, “Beijos Proibidos” de 1968 marcado por ser antes da Revolta Estudantil, “Domicílio Conjugal” e “Amor em Fuga”.

François TruffautMas antes ainda, Truffaut faria o que seria seu filme mais percussor da história do cinema, lembrado até hoje como um dos filmes mais românticos da história, difundido e embrevador, “Jules et Jim – Uma mulher para dois”, um dos grandes marcos do cinema universal, filme que transcede todos os aspectos de obra para um filme autoral e perfeito. O filme marcou de vez a criação do romantismo em torno do cinema francês, e um dos focos para ponto de partida de termos a França, Paris sendo mais específico, como a cidade do amor, feito em 1962, sendo uma adaptação de Henri-Pierre Roché, embora  o filme seja de época, mostrando a guerra em relação aos personagens e suas paixões, onde um francês e um alemão, amigos, que vivenciam sobre a mesma paixão por uma mulher, não havendo competição, e sim consentimento, no mais sereno sentido da palavra. A amizade dos personagens transcede a tudo, nem a guerra os separa, sendo que lutam de lados diferentes, e nem o amor, que pelo contrário os junta ainda mais. Forte atuação da atriz Jeanne Moreau.

François TruffautGérard Depardieu colaborou com Truffaut em um de seus filmes de grande proporção, em “A mulher do lado” ficamos com a evidência real do amor como motivador das causas questionáveis de nossas ações, filme tenso que mostra grande domínio já de Truffaut, embora seja já um de seus últimos filmes feitos, mas revela criatividade e forte atuação dos atores, de Gerard Depardieu e Fanny Ardant, que depois ainda atuaria no filme hitchockiano “De Repente num Domingo”, outro exemplo de domínio e também uma homenagem aos filmes de Alfred Hitchcock.

François TruffautTruffaut sempre atuou como crítico e escritor de cinema, onde começou escrevendo sobre filmes que adorava onde creditava já conceitos e artimanhas da arte de filmar, era o “Cahiers du cinéma”, onde eram ali declamados artigos através das leituras de filmes de Rosselini, Renoir, Einsestein, Dziga Vertov, Murnau, Hitchcock, Bergman, Chaplin, Orson Welles e tantos outros que se fazem nomes da história do cinema mundial, influenciadores de Truffaut e de seus filmes, assim como na Nouvelle Vauge, e até no fato de ele mesmo influenciar outros diretores e movimentos, tendo como amigo e apreciador o baiano Glauber Rocha, articulador da criação do Cinema Novo no Brasil em 1960 com o filme “Deus e o Diabo na terra do Sol”.

Seu domínio vai além, fica creditado pela câmera investigativa dos cenários utilizados e pela força da narrativa em seus longas, o roteiro impermeável e cheio de nuanças nos faz sentir saudades de bons tempos de cinema, ou apenas ressentidos por não poder, nós hoje da faixa de 20 anos, em apreciar esta época de ouro do cinema mundial.

François TruffautA França promoveu vários círculos de influência pela arte em geral, e no cinema não foi diferente, diretores como Claude Chabrol, Godard, Rohmer, Renoir, fazem parte do grupo onde habita François Truffaut, sendo ele um dos mais importantes, pelos seus filmes originais. Sempre em tom suave, nem o mais drástico de seus filmes eleva o tom de certo humor durante a passagem de cena, sempre colidindo vários sentimentos em meio a narração, seja amizade, tristeza, alegria, humor e o mais específico e atenuante em seus filmes, o amor.

Há vários feitos ainda em sua lista como “O último metrô” com Depardieu e Catherine Deneuve, “Fahrenheit 451”, “O tiro no pianista”, “O garoto Selvagem”, “A história de Adèlle H.”, “A noite americana” vencedor do Oscar de melhor diretor estrangeiro, “Um só pecado” “A noiva estava de preto”, além de outros e ainda com atuações, sendo a mais famosa no filme de Steven Spielberg “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”.

François TruffautNo meio político sempre esteve à frente de causas sociais, ao lado do poeta Jean-Paul Sartre e também escrevendo para revistas de procedência esquerdista, tendo apoiado também a candidatura de François Mitterrand para presidente da França, o único até hoje a dirigir o país sendo socialista. Faleceu em 1984 quando foi diagnosticado com câncer no cérebro pelo abuso de cigarros, o que o causava várias dores de cabeça.

Seu cinema sempre foi aclamado por público e crítica, sendo ele mesmo antes de cineasta, um grande articulador de cinema e também já propiciador de novos mecanismos para a arte dramática, então ao virar cineasta e começar a fazer sua Misce en scene, como é chamado a direção no francês, atribuiu os conceitos daquilo que acreditava ser um cinema dinâmico, realista e novo, deixando os filmes convencionais de lado e mostrando algo mais concreto e conciso para a sétima arte, resgatando conceitos de diretores franceses mais antigos servindo como uma das maiores referências Jean Renoir.

François TruffautFoi um dos mais importantes diretores do século XX, marcou pela sua visão de temas como amor, infância, e as mulheres, que sempre foram as maiores protagonistas de seus filmes, tendo a referência de Jeanne Moreau em “Jules et Jim” como uma das melhores atuações já feitas no cinema. Truffaut eleva o conceito de cinema e é sempre válido acompanhar seus filmes nos dias de hoje, compreender seu desenvolvimento e entender a façanha de diretores americanos obterem devido sucesso por trazer a influência de Truffuat para o cinema como Coppola, Scorsese, Geoge Lucas, De Palma e outros, a importância de François Truffaut para a arte cinematográfica é inquestionável diante toda sua filmografia, foram 26 filmes em 25 anos de profissão, uma paixão forte tanto pelo cinema quanto pela vida, mas bastava ele ter feito “Jules et Jim” para entrar na lista, mas desde já todos os seus filmes merecem a devida atenção e apreço por nós “cinefólogos”, que ao assistirmos estes filmes sempre teremos novidades a descobrir e encantos a viver.

Filmografia de François Truffaut

  • Une Visite (Uma Visita) – 1955.
  • Lês Mistons (Os Pivetes) – 1957.
  • Une Histoire D’Eau – 1958.
  • Lês 400 coups (Os Incompreendidos) – 1959.
  • Tirez sur le (Atirem no Pianista) – 1960.
  • Jules et Jim (Jules e Jim – Uma Mulher para Dois) – 1962.
  • Antoine et Colette – L’amour à 20 ans (O amor aos vinte anos) – 1962.
  • La peacu douce (Um só Pecado) – 1964.
  • Fahrenheit 451 – 1966.
  • La mariée était en noir (A Noiva Estava de Preto) – 1968.
  • Baisers volés (Beijos Proibidos) – 1968.
  • La sirene du Mississipi (A sereia do Mississipi) – 1969.
  • L’enfant sauvage (O Garoto Selvagem) – 1970.
  • Domicile conjugal (Domicílio Conjugal) – 1970.
  • Les Deux Anglaises et le Continent (Duas Inglesas e o Amor) – 1971.
  • Une Belle Fille Comme Moi (Uma Jovem Tão Bela Como Eu) – 1972.
  • La muit américaine (A Noite Americana) – 1973.
  • L’histoire d’Adèle H. (A História de Adèle H.) – 1975.
  • L’argent de poche (Na Idade da Inocência) – 1976.
  • L’homme aqui aimait les Femmes (O homem Que Amava as Mulheres) – 1977.
  • La chambre verte (O Quarto Verde) – 1978.
  • L’amour en fuite (Amor em Fuga) – 1979.
  • Lê dernier métro (O Último Metrô) – 1980.
  • La femme d’à Cote (A Mulher do Lado) – 1981.
  • Vivement Dimanche! (De Repente, Num Domingo) – 1983.

Em destaque sua obra mais do que obrigatória, que demonstra um verdadeiro consentimento em sentido de arte e dramatização, assim como cinema e entretenimento também. A até a próxima postagem!

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro, um dos organizadores do Ilhota Rock Festival e autor de vários artigos publicados no blog Ilhota Rock sua coluna pode ser acessada pelo link https://ilhotarockfestival.wordpress.com/category/coluna-do-naga/.

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