O cinema e a abordagem política de Alan Pakula


Alan J. PakulaEntre os variados tipos de filmes e dos cineastas que os fazem, sempre temos espaço para diversos temas que circulam pelo mundo, causas raciais, temas românticos, ação, conspiração, temas políticos, e muitos outros que afloram esta lista que de tão imensa se faz necessária, tanto para estudo quanto para entretenimento. O que podemos citar como sendo algo até de certa forma nostálgico, são os filmes policiais dos anos 70, onde vários diretores da época faziam filmes relacionados a temas políticos e thrillers de conspiração, tudo girando em torno da trama, que era o principal protagonista dos filmes, o roteiro e sua capacidade de amarrar a atenção do espectador com a trama decorrida.

Alan J. PakulaEntre estes cineastas, citamos um de maior importância, que levou seus filmes através da variação de temas até a certa glorificação como diretor. Alan J. Pakula, que começou como produtor de filmes e depois veio a dirigir alguns dos maiores expoentes do cinema dos anos 70, e que de certa forma moldou o cinema americano pelos filmes com alcunha política e conspiratórios, diversificando do habitual clima “Noir” de filmes policiais dos anos 40 até os 60, fazendo filmes atuais para a época com contexto político e tramas bem elaboradas, assim foi também com outros cineastas do mesmo tempo como Sidney Lumet com seu “12 Homens e Uma Sentença”, “Serpico” e “Um Dia de Cão” e com Sydney Pollack em “Três Dias do Condor”. Um de seus primeiros filmes já revelava sua capacidade em desenvolver filmes com enredos de suspense, em “Klute – O Passado Condena”, de 1971 com Donald Shutterland e Jane Fonda, filme policial que levou a atriz filha de Henry Fonda a seu primeiro Oscar de atriz, o filme com história simples e pouca surpresa fez seu devido sucesso e levou Pakula a melhorar seu desempenho como o diretor que seria. Em  “A Trama” de 1974 com  Warren Beatty (o Dick Tracy do cinema) consolidou já como diretor de filmes conspiratórios com enredos focados no cenário político. O filme demonstra já o que seria a vertente do cineasta em focar o filme todo na força do roteiro e na interpretação dos atores, o que foi provado em seguida com “Todos os Homens do Presidente”Cena do filme Todos os Homens do Presidente de Pakula de 1976, filme que relata a história dos jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, sendo interpretados respectivamente por Robert Redford e Dustin Hoffman, onde Redfordo também fica creditado como sendo diretor junto a Pakula. O filme narra a trajetória que os dois jornalistas fizeram para chegar ao desdobramento do caso Watergate durante o governo do presidente Richard Nixon, a história real ganha sua parcela de quase documental pelo realismo exibido pelo diretor ao filme que gira todo em torno do enredo, sendo calmo e interessante ao mesmo tempo, um filme que se fez necessário pela responsabilidade política que foi o livro escrito por ambos os jornalistas que estiveram a frente do caso, o escândalo ganha proporções nítidas de acobertamento pela Casa Branca e nos surpreende que o filme fora lançado justamente na mesma época com o ocorrido, Nixon deixou o governo em 1974 acusado pelo escândalo do Hotel e por desvios de dinheiro de campanha, seus homens foram condenados e presos e apenas Nixon não cumpriu pena pelo perdão concedido pelo residente Gerald Ford, pois seu nome não foi colocado e nem provado como envolvido nos fatos. O filme gerou prêmios para roteiro e grande aclamação ao diretor, revelando um filme intrigante e revelador sobre uma polêmica do governo americano.

Alan J. PakulaEm 1982 Alan J. Pakula faria seu filme mais bem recebido e repercutido sobre a indústria cinematográfica, o drama “A Escolha de Sofia”, que levou Meryl Streep ao Oscar e também revelou o primeiro papel de Kevin Kline no cinema, o drama é considerado um dos filmes mais belos já feitos, tanto pela atuação dos atores com da fotografia utilizada e foi outro marco na carreira do diretor, revelando sua força e capacidade de criação em diversos gêneros.

Ao seu modo de filmar, podemos citar a busca pelo realismo nas cenas, com planos simples e câmera parada, O Sol é Para Todos dirigido por Robert Mulligano cineasta nos leva sempre a entrar dentro do roteiro do filme, sem usar façanhas mirabolantes e efeitos, o que pode servir de exemplo a novos cineastas, pela capacidade e compromisso com o revelar da trama de seus filmes e o modo de apresentação das cenas. Pakula estudou em Yale, formou-se em interpretação e virou produtor, um de seus filmes produzidos mais famoso é “O Sol é Para Todos” dirigido por  Robert Mulligan, com Gregory Peck e baseado no livro de Harper Lee, o filme é até hoje um clássico do cinema, levando junto o nome de Pakula nos créditos, assim como também produziu quase todos os seus próprios filmes.

Inimigo ÍntimoDentro de sua trajetória ainda dirigiu Jeff Bridges em “Vejo Você Amanhã” um romance, Harrison Ford em “Acima de Qualquer Suspeita” baseado em um livro de John Grisham e marcando uma volta a seus temas conspiratórios e filmes policiais de suspense focado na trama, em 1993 dirigi “O Dossiê Pelicano” com Denzel Washington e Julia Roberts, e em 1997 viria seu último filme, voltando a trabalhar com Harrison Ford e cogitando um jovem Brad Pitt para “Inimigo Íntimo”, filme de grande sucesso que conta a história de um combatente da Irlanda membro do Exército Republicano Irlandês (do inglês, Irish Republican Army, IRA), que depois um atentado em Belfast na Irlanda foge para os EUA, para arranjar armamentos e se aloja na casa de um policial irlandês que mora em Nova York, feito pelo apoio de um membro compatriota da Irlanda que ajuda jovens nos Estados Unidos, o policial interpretado por Harrison Ford recebe o irlandês interpretado por Pitt como um membro de sua família e os dois criam laços de amizade e quase chegando perto de um relacionamento de pai e filho. Novamente através de planos simples e clima focado no roteiro do filme, Alan Pakula nos revela uma história interessante e emocionante, levantando temas como a profissão policial, a amizade, a guerrilha na Irlanda e a questão humana em torno de tudo. Consagrado como o último filme de Pakula, fica o registro de um bom filme, o cineasta viria a morrer em novembro de 1998 deixando uma obra extensa para contemplação e estudo de vida e arte cinematográfica.

Alan J. PakulaDas tramas políticas de seus filmes dos anos 70, dos romances feitos nos anos 80 e em seus filmes percussores dos anos 90, fica a real admiração por um cinema amplo e diversificado, com embasamento em enredos e tramas feitas para o apreço do espectador, que pode encontrar nos filmes de Pakula, retratos fiéis ao homem urbano e as desmistificações de seus vários comportamentos, seja em romances, ação, conspiração ou em qualquer gênero que se classifiquem suas escolhas cinematográficas, desde já foi um grande diretor que nos deixou em 1998, mas seus filmes estão aí, gerando até hoje repercussão e elogios de quem vem a redescobrir seu cinema.

Filmografia Alan Pakula

Em negrito seus maiores trabalhos na qual eu os recomendo e de maior repercussão, em especial cito “Todos os Homens do Presidente” como obrigatório a qualquer ser-humano que se preze por cinema e também pela vida! Até a próxima.

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro, um dos organizadores do Ilhota Rock Festival e autor de vários artigos publicados no blog Ilhota Rock sua coluna pode ser acessada pelo link https://ilhotarockfestival.wordpress.com/category/coluna-do-naga/.

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