A história do contrabaixo – Parte III


A História do Contrabaixo - Parte 3Som: A Segunda Parte Da Equação. A primeira parte da equação – a criação do Precision Bass – tornou-se realidade com a criação do Precision Bass. Era leve, fácil de tocar e tinha afinação precisa em virtude dos trastes. Faltava-lhe, entretanto, um item, ausente também no grande contrabaixo acústico: a sonoridade.

Entender a denominação dos primeiros contrabaixos é crucial para que se aprenda a identificar as diversas categorias que hoje existem em nosso mundo dos graves. Primeiramente, vamos dividir o instrumento nas categorias vertical e horizontal.

A História do Contrabaixo - Parte 3O contrabaixo acústico (Double Bass) é o primeiro exemplo (e o mais antigo) de um instrumento vertical. O outro instrumento na qual poderíamos denominar de vertical também é conhecido como Upright bass. A diferença é que este instrumento é eletrificado por um sistema de captação das sonoridades das cordas, não possuindo, portanto, uma caixa de ressonância similar ao seu irmão acústico. O Upright possui, entretanto, o mesmo tamanho da escala.

A seguir, vem a categoria na qual poderemos denominar de horizontal. Nosso baixo elétrico (electric bass) é o melhor exemplo que se pode indicar. Sem os sistemas de captação, o mesmo instrumento é chamado de baixo acústico (acoustic bass guitar). Na língua portuguesa não há expressão equivalente para o Upright, Para poder compreender esta nova revolução – uma máquina em que fosse possível amplificar o sinal – é preciso recuar no tempo, mais precisamente até os anos 30, quando os primeiros experimentos com amplificação tiveram início.

O tamanho do “gigante” já incomodava inúmeros observadores naquela época, muito por conta da sua baixa sonoridade – conforme vimos na matéria anterior. A primeira solução foi tentar reduzir o volume da caixa de ressonância acústica. A grande questão era que, se o contrabaixo acústico já possuía problemas de expansão sonora, uma eventual diminuição desta peça implicaria em inventar outra forma de expandir o sinal.

 

Os Primeiros Passos

Apesar de várias companhias na época terem elaborado diferentes soluções, a Regal Company, situada em Chicago foi uma das primeiras a destacar-se com seu modelo de Upright Bass (figura 1). Com o nome de Electrified Double bass, a propaganda alardeava que este equipamento era “o sonho de um baixista”. Pois era leve, portátil e tinha a mesma escala do gigante. Poderia ser tocado com arcos, dedos ou “slappado”, termo que era usado para a técnica de ragtime. O anúncio ainda mencionava um amplificador com altos falantes especiais, que poderiam reproduzir o verdadeiro som do contrabaixo.

A História do Contrabaixo - Parte 3A Regal foi uma das primeiras empresas a testar o conceito de equipamento de som (electric pick up). O instrumento tinha um knob de volume acoplado em seu corpo. O Upright da Regal teve um relativo sucesso de vendas limitando-se a Chicago, capital e outras cidades do interior de Illinois. Um dos modelos mais famosos foi construído pela Rickenbaker em 1936, desenhado por George Beauchamp. Denominado de Eletro-Bass-Violone, foi concebido uma única peça de metal, dotado de um captador magnético da própria marca (que tinha o carinhoso apelido de “pata de cavalo” – horse shoe – em virtude do seu tamanho). O interessante é que esta peça era acoplada diretamente no topo do amplificador (figura 2).

O som deste singular instrumento pode ser conferido em uma gravação realizada em 1929 pela Columbia Records com Henry Allen & His Orchestra, “Feeling Drowsy”. Talvez esta música não tenha se tornado um hit, mas os especialistas apontam que ela foi provavelmente à primeira gravação de um baixo com sinal amplificado.

Outro instrumento que, por seu ousado design, merece ser destacado é a Vegas Electric Bass (figura 3), construído em seis partes de madeira diferente. O braço e a escala possuíam tipos distintos de regulagem. Dois knobs (um de volume e outro de tonalidade) foram instalados do lado do braço do instrumento. O Vega ainda possuía um tripé para oferecer sustentação quando executado, com vários níveis de altura e uma escala apta a receber qualquer tipo de corda (as primeiras de contrabaixo acústico eram feitas de tripa de carneiro, passando posteriormente a ser fabricada de metal).

O equipamento ainda vinha com um amplificador de 18 watts que tinha uma borracha especial para evitar vibrações originadas de freqüências mais graves.

 

O Pioneiro Tutmarc

Em 1941, os Estados Unidos estavam na segunda guerra mundial. Por esse motivo, todas as pesquisas e o desenvolvimento de novos instrumentos ficaram momentaneamente paralisados em virtude disso. Aconteceu então a grande volta do contrabaixo acústico – é bom lembrar que estamos tratando da origem do sinal amplificado. Leo Fender concedeu o Precision Bass em 1951 como um instrumento que dependia de um sistema de amplificação para expandir o envio de sinal.

A História do Contrabaixo - Parte 3Então, no começo dos anos 30, um guitarrista chamado Paul H. Tutmarc construiu um Upright vertical com captador magnético em sua empresa, a Audiovox Manufacturing, localizada em Seattle. Embora esse instrumento nunca tenha sido produzido em escala industrial, representou um importante passo para o projeto ainda mais radical. Em 1935, Tutmarc teve uma brilhante idéia: construir algo mais leve, que pudesse substituir o Upright construído anteriormente. “Por que não construir um pequeno baixo elétrico que pudesse ser tocado de forma horizontal, como uma guitarra?”, raciocinou o guitarrista. Este conceito tornou-se realidade por meio de um modelo Audivox 736 Electronic Bass (figura 4).

Tratava-se de um instrumento com corpo sólido, trasteado, quatro cordas e equipado com um captador magnético, capaz de gerar som sem o auxílio de um amplificador independente. Ele tinha ainda um escudo feito de plástico e ponte de metal. A madeira usada era a mesma da produção do Upright. Seu preço: US$65. Os historiadores estimam que por volta de 100 modelos similares fossem fabricados, sendo a sua aceitação delimitada a área de Seattle. E ai surge uma grande questão: Leo Fender sabia da existência do Audiovox 736 antes de iniciar a construção do seu lendário Precision?

Em um artigo publicado na Vintage Guitar Magazine, John Teagle especula sobre este fato com Richard R. Smith, autor do livro Fender: The Sound Heard’s Round the World. Smith fez muitas entrevistas com Leo Fender e, em nenhuma delas, o lendário inventor referiu-se ao projeto Audiovox. O próprio Teagle afirma: “Em nenhum momento, Leo mencionou esse instrumento. Ele e Don (Don Randall – sócio de Leo na Fender Company) tinham conhecimento do Rickenbaker Electro e do Gibson Mando Bass. Estou convencido que tais invenções ocorreram em uma linha quase paralela de evolução, em épocas diferentes da história. O Audiovox era uma boa idéia, mas muito avançado para a época”.

O sinal do Precision Bass precisava ser amplificado a partir do início do ano de 1952, quando os primeiros modelos saíram da fábrica. Assim Fender também criou um artefato na qual pudesse amplificar o sinal.

Trata-se de um amplificador Fender Bassman, especialmente desenhado para amplificar o som do contrabaixo. Ele possuía um alto-falante Jensen de 15 polegadas e 26 w de potência. Infelizmente, pouquíssimas pessoas tiveram a honra de ouvir um Precision Bass plugado em uma máquina dessas. O designer Rich Lasner foi um desses iluminados. “Toquei em um Precision acoplado em um Bassman com médio volume e fiquei prestando muita atenção ao que ouvia. Era realmente um som de contrabaixo acústico.

A segunda parte da equação estava resolvida!

 

Fonte: Escrito por Nilton Wood, da redação TDM. Nilton Wood, professor de baixo elétrico da EM&T, conta a história do instrumento musical desde os seus primórdios.

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