O cinema de Martin Scorsese


Martin ScorseseSe existe ocasião para termos feito esta sessão de diretores de cinema, um dos motivos foi para falarmos justamente deste diretor americano, um dos maiores ainda vivos e ativos, com obras relevantes e consagradas já feitas e com ainda muitas à caminho. Scorsese representa em grande parte a herança deixada por vários cineastas que fizeram parte da história, como o grande admirador que é, o cineasta americano sempre traz o legado dos filmes antigos e dos diretores mais apreciados do começo do século passado. Indo de Frank Capra a Orson Welles, Buster Keaton a Hitchcock, Rossellini a Truffaut, sempre pegando o melhor do cinema de outros e colocando pitadas nos seus próprios filmes.

Mas longe de ser um copiador, Martin Scorsese vai além, faz da influência arte concisa, promovendo além de uma homenagem aos grandes clássicos, filmes diferentes, autorais, e originais, com temas que variam e comovem, sempre partindo de um ponto interessante.

Martin ScorseseFilho de pais italianos que moravam nos EUA em Nova York, Scorsese sempre foi recluso, garoto doente, incapacitado de praticar esportes e exercícios físicos, sua referência de infância sempre foi a televisão, com os programas da época de 50 e os filmes que sempre chamaram sua atenção. Entra para a Universidade de cinema de Nova York e ao se formar já começa a desempenhar a função de diretor, junto ao amigo Mardik Martin faz seu primeiro longa, “Quem bate à sua porta”, tendo como protagonista seu amigo também de estudos Harvey Keitel, o filme serviu mais como experiência a Scorsese e foi concluído muito tempo depois de sua filmagem. Chegou a dar aulas no curso de cinema, onde ao chegar as aulas de manhã sempre falava sobre os filmes que havia visto no outro dia à noite, fato que nem chegava a dormir virando a noite assistindo a filmes, isto contado por um de seus alunos na época Oliver Stone.

Seu primeiro filme de repercussão foi “Caminhos Perigosos”, que já denominava um certo domínio de seu cinema, e também já marca o estilo próprio Scorsesiano, as ruas, a máfia, música, e Robert De Niro. O ator já concluiu diversas parcerias com o diretor, o resultado delas foram 1 Oscar, várias indicações, e uma amizade entendida pelos anos. Em 1976 Scorsese faria o que seria seu filme mais transgressor, e o que de fato lançou ele de vez no mundo cinematográfico, um soco no estômago da academia de cinema com “Taxi Driver”, com roteiro de Paul Schrader e colaborações de Harvey Keitel, Cybil Shepeherd, Albert Brooks, Peter Boyle, além de De Niro e uma jovem Jodie Foster, com música de Bernard Herman, o mesmo criador das músicas de Psicose e dos filmes de Hitchcock, construiu-se uma obra de grande magnitude. De Niro já vinha de seu primeiro Oscar com Poderoso Chefão parte 2, e Scorsese ganha seu nome elevado pela academia.

Ainda junto com De Niro, faz “Touro Indomável”, onde já conta com a colaboração de outro ator que vira figura conhecida em seus filmes, Joe Pesci, na história do boxeador Jake La Mota, o filme rendeu Oscar para a equipe, para De Niro, e Scorsese ganha apenas a indicação, e dos seus filmes mais brilhantes, em fotografia preto e branco e com cenas mais do que memoráveis. O diretor sempre colaborava em seus roteiros, fazendo na maioria das vezes histórias referente a biografias, durante um bom tempo investiu em um projeto pessoal sobre a história de Cristo em “A última tentação de Cristo”, com Willem Dafoe no papel principal fazendo uma remontagem da figura de Jesus, o filme foi mal aceito por intervenção da igreja, antes do filme Scorsese estava desiludido com a falta de domínio que teve sobre “Touro Indomável” retomou o cinema com um filme pequeno e simples, “Depois de horas”, filme pouco repercutido com participações de Rosana Arquete, Chech & Chong, e com Griffin Dunn, que depois viraria diretor também, o filme marcou sua paixão e volta de vez ao cinema o levando a dirigir o atribulado trabalho sobre Cristo.

Martin ScorseseEm sua retomada Scorsese prepara seu filme mais aclamado pelos fanáticos de seu cinema, em colaboração com o jornalista Nicholas Pileggi, faz “Os Bons Companheiros”, uma história sobre a máfia contando com a participação de De Niro, Joe Pesci, Paul Sorvino e Ray Liota, tratando sobre a história real de mafiosos que eram relatados no livro de Pileggi “O homem da máfia”, tudo de acordo com depoimentos e entrevistas de mafioso que existiram. O filme rendeu indicações e Scorsese perde para o estreante em direção Kevin Costner por “Dança com Lobos”.

O forte de seu trabalho sempre foi na direção dos atores, muitos que trabalharam sobre a regência do cineasta confirmam sua boa performance para com o trabalho da atuação, Sharon Stone se emociona ao falar sobre o diretor quando atuou em Cassino, único filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, filme também com colaboração de Pileggi sobre um livro de sua autoria, com De Niro e Pesci novamente. Antes deste o diretor havia retomado um personagem do cinema antigo para montar um novo filme, “A cor do dinheiro”, chamando Paul Newman a interpretar o personagem Fast Eddie, o jogador de sinuca trapaceiro que fez sucesso no filme “Desafio a corrupção” tempos atrás, além de Newman o filme conta com a presença de um ator da nova geração de galãs assim como Newman havia sido, o ator era Tom Cruise, em boa atuação.

Entre seus trabalhos mais recentes, Scorsese ganhou o vigor de poder fazer os filmes que quer, produzindo-os e obtendo direito máximo sobre a construção das obras, caso de “Gangues de Nova York”, onde junto a Leonardo DiCaprio, ficou encarregado de dar o gancho financeiro que o filme precisava, chamando o Irlandês Daniel Day-Lewis, que já havia participado de outro filme seu “A época de inocência”, para atuar como Bill o açougueiro, uma forte atuação com indicação a Day-Lewis.

Martin Scorsese e Robert DeNiroSeguiram-se “O aviador” com DiCaprio sobre a história de Howard Hughes, “Os infiltrados” que marcou a conquista de seu tão esperado Oscar por direção, o documentário “No direction Home” sobre Bobo Dylan, e seu último “Ilha do Medo”, que marca um filme em homenagem ao clima dos filmes Noir da década de 60 e também uma semelhança ao seu remake de ”Cabo do Medo”, filme que fez em 92 com De Niro, Nick Nolte, Jessica Lange e Juliet Lewis, onde Niro mas uma vez ficou marcado pelo personagem Max Cady, preso que ao sair da prisão planeja uma vingança contra seu advogado.

Entre todos os seus filmes , Scorsese sempre se utilizou da música como uma segunda protagonista do filme, fato que começa desde “Caminhos Perigosos”, com várias baladas da época no longa além da música clássica, e Rolling Stones, quase sempre presente em sua filmografia. Em “Touro Indomável” a ópera italiana ganha vigor pela obra e em “Os Bons Companheiros” chega ao máximo, com diversas músicas ao longo da projeção do filme assim como em “Cassino”, indo do blues ao rock, clássico, jazz, e até bossa nova em “A cor do dinheiro”.

A imagem da cidade de Nova York também sempre foi uma personagem de seus filmes, onde a maioria deles foi filmada.

Várias cenas são memoráveis em seus filmes, como a chegada de De Niro no bar em “Caminhos Perigosos” onde ouve-se a música Jump’n jack Flash dos Rolling Stones, a sequência de entrada do ringue de De Niro em “Touro Indomável”, a parte que Ray Liota entra a casa de shows pelos fundos em “Os bons Companheiros” junto a cena de apresentação da organização mafiosa no mesmo filme, e em vários outros como em “Cassino” na demonstração do esquema de segurança do local, e a mais recente a cena de execução em um campo nazista feita por americanos contra os alemães em “Ilha do Medo”, todas remetidas a Thelma Schonmaker, sua colaboradora em montagem na maioria de seus filmes.

Martin Scorsese e DiCaprioEntre os atores que trabalharam com Scorsese, todos sempre são indicados a prêmios, Leonardo DiCaprio, Daniel Day-Lewis, Joe Pesci, Juliet Lewis, Sharon Stone, Winona Ryder, Michele Pfeifer, Williem Dafoe, Cate Blanchet, Mark Whalberg, e além de indicações sempre teve as ótimas atuações dos astros que vem a trabalhar junto dele, uma das mais atuais e exemplares é o vigor da atuação de Jack Nicholson em “Os infiltrados”, que foi oferecida primeiramente a Robert De Niro, que rejeitou por estar ocupado na direção de seu filme “O Bom Pastor”.

Ao longo da carreira Scorsese sempre ficou conhecido pela direção que fez em documentários, tais como o mais famoso de sua carreira “The Last Waltz” sobre o último show do The Band, com várias participações de Neil Diamond, Joni Mitchel, Neil Young, Bob Dylan, Muddy Waters, e junto a imagens de fora do local do show e com entrevistas da banda. Outros documentários mostram o lado das influências de Scorsese sobre o cinema, americano e depois italiano, onde explora seu gosto pelo trabalho de pessoas como John Ford, Rosselini, Fellini, Hitchcock, Capra, Vittorio de Sica, Viscontti, Antonioni, e vários.

Fez parte da nova geração de diretores que apareceram na década final dos anos 60, junto com George Lucas, Coppola, Woody Allen, Brian de Palma, Spielberg, entre outros e exerceu sempre a influência de vários filmes que o marcaram eternamente até os dias de hoje.

Martin ScorseseFaz parte de uma associação que fazem recuperações de filmes antigos entre eles alguns do brasileiro Glauber Rocha, do qual é admirador, e ainda tem em sua lista para dirigir futuramente, a vida do presidente Roosevelt, um documentário sobre o beatle Geroge Harrison, além de vários outros projetos.

Eu que justamente venho escrevendo estas matérias sobre diretores de cinema as sextas, confesso meu gosto particular pelo cinema de Scorsese, sendo ele o percusor que me fez apreciar a sétima arte com um olhar diferente, e faço das influências dele, o meu gosto por vários outros diretores, muitos já comentados por aqui no blog também. Scorsese possui já seus 70 anos de idade, mas continua ativo como nunca e podemos aguardar ainda diversas obras de autoria do diretor Italoamericano, que nos fornece grandes obras primas em relação ao cinema em geral.

Filmografia de Scorsese

Filmes:

1968 – Who’s that knocking at my door (Quem bate à minha porta).

1972 – Boxcar Bertha (Sexy e Marginal).

1973 – Mean Street (Caminhos Perigosos).

1974 – Alice doesn’t live here anymore (Alice não mora mais aqui).

1976 – Táxi Driver.

1977 – New York, New York.

1980 – Raging Bull (Touro Indomável).

1983 – The King of Comedy (O rei da comédia).

1985 – After Hours (Depois de Horas).

1986 – The coloro of the money (A cor do dinheiro).

1988 – The Last Temptation of Christ (A última tentação de Cristo).

1990 – Goodfellas (Os Bons Companheiros).

1991 – Cape Fear (Cabo do Medo).

1993 – The age of Innocence (A época da inocência).

1995 – Casino (Cassino).

1997 – Kundum.

1999 – Bringing out the Dead (Vivendo no limite).

2002 – Gangs of New York (Gangues de Nova York).

2004 – The Aviator (O Aviador).

2006 – The departed (Os Infiltrados).

2010 – Shutter Island – Ilha do medo.

Documentários:

1970 – Street Scenes.

1974 – Italianamerican.

1978 – The Last Waltz.

1978 – American Boy: A profile of Steven Prince.

1995 – A personal Journey with Scorsese Through American Movies.

1999 – My Voyage to Italy.

2003 – Feel Like Going Home- The Blues.

2005 – No direction Home – Bob Dylan.

2007 – Martin Scorsese Presents: Val Lewton – The man in the Shadows.

2008 – Shine a Light – Rolling Stones.

Em negrito seus maiores trabalhos na qual eu os recomendo! Até a próxima.

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro, um dos organizadores do Ilhota Rock Festival e autor de vários artigos publicados no blog Ilhota Rock sua coluna pode ser acessada pelo link https://ilhotarockfestival.wordpress.com/category/coluna-do-naga/.

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