Velhas Virgens também amam


Velhas Virgens também amamA banda, conhecida por seu rock pornográfico, revela seu lado romântico e familiar.

A banda paulistana Velhas Virgens fala de amor. Por trás de músicas como “Só pra te comer”, “Abre essas pernas”, “Blues do Velcro” e “Eu Tô Aí Neste Bundão” também batem corações apaixonados. Durante mais de uma hora e meia de conversa, regada a chopp, risadas e devaneios em um bar no centro de São Paulo, a banda formada por Paulão Carvalho (voz e gaita), Tuca Paiva (baixo), Alexandre “Cavalo” Dias (guitarra e voz), Roy Carlini (guitarra, lap steel e voz), Simow Brow (bateria), Juliana Kosso (voz e performances) mostrou um lado que poucos imaginam. O vocalista se define de cara: “Eu sou romântico”. Para quem já ouviu alguma das mais de cem músicas do grupo a frase soa estranha. Letras como “Abre essas pernas e deixa eu entrar/Abre essas pernas pra mim/Que papo é esse de emoção?/Eu tô falando é de vai e vem”, escondem caras sensíveis.

A banda independente, que completou 23 anos de estrada e lançou em 2009 o CD Ninguém beija como as lésbicas, falou de romantismo, homossexualidade e machismo, boemia, família e escancarou seu coração nesta entrevista:

Como vocês definem a música de vocês?

Paulão A gente toca rock’n’roll; a gente tem uma vontade danada de tocar blues, mas para isso é preciso ter um pouco mais de paciência, e a gente não tem.

Cavalo Acabamos virando para esse lado mais Ramones, mais pesado. E dentro desse rock a gente é meio cronista da noite, vemos e contamos histórias; até vivenciamos, às vezes.

E a letras, de onde vem?

Cavalo Do machismo, nas conversas de bar, um pouco do que a gente vê…

Paulão As letras são assim: um pouco do que nós vivemos, um pouco do que ouvimos e um pouco do que vemos. Nada é totalmente factual. Tem uma música que se chama “Homem lindo” que é uma coisa que aconteceu comigo. Lá na Love Story (casa noturna, famoso reduto de prostituição de SP), uma loira maravilhosa me pediu pra levá-la ao banheiro, e meus amigos falando “É traveco”, e eu olhava pra ver se tinha alguma coisa, se tinha barba. Levei ela até o banheiro feminino, voltei, e isso virou uma música. Mas, é óbvio que a gente dá umas fantasiadas aqui e ali, eu disse que meti a mão embaixo…

Vocês estão há quase 24 anos na estrada, e a temática é sempre a mesma…

Paulão Eu acho que a gente vai insistindo no tema. E o tema é atemporal, porque é boemia, é amor: virtual, sexual, físico ou não, balada. E isso vai ser eterno. Algumas pessoas acham que estar discutindo a política do Lula de agora, e do Fernando Henrique (Cardoso) de antes, é que é ser muito engajado. Eu acho que você está sendo engajado quando quer discutir o procedimento dos seres humanos, e com isso você acaba discutindo a vida de todo mundo.

Cavalo O que a gente fala basicamente é sobre liberdade, a gente aborda muito isso em todos os sentidos. E hoje, falar de liberdade é super transgressor, porque está tudo sendo proibido.

Paulão E está sendo proibido com uma anuência do povo.

Cavalo É! Esá todo mundo querendo ser proibido.

“Eu acho que você está sendo engajado quando quer discutir o procedimento dos seres humanos, e com isso você acaba discutindo a vida de todo mundo”

Velhas VirgensA interpretação do público colabora para o rótulo de ‘rock pornográfico’?

Paulão É um rock sexista, não há dúvidas. O pornográfico fica por conta dessa sociedade, que fala que o sexo tem que ser proibido. Tem uma evangelização de tudo que acontece, tem gente que com essa história da Sandy fala: “Ah! Tem que casar virgem.”. As pessoas ficam vendendo esse estereótipo de pureza física, que nada tem a ver com a pureza espiritual. É um babaca, o cara que falou isso: “porque a boca do homem e da mulher só foram feitas para beijar a pessoa que ama”. Se você beijar só uma pessoa na vida, como é que vai saber se beija bem? Essa história de meter: tem que meter pra aprender! É como andar de bicicleta, você vai andar de bicicleta só uma vez na vida, se andou, andou, caiu se ferrou (risos)? Na vida, só faz melhor quem já fez.

Vocês são assediados?

Cavalo A Juju (Juliana Kosso) tem mais assédio das mulheres.

Paulão As mulheres têm caído matando.

Cavalo E assim, mulher, é 14, 15 anos.

Paulão Hétero hoje está fora de moda, o sexo hoje é bissexual. Eu me sinto fora de moda. Mas, já que é para experimentar… Vamos ser pansexuais. Experimentar árvore, cachorro… O equipamento está todo ali, por que não? Pega mulher, pega homem, pega o que tem vontade de pegar. Outro eu tava em um mercado com uma camisa cor de rosa, a minha bolsa masculina e uma tiara, e eu tava andando e olhei pra mim e pensei: puta! Que bichona! (risos) Eu não tenho esses preconceitos, e eu tenho 44 anos… Eu acho que coisa de viado é chupar rola, beijar macho e dar o cú. O resto não é coisa de viado.

A música de vocês seduz?

Paulão O blues seduz. O rock’n’roll é mais viril, uma coisa do ato físico. Mas, como nós falamos abertamente sobre sexo, acho que leva as pessoas a pensarem na história toda. E as mocinhas vão pra frente do palco se beijar muitas vezes.

Cavalo É como se fosse uma Zona Autônoma Temporária, naquele pedaço: vale tudo. E às vezes vai segurança separar, e a gente tem que pedir pro segurança deixar.

Paulão Tem gente que curte samba, mas fala “Eu gosto do show de vocês porque é uma putaria do caralho, e é meio que uma libertação.”. E acho que isso só tem uma explicação: tem pouca gente falando de liberdade, como o Cavalo falou. Todos os artistas estão muito distantes e viajantes, e a gente continua falando desse negócio de se encontrar de seduzir mesmo. Talvez seja até um negócio fora de moda pra quem está com 44 anos, minha mulher tá grávida, mas eu continuo pensando em sexo todo tempo.

Cavalo O lance da Virada (Cultural), é uma estatística disso, as pessoas querem sair pra rua, se divertir. São Paulo está virando uma cidade-dormitório, a pessoa vai pro trabalho, volta pra casa… Isso é uma coisa muito perigosa, as pessoas ficam muitos manipuláveis. E elas estão coniventes com isso.

No prefácio da história em quadrinhos As eletrizantes e etílicas aventuras do Velhas Virgens, Paulão fala que era um nerd triste, sem expectativas ‘mulherísticas’. Isso mudou com a banda?

Paulão Com a cerveja e com a banda (risos). Nessa ordem. O Cavalo, a mesma coisa, outro derrotado. Sabe por quê? Eu vou fazer uma apologia ao álcool aqui, mas… a bebida já me trouxe alguns problemas, mas muitas soluções. Especialmente na adolescência. A única coisa que eu fazia melhor do que os outros era beber; porque eu já bebia há muito tempo. Com 14, 15 anos eu ia pro bar com a galera e eles falavam “Quem trouxe esse idiota pra encher o saco?”. E eu ia bebendo e os caras falavam “O cara é bão, hein?”. Acho que esse tipo de experiência, de começar a ser um pouco mais respeitado por causa da bebida, me fez prestar mais atenção nos relatos sobre ela, sobre o quanto ela me liberava pra eventualmente me aproximar do sexo oposto, e acho que isso acabou desaguando nas letras. A maioria é minha, e falam ou de experiências que me aconteceram ou de coisas que o álcool acaba liberando. Na verdade, eu acho que a cerveja é o KY (lubrificante) da vida. Ela diminui o atrito entre o fértil e a vida real. No fim das contas a gente montou uma banda para comer mulher e beber de graça.

Cavalo Acho que todo mundo monta uma banda para isso (risos).

“Quem faz as baladas românticas da banda é o Cavalo. É o que ele quer, não é o que ele é. Eu falo as putarias todas, mas no final das contas acabo ouvindo ‘Ainda ontem chorei de saudade…’”

Velhas VirgensVocês se consideram românticos?

Cavalo Olha, eu acho que esse aqui é romântico (aponta para o Paulão). Ele é muito romântico.

Paulão Geralmente, quando você pega a obra de um artista – pressupondo que eu seja um – o que o cara escreve é o que ele quer, mas não o que ele é. Então, vou fazer um comparativo: sempre quem faz as baladas românticas da banda é o Cavalo. É o que ele quer, não é o que ele é. Eu falo as putarias todas, mas no final das contas acabo ouvindo “Ainda ontem / chorei de saudade…”. Eu gosto de música romântica pra caralho! Tenho uns vinis que meu irmão ia jogar fora do Ray Conniff e eu falei “Me dá!”, e ele “Não acredito”; eu: “Não vamos falar sobre isso.”. Porque para você olhar objetivamente pra vida, você tem que entender esse “eu romântico” das pessoas. Tem uma fase da sua vida que você quer consumir tudo, mas chega a hora que você quer amarrar o burro em algum canto, nem que seja um namorado ou uma namorada fixa pra você poder chifrar.

Cavalo Olha! Que malcriado…

Paulão Não estou dizendo que eu faço isso, eu estou dizendo que eu leio isso. Eu sou discípulo de Adoniran Barbosa. Eu presto atenção e faço as matérias, não sou agente delas.

Cavalo É isso que as pessoas tem que prestar atenção. Não é exatamente o que nós pensamos, é outra coisa… Quando a gente faz letras machistas, não estamos expressando uma opinião, e sim contando o que acontece. Machismo existe no Brasil, e é sério, um problema social. Nós estamos mostrando isso, cutucando a ferida.

“Quando a gente faz letras machistas, não estamos expressando uma opinião, e sim contando o que acontece. Machismo existe no Brasil, e é sério, um problema social. Nós estamos mostrando isso, cutucando a ferida”

Velhas VirgensTodos vocês são casados?

Cavalo Quem não é casado, é separado. O Roy é o único solteiro.

Paulão Aliás, o fato de ele não estar aqui comprova a solterice dele. Porque ele tinha que estar as 9h na rádio, e não foi. A gente saiu da Virada Cultural 6 horas da manhã… Três dias depois ele apareceu.

Cavalo O Tuca deu trabalho… Ele não lembra, mas deu sim.

Paulão Ele entrou na banda solteiro, namorou, casou, separou. Eu já fui casado uma vez, separei, fiquei um tempo sozinho. Estou casado com a minha segunda esposa faz uns 3 anos e ela tá grávida, inclusive.

Cavalo Eu estou casado há sete anos, tenho um filho. O Tuca é separado, mas ficou dez anos casado.

Simow Quase 10 anos casado, tem uma filha.

Paulão É que no final das contas você sai do show e se você não consegue lidar bem com isso você não consegue tocar em uma banda independente, ai você vira o Samuel Rosa, toca todo o tempo… Ele não (aponta para o Tuca): ele é advogado, se não está trampando, está levando a filha dele na escola. O Cavalo também, está com dois, três trampos; eu também. O Roy vai estar dormindo até as duas e meia da tarde, ele é o mais novo da banda, está com 22 anos.

E na época de namoro, vocês tinham apelidinho, andavam de mãos dadas?

Cavalo Se você não faz isso a mulher vai embora, né!? (risos)

Simow Eu faço!

Tuca Eu fazia!

Paulão Faria e faço ainda. Essa história de subir no palco tem que ter uma compreensão… A gente às vezes faz uma ação que é o flashmob do show, chamamos a galera pra tomar chopp com a gente depois do show. Para o público saber, na hora do show é uma coisa, depois é vida normal. E isso se aplica a vida sentimental da gente… Ontem eu estava assistindo Johnny Cash no Johnny and June, e o cara era apaixonado pela mulher com quem ele cantava, pedia em casamento quinhentas vezes até ela aceitar. Parece eu com a Dedé, eu sou o vocalista do Velhas Virgens, quem é que quer casar com esse lixo? Você pode passar uma noite comigo, mas passar a vida? “Esse cara vomitando e falando putaria na minha orelha…” Mal sabem elas que em casa é chazinho na cama, e todo esse romantismo. Agora, só quem pode saber disso é minha mulher (risos).

Cavalo Faz a diferença! Elas também tem cuidado com a gente, acho importante retribuir.

Vocês escreveram a música “Amor é outra coisa”, onde vocês falam tudo que o amor não é. O que é amor?

Paulão e Cavalo É outra coisa!

Paulão Não se define. Essa história de definir com palavras. Deve ter um monte de poeta que conseguiu definir bem, mas é um sentimento. Você até pode conseguir transformar em palavras, mas não fique tentando adequar o que você sente a palavras e fórmulas. O amor que o Tuca enxerga, que você enxerga, provavelmente é diferente do meu.

Cavalo Mas tem um tipo de amor que só começamos a enxergar depois que somos pais. É o amor altruista, por completo, você se anula um pouco para o moleque viver.

Paulão Defina você o seu amor. É meio óbvio. Porque, o que é pra mim não é tão óbvio.

Quem faz música de amor hoje?

Paulão Acho que hoje não tem muita gente fazendo, não!

Cavalo Por muito tempo foi o Roberto (Carlos).

Paulão Hoje em dia ele perdeu um pouco a mão. A mulher dele morreu, ele fez uma chata pra caramba. E do Tim Maia, são muito boas.

Cavalo O que pode parecer de amor, mas tem muito pouco é sertanejo universitário, sertanejo comum…

Paulão Mas por exemplo, se você ouvir João Mineiro e Marciano, você vai ouvir…

Cavalo É outro planeta que estou criticando.

Paulão Na verdade, você se inspira mais quando você se fode. As melhores músicas de amor, são de amor perdido.

Cavalo Dizem que a felicidade nunca fez boa poesia.

Paulão É verdade! Acho que o Chico Buarque tem músicas romanticas boas também, Nelson Gonçalves…

Cavalo Amado Batista, Inezita Barroso.

Paulão Acho que no passado se fazia música romântica melhor do que se faz hoje. Hoje as pessoas esqueceram um pouco do romantismo. O rock é saudosista também.

Cavalo O romantismo é meio raso. Pode ver que são duas ou três palavras que tem que ter na música, amor, apaixonado, coração… É um cartilhinha.

Paulão Elton John faz boas músicas de amor, e músicas de amor homossexuais, né?

“O romantismo (hoje em dia) é meio raso. Pode ver que são duas ou três palavras que tem que ter na música: amor, apaixonado, coração… É um cartilhinha”

Velhas VirgensE se cada um escolher uma?

Cavalo Eu escolheria “Emoções”, do Roberto (Carlos).

Tuca “Café da Manhã”, do Roberto.

Paulão Vou citar uma do Tim Maia, que é assim “Toda vez que eu olho/ Toda vez que eu chamo/ Toda vez que eu penso/ Em lhe dar o meu amor” Eu estava na barca de Salvador para Ilha de Itaparica com a Dedé, a gente tinha separado, por seis meses, e voltou, e a gente entrou na barca, eu comprei umas brejas, e ela tirou uma foto… Eu bebado, ouvindo Tim Maia. É um momento que eu não vou esquecer nunca, que eu sonhei passar com ela. Mas tem “Woman” do John Lennon com o Ozzy Osbourne cantando, que é mais bonita ainda. Eu choro quando ouço.

Simow Tem uma do Tim Maia também, que é “Me dê motivo”.

Tuca Marvin Gaye…

Paulão Mas peraí, no clube dos cornos também tem uma sensacional: Lindomar Castilho, “Não fale o nome dela, perto de mim/ Não fale porque senão eu bebo de novo…”

O que vocês gostam de ouvir na hora do sexo?

Paulão Eu não penso muito em trilha sonora nessa hora, não. Para dar um clima?

Cavalo O que minha mulher gosta! Ela coloca umas baladas do Marvin Gaye.

Paulão Toca Oswaldo Montenegro na sua casa?

Cavalo Não! Esse é o único “senão” (risos). Tem uma banda muito legal, que marcou, chama-se Happy Mondays, o disco Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches.

Simow Ai, meu deus! Que coisa horrosa.

Cavalo Eu tenho uma música que ninguém vai vetar, é uma música muito foda, que toda vez que eu ouço o pau fica duro. Eu sonhava em perder a virgindade com essa música. É do Steve Vai, chama “For love of God”.

Paulão Nossa! Como você é feminino, estava idealizando ouvir esse som, nesse dia? Uma vez eu armei para transar com a Dedé, nós tinhamos brigado e a gente ia voltar, e  um cara morava comigo, e eu expulsei ele de casa e chamei ela, e coloquei Roberto Carlos: “Ah! Eu vim aqui amor, só pra me despedir…”. Eu queria reatar romanticamente, não era pra meter, e o cara voltou para buscar a carteira… (risos).

Qual música tocou no casamento de vocês?

Velhas VirgensPaulão Vou falar do primeiro casamento, porque o segundo ainda não fiz a festa. Foi na igreja, no civil, tudo, e durou um ano. Toquei saxofone no meu casamento. Eu não fui desses caras que coloca “Changes” do Black Sabbath, coloquei “Sonata ao Luar” (Beethoven), nada radical. Porque a gente é tão maluco, que nós colocarmos um rock ia ter gente falando “Está vendo, eu falei para não casar com esse filho da puta”.

Cavalo Eu casei, mas não tive festa.

Simow O meu casamento foi o mais legal, porque eu oficializei de manhã e a noite teve show, e o Paulão de padre no palco: “Agora sim é o casamento, é o que vale”

Paulão Eu cheguei lá de manhã, às 7 horas da manhã virado, não era para ser padrinho, o padrinho faltou. Ele pediu, e eu bêbado, aceitei! (risos) É melhor você fazer isso bebado! A Lu (mulher do Simow) é maluca, cara! A Ju (esposa do Cavalo) e a Dedé (do Paulão) também são… Mas, a Dedé sabe com quem ela está casada. Ela sabe que ela tira tudo, mas a boemia ela não tira nunca. Eu posso transferir a boemia pro quarto da minha filha, a noite, isso não vai ser problema nenhum.

Vai lá: http://www.velhasvirgens.com.br

Escrito por Stephanie Stupello, da redação da revista Trip.

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