Jamaica celebra independência


JamaicaConheça os artistas da pequena potência musical

Alguém explica como uma ilha pobre, de economia primária, com metade do tamanho de Sergipe e um dos maiores índices de violência das Américas, tenha se tornado berço de algumas das expressões musicais e culturais mais importantes dos últimos 50 anos?

Jamaica SkaSim, pois a música popular jamaicana (seja ska, dub, rocksteady, reggae ou dancehall), conseguiu algo que samba, tango, afrobeat ou salsa jamais sonharam: se tornou um estilo de destaque e enorme influência na música internacional.

Quantos hits mundiais das últimas décadas não têm tempero jamaicano? I Shot The Sheriff, de Eric Clapton; Hotel California, dos Eagles; Walking on the Moon, do Police; Do You Really Want To Hurt Me, do Culture Club; Police and Thieves, do Clash; Time Bomb, do Rancid; e Smile, da Lily Allen, são só alguns exemplos.

Além de deixar sua marca no pop e rock europeu e americano, a música da Jamaica também foi inspiração para muitas cenas alternativas, do punk ao eletrônico. O que são o dubstep e o grime, estilos quentes do underground londrino, senão galhos novos de uma imensa árvore com raízes na ilhazinha caribenha?

Jamaica DubO próprio remix, algo tão normal na cena musical hoje em dia, tem como ancestrais as versões dub de hits que produtores como Lee Perry e King Tubby começaram a fazer lá no fim dos anos 60. E o hip hop? Invenção de um jamaicano emigrado para Nova York, o DJ Kool Herc, que começou a colocar MCs para falar em cima de discos, inspirado no que seus conterrâneos já faziam nos “sound systems” da ilha.

No Brasil, a influência do som da Jamaica também esteve sempre presente. Começando lá atrás, com a versão de Gilberto Gil para No Woman, No Cry, de Bob Marley, passando por Sonífera Ilha, dos Titãs, e Óculos, dos Paralamas do Sucesso, até Garota Nacional, do Skank e inúmeras bandas de reggae brazuca como Chimarruts e Cidade Negra.

Neste dia 6 de agosto, quando a Jamaica celebra 48 anos de sua independência da Inglaterra, preparamos um tributo à pequena potência musical com uma galeria com alguns de seus artistas mais importantes.

Que sãos os 24 feras da pequena potência musical

Coxsone Dodd: Coxsone DoddUm dos pais da indústria fonográfica jamaicana, Dodd foi fundamental ao trazer dos EUA a influência R&B que moldou a música da ilha a partir dos anos 60. Em 61, ele fundou a gravadora Studio One, onde produzdiu e lançou os primeiros discos de Bob Marley, Skatalites, Lee Perry e Prince Buster.

Prince Buster: Nos anos 60, pré-reggae, o principal som da Jamaica era o ska. Prince Buster era sua estrela maior, com seu som alegre, mas com conteúdo político e denúncia social. Entre seus hits estão “Ten Commandments of Love e Judge Dread”.

The Skatalites: Grupo que se especializou em ska instrumental e dominou as paradas jamaicanas nos anos 60. Entre hits como “Guns of Navarone” e muitas versões ska de sucessos anglo-americanos, o Skatalites foi um dos destaques do cenário musical da época.

Jackie Mittoo: Tecladista dos Skatalites que, em meados da década de 60, embarcou numa pretigiosa carreira solo. Ao mesmo tempo, se tornou diretor musical do Studio One, orientando diversos novos artistas.

Joe Gibbs: Um dos primeiros produtores a abraçar o novo som do reggae, no fim da década de 60, Gibbs virou um dos chefões da indústria musical da ilha. Produtor, dono de selos e de uma prensa de vinil, Gibbs pos sua mão numa lista interminável de artistas. Seguiu na ativa até sua morte, em 2008.

Lee Scratch Perry: Lee Scratch PerryO grão-mestre do dub, técnica (que depois virou gênero próprio) onde se criavam versões instrumentais de músicas conhecidas do reggae, carregadas de efeitos viajantes. É de Perry também a autoria do que é considerado o primeiro reggae da história, “People Funny Boy”, de 68. Ele ajudou Bob Marley no começo, produziu zilhões de artistas, álbuns e singles e é tido como um dos grandes inovadores da história do pop.

King Tubby: Perry pode ter sido a estrela-mor do dub, mas quem inventou a brincadeira foi Tubby ao encharcar músicas com efeitos como echo e reverb. Conceitos tão atuais como usar o estúdio como instrumento musical e o remix existem graças aos experimentos de Tubby a partir dos anos 60.

Bob Marley: Bob MarleyÉ chover no molhado falar da importância de Bob Marley, mas vamos lá. Nos anos 70, com seu sucesso estrondoso, Marley virou o embaixador internacional do reggae e de toda a cultura rastafari. Sua música foi tocada por artistas como Eric Clapton e Gilberto Gil. Marley se tornou um dos gigantes da música do planeta, pau a pau com Elvis, James Brown e os Beatles.

U-Roy: No pop jamaicano, o “deejay” não é o cara que põe discos, mas sim o que declama em cima deles, ou seja, o MC. U-Roy foi o primeiro “deejay” famoso da Jamaica, precursor de um estilo que virou tradição da música da ilha e foi desaguar no dancehall/ragga que surgiu nos anos 80.

Jimmy Cliff: Bem antes de virar presença fácil dos palcos brasileiros, Cliff foi figura essencial no som da Jamaica. Além dos muitos sucessos internacionais, Cliff foi protagonista do filme “The Harder They Come” (Balada Sangrenta), histórico retrato da cena musical jamaicana do começo dos anos 70. Depois de Bob, Jimmy é o popstar mais conhecido da ilha mundo afora.

Augustus Pablo: O mestre da melodica ou escaleta, instrumento de sopro com teclas que marcou muitos hits de reggae dos anos 70. Seu álbum com o produtor King Tubby, “King Tubby Meets the Rockers Uptown”, é um fundamento do dub.

Peter Tosh: Um dos sócios-fundadores dos Wailers, a banda de Bob Marley, Peter Tosh seguiu um bem-sucedido voo solo a partir de 1974. Na mesma década, abriu uma turnê dos Rolling Stones, chegando a ser do elenco do selo Rolling Stones Records. Morreu assassinado pela bandidagem em 1987.

Sly & Robbie: Sly & RobbieO baterista Sly Dunbar e o baixista Robbie Shakespeare foram dos produtores e instrumentistas mais importantes das décadas de 70 e 80. Além de produzir e/ou acompanhar dezenas de artistas conterrâneos, como Gregory Isaacs e Peter Tosh, Sly & Robbie trabalharam com Bob Dylan, Grace Jones, Fela Kuti, Rolling Stones e Herbie Hancock. Também lançaram uma extensa discografia com seu próprio nome.

Black Uhuru: Expoentes do reggae e do dub dos anos 70 e 80, graças a hits como “The Great Train Robbery” e álbuns como “Sinsemiliia” e “Red”. Seu álbum “Brutal” foi o primeiro a ganhar o Grammy de Melhor Álbum de Reggae, quando a categoria foi instituída.

Mad Professor: Na verdade, ele nasceu na Guiana, mas o professor doido é indissociável do som da Jamaica a partir dos anos 80. Trabalhou com todos os craques, como Lee Perry e Sly & Robbie, e foi um dos caras que levou o dub para novas (e mais eletrônicas) paragens. Mad Professor também trabalhou com Massive Attack, Sade e Miss Kittin.

King Jammy: Produtor prolífico, dono de selo, King Jammy já teria seu lugar na história do pop jamaicano só por isso. Mas ele foi também o cara que botou o ritmo eletrônico a serviço do pop jamaicano. Graças a uma música apenas: “Under Me Sleng Teng”, de 1985. Seu ritmo digital, feito num teclado Casio vagabundo, foi copiado por milhares. É aqui que o dancehall, um estilo musical mais sexual, corporal e agitada, começou a definir sua cara. Também conhecido como “ragga”, é algo bem mais próximo.

Ziggy Marley: Ziggy MarleySuperando a reponsa e a cobrança de ser “filho do homem”, Ziggy construiu uma consistente carreira de sucesso internacional. Seus álbuns como “Conscious” e “Jahmeyka” tiveram êxito de vendas e de crítica. Outro filho de Marley (eram muitos!) que se deu bem em carreira-solo foi Damian.

Yellowman: O albino Yellowman foi um dos mais conhecidos “deejays” (os MCs jamaicanos) dos anos 80. O ritmo do seu hit “Zungguzungguguzungguzeng” foi sampleado a exaustão no hip hop, incluindo faixas de Notorious BIG, Tupac Shakur e Mos Def.

Sister Nancy: Como dá para perceber, o mundo da música jamaicana é esmagadoramente dominado pelos homens. A partir dos anos 80, algumas mulheres conseguiram abrir caminho. Sister Nancy é considerada a primeira “deejay” (MC) do dancehall. Seu sucesso “Bam Bam” é um clássico do gênero.

Shabba Ranks: Na virada dos 80 para os 90 não tinha pra ninguém no dancehall, era Shabba na cabeça! Ele teve hits internacionais como “Mr. Loverman” e uma cover de “Family Affair” (de Sly & The Family Stone). Seu vocal grave e ligeiro com as palavras é sua marca registrada.

Patra: PatraMais uma das raras vozes femininas que conseguiu furar o bloqueio da testosterona do pop jamaicano. Patra colaborou com Shabba Ranks em “Family Affair”, mas causou mais impacto com sua versão de “Pull Up to the Bumper”, de Grace Jones.

Ini Kamoze: Responsável pelas memoráveis “World a Music e Here Comes the Hotstepper”. Esta última é um dos maiores hits de reggae da história, chegando a número um em vários países.

Shaggy: Outro jamaicano que fez um barulho danado com seus hits nos anos 90 e 00 foi esse aqui. Todo mundo conhece “Oh Carolina, Boombastic e Angel”, dancehall de fácil acesso, marcado pela voz barítona de Shaggy.

Sean Paul: Tão famoso quanto Shaggy é Sean Paul. Vindo de uma família de jogadores de pólo aquático (ele mesmo foi da seleção jamaicana), Sean surfou alto na parada americana com um som híbrido de black americano e jamaicano. Sean também colaborou com Beyoncé em “Baby Boy”.

Fonte: escrito por Camilo Rocha do site Virgula.

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