Wander Wilder, o personagem da década


Wander WilderA década de 2000-2009 não teve heróis, até porque o mundo cada vez menos precisa deles, como cantou o “Superguidis” em uma de suas canções. Mas, de exemplos de cidadãos comprometidos com determinadas causas, em nosso caso, a música, o país e o mundo continuam precisando cada vez mais. Para nós de Senhor F, o personagem desta década é o músico gaúcho Wander Wildner, por tudo que ele condensou musical, existencial e politicamente, em boa parte presente no DVD que acaba de lançar com a retrospectiva da carreira.

Wander WilderAlguns poucos artistas brasileiros apostaram tão profunda e honestamente no caminho independente como ele, sem perder-se em desvios retóricos ou nas falsas promessas do “mainstream”. Desde o final da década passada, o ex-Replicantes construiu uma sólida carreira solo, pensada, planejada e levada à prática com despojamento e, ao mesmo tempo, rigor estratégico. Passados dez anos, Wander Wildner deve ter tocado na maioria dos palcos independentes de centenas de cidades espalhadas pelo país.

Ao mesmo tempo, sem afastar-se de sua base “natal”, Porto Alegre, ele soube compreender as mudanças, ou as “não mudanças”, ocorridas em sua cidade, ex-meca do rock nacional. Talvez fruto de sua visão “nacional”, Wander Wildner é um dos músicos locais mais abertos aos novos grupos que surgiram pós-Graforréia Xilarmônica & geração anos 80/90. Apenas como exemplos, não por acaso foi ele quem “bancou” a entrada dos Superguidis em São Paulo, com show conjunto de lançamento do disco de estréia dos jovens – e desconhecidos – conterrâneos, em 2006, e regravou canções de grupos como Os Pistoleiros e Stuart.

Wander WilderEm vários momentos Wander Wildner teve o reconhecimento que merece como artista e cidadão do mundo, mas talvez um dos mais emocionantes tenha sido durante o festival Abril Pro Rock, em 2008. Acompanhado por músicos gaúchos e pernambucanos, ele fez o público dançar seu punk-brega como se fossem arretados frevos carnavalescos. Foi o melhor show daquele ano, comprovando a universalidade de sua obra que, fossem outros tempos, teria várias de suas músicas transformadas – mais amplamente – em hinos dessa geração.

Cinco fatos que marcaram a década

  1. Fundação da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes).
  2. Políticas públicas do Ministério da Cultura (apoio a festivais independentes, Vale-Cultura, etc).
  3. Intercâmbio musical entre os países ibero-americanos, por meio da plataforma independente.
  4. Lançamento do disco O Bloco do Eu Sozinho e mudança na relação com a indústria fonográfica.
  5. Afirmação de selos independentes, como Monstro, Senhor F e midsummer madness.

Fonte: Fernando Rosa é editor de Senhor F.

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Uma resposta to “Wander Wilder, o personagem da década”

  1. Thiago L. de Souza (Naga) Says:

    O cara é uma mistura da contracultura americana com a cultura brasileira, basta vermos transvestido como Hunter S. Thompson, outra hora como Bukowski, outra hora mais moderno, diferente como os Man or Astroman, e suas músicas puxadas para baladas e pauladas indo do punk ao folk, Wander merece nosso respeito, grande músico apesar de todas as controvérsias, vive pela sua música e pelos seus gostos, viaja mundo afora e possui uma vasta fila de amigos, poucas pessoas são coerentes naquilo que falam na música sobre suas próprias vidas, e nisso citamos Wander como um ícone particular nosso!!

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