A história do contrabaixo – Parte II


A História do Contrabaixo - Parte 02O fascínio de um humilde técnico em eletrônica pela amplificação do sinal no início dos anos 50 mudou o rumo da história da música em nosso mundo.

Na primeira metade do distante ano de 1948, após muitos experimentos em violões amplificados com toscos artefatos para amplificação do sinal, um humilde técnico em eletrônica conseguiu, a partir da construção de um corpo sólido de guitarra, conceber o primeiro captador funcional da história, resultando na primeira guitarra elétrica: a lendária Telecaster. Seu nome: Clarence Leo Fender.

Os primeiros primórdios de uma indústria que iria revolucionar os rumos da música em nosso mundo já eram visíveis na pequena oficina do genial inventor, onde foi preparado um setor somente para a construção das primeiras guitarras elétricas que levavam o seu nome.

Assim como todos nós, Fender também adorava música, principalmente o country. Portanto, sempre que podia, ele freqüentava os estabelecimentos da época onde a country music era executada por diversos grupos. Em um dia inspirado, ele passou a observar que o grande contrabaixo acústico, usado por todos os músicos na época nas formações musicais quase não era audível em virtude de suas características estruturais, além de apresentar um grande incômodo com relação ao transporte, em virtude do seu tamanho.

O lendário gigante era um maravilhoso invento da alma humana, porém para ser executado em ambiências especiais (como em salas de concertos tratadas acusticamente) além do fato que ele foi concebido para ser executado, a princípio, com o arco, o que aumentava consideravelmente sua amplitude sonora, todavia não sendo usual nas formações musicais existentes na época.

Com este conceito em sua mente, o inquieto inventor, em outubro de 1951, voltou a inovar, a exemplo da concepção da guitarra elétrica, na criação do primeiro contrabaixo elétrico na história dos graves, usado pela primeira vez na banda de Bob Guildemann, batizado com o nome de Fender Precision Bass.

Por que este nome? Ao contrário do gigante, este instrumento possuía trastes, o que facilitava a execução das notas em comparação as emitidas pelo grande acústico, tornando-as precisas e afinadas. “O primeiro corpo sólido destinado a ser um instrumento musical foi construído em 1943”, conta Leo Fender em uma entrevista para um magazine especializado em música na época. “Nesta época, eu tinha a patente para a construção de captadores. Sendo assim, eu confesso a vocês que na verdade eu não estava interessado na amplificação de sinais musicais propriamente, mas sim na amplitude do sinal. O fato é que instrumentos musicais emitem sinais sonoros com mais facilidade, daí a minha escolha por testar meus experimentos em violões amplificados”.

Outro problema enfrentado foi que não existiam cordas próprias para este novo instrumento. “Tivemos que cortar as cordas do contrabaixo acústico e adaptá-las ao nosso novo projeto. Além disto, meu principal objetivo foi aumentar a intensidade do sinal sonoro e facilitar o transporte do músico em comparação ao acústico. O primeiro protótipo foi construído no final dos anos 50 e diversos músicos quiseram testá-lo.

O curioso é que os primeiros contrabaixistas eram na verdade guitarristas, que não possuíam a menor idéia de como executar o novo instrumento. Não se esqueçam da época na qual estávamos. Muitos contrabaixistas acústicos solenemente desprezavam a nova invenção de Leo Fender por simples preconceito. A afinação era igual a usada no gigante: G,D,A e E contadas de baixo para cima.

Ainda hoje nos assustamos com as constantes revoluções tecnológicas na qual o mundo vem passando. As invenções da guitarra e do contrabaixo elétrico iriam modificar profundamente a forma como ouvimos, aprendemos e compreendemos a música nos próximos anos. Mas isto é um assunto para o próximo capítulo. Abraços a todos!

Fonte: Escrito por Nilton Wood, da redação TDM. Nilton Wood, professor de baixo elétrico da EM&T, conta a história do instrumento musical desde os seus primórdios.

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