O significado do cinema italiano de Roberto Rossellini


Roberto Rossellini

Um dos maiores expoentes do realismo e da criação do cinema autoral e da realidade deliberada com afinco diante a tela, onde entre os parâmetros do cinema italiano, fica como sendo uma das maiores referências. Rossellini era realmente um profissional em sua área, usava de suas experiências e visões de vida como base para reger seus roteiros e imagens diante da câmera, e foi nisso que repercutiu a criação do “Neo-Realismo” do cinema italiano com seus primeiros filmes, em especial “Roma – Cidade Aberta”, um clássico até hoje e vencedor em Cannes. Inicialmente com apoio na roteirização de seus filmes com o amigo Frederico Fellini (outro que seria depois referência do cinema italiano), construiu filmes que intensificavam a visão do pós-guerra, sendo nesta fase compreendida por três de seus maiores clássicos, “Roma Cidade Aberta” falando sobre o domínio nazista em Roma, com forte atuação da grande atriz italiana Ana Magnani, depois amante do diretor, e colocando em cena a mobilização da realidade vivida na Itália durante os tempos de predominância nazista na cidade, em especial mostrava também a intensa mobilização por grupos contra os soldados do terceiro reich e a realidade da população mostrada por donas de casa e crianças, depois “Paisá”, outro clássico pós-guerra, e “Alemanha Ano Zero”, filmado na própria Berlim destruída pela guerra com os destroços reais em meio a cenografia e um dos seus filmes mais provocadores por colocar em cena o suicídio praticado por uma criança, não foi grande sucesso de mídia, mas continua um dos filmes mais marcantes do diretor.

Um dos maiores feitos de seu cinema foi o realismo, que era feito em meio às ruas, sem uso de estúdios, somente locações reais, os roteiros eram compostos de muita improvisação dos atores, os cenários sempre eram compostos pela própria rua, e muitas das cenas que eram filmadas, eram em planos reais, como exemplo em “Roma Cidade Aberta” muitas cenas foram filmadas com os próprios soldados nazistas andando pela rua, sendo que o filme começou a ser rodado durante a guerra e o domínio alemão em Roma.

Roberto RosselliniRossellini começou sua carreira filmando comerciais para o fascismo de Mussolini, fez dois filmes ainda para campanha fascista, e depois partiu para o neo-realismo, depois compôs filmes com muita intensificação no povo e obteve colaborações externas, como se recusava a sair da Europa, nunca foi a Hollywood, embora fosse sempre persuadido pela atriz Marlene Dietrich, e este fato levou a então grande atriz Ingrid Bergman, sueca e conceituada em Hollywood, a fazer filmes com Rosselini, atuou em alguns de seus filmes e futuramente vira esposa do diretor, uma de suas filhas do casal é a também atriz Isabella Rossellini.

Depois de muitos filmes, sempre em colaboração com outros diretores como Vittorio de Sica, grande diretor italiano que atua em um de seus filmes, e no roteiro, com Fellini e também Michelangelo Antonioni, outro que depois virou um dos grandes diretores do cinema italiano, conseguindo assim manter sempre obras de cunho autoral. Ao final de sua carreira começou a trabalhar em documentários para a televisão, ali desenvolve uma série de filmes sobre personagens ilustres da história, Cartesius, Blaise Pascal, Agostinho, Sócrates, Rei Luís XIV, entre outros e mais a frente o personagem mais famoso de todos os tempos, e sempre um grande desafio para diversos diretores de cinema, o Cristo em Messias. Dentro de seus últimos trabalhos constrói um filme também para falar sobre a cultura marxista de acordo com os estudos de Marx e Engels, e projeta para começar a desenvolver um filme sobre a história da ciência através de imagens, mas pelo infortúnio do destino, morreria aos 71 anos deixando estes últimos trabalhos incompletos.

Cenas do fime Roma Cidade AbertaPara entendermos a influência de Rossellini para o cinema, podemos citar que foram seus primeiros trabalhos no Neo – Realismo que influenciaram Truffaut e Godard a desenvolverem a Nouvelle Vauge Francesa, também influenciada por Jean Renoir, e o brasileiro Glauber Rocha, que cita em Rossellini junto a Sergei Einsestein, cineasta russo, como inspiração para o movimento do cinema novo criado a partir de seu filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Assim como vários diretores sempre o colocam como referência, um deles o americano Martin Scorsese, que põe Rossellini como uma das grandes inspirações e também grande referência para muitos de seus filmes, assim como base central para entender melhor, o cinema em si.

Dentro do história do cinema, Roberto Rossellini será sempre um dos grandes marcos para o estudo dos filmes, tanto pelo movimento que criou, e pelas obras sensacionais. A Itália é grande referência em filmes e entre tantos diretores como Fellini, Monicelli, Vittorio de Sica, Luchino Visconti, Zefirelli, Antonioni, Passollini, Bertolucci, Ettore Scola, entre outros, Rossellini faz parte dos grandes expoentes da cinematografia italiana, que é forte e intensificada com grande ajuda de seus primeiros trabalhos no cinema, com ele sendo o percussor desta jornada marcante que é a história do cinema italiano.

Filmografia de Roberto Rossellini

  • Il messia – 1976.
  • Cartesius – 1974 (TV).
  • Anno uno – 1974.
  • L’età di cosimo de medici – 1973 (TV).
  • Agostino d’Ippona – 1972.
  • Blaise Pascal – 1971 (TV).
  • De Gerusalemme a Damasco – 1970.
  • Socrate – 1970 (TV).
  • Atti degli apostoli – 1969 (TV).
  • Idea di un’isola – 1967 (TV).
  • La prise de pouvoir par Louis XIV – 1966 (TV).
  • L’età del ferro – 1964 (TV).
  • Ro.Go.Pa.G – 1963.
  • Anima nera – 1962.
  • Torino nei cent’anni – 1961 (TV).
  • Vanina Vanini – 1961.
  • Vila l’Italia! – 1961.
  • Era notte a Roma – 1960.
  • Il generalle della Rovere – 1959.
  • India – 1959.
  • Giovana d’Arco al rogo – 1954.
  • La paura – 1954.
  • Dov’è la libertà…? – 1954.
  • Amori di mezzo secolo – 1954.
  • Viaggio in Italia – 1953
  • Siamo donne – 1953.
  • Europa’ 51 – 1952.
  • La macchina ammazzacattivi – 1952.
  • Les sept péchés capitaux – 1952.
  • Francesco, giullare di Dio – 1950.
  • Stromboli, terra di Dio – 1950.
  • L’amore – 1948.
  • Germania, Anno Zero – 1948.
  • Paisà – 1946.
  • Desiderio – 1946.
  • Roma, città aperta – 1945.
  • L’uomo dalla croce – 1943.
  • La nave bianca – 1942.
  • Un pilota ritorna – 1942.
  • Il ruscello di ripasottile – 1941.
  • Fantasia sottomarina – 1940.
  • Il tacchino prepotente – 1939.
  • La vispa Teresa – 1939.
  • Prélude à l’après-midi d’un faune – 1937.
  • Dafne – 1936.

Em negrito seus filmes de maior rpercussão, sendo que todos tem seu significado para a história do cinema mundial!

Até a próxima publicação.

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro, um dos organizadores do Ilhota Rock Festival e autor de vários artigos publicados no blog Ilhota Rock sua coluna pode ser acessada pelo link https://ilhotarockfestival.wordpress.com/category/coluna-do-naga/.

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