O time mais rock and roll do mundo existe


St. Pauli

St. Pauli

Anticapitalista, St. Pauli festeja retorno à “elite alemã”

Em seu ano do centenário, o St. Pauli, clube ícone da esquerda alemã, conseguiu no último domingo, dia 8, o acesso para a primeira divisão do Campeonato Alemão, da qual estava fora desde a temporada 2001/2002.

“Foi fantástico. Depois de quase falir, conseguimos chegar lá. Todo o distrito está em festa. Havia comemorações de mais de 80 mil pessoas”, disse Maarten Thiele, estudante de Ciências Sociais e torcedor há 9 anos do St. Pauli.

“A comemoração foi incrível. Conseguimos o acesso fora de casa e eu estava lá, acompanhando o time. Invadimos o campo e celebramos com os jogadores, todos se abraçaram, pularam e cantaram. Eu não conseguia acreditar. Foi um dos dias mais felizes da minha vida”, disse.

Localizado no bairro portuário de Sankt Pauli, ponto tradicionalmente alternativo de Hamburgo, é hoje um dos clubes mais populares e queridos da Alemanha, com 11 milhões de torcedores.

A razão de tanto carinho vem do pouco tradicional perfil do clube: é contra o racismo, o fascismo, a homofobia e o machismo por estatuto e é identificado com os movimentos anticapitalistas europeus. Seu presidente não é um bilionário, dono de grandes corporações e de reputação duvidosa, como o italiano Silvio Berlusconi, dono do Milan. Corny Littmann é homossexual e diretor teatral. Patrocinado por uma loja de artigos eróticos, tem na bandeira pirata, com a caveira e os ossos entrelaçados, seu emblema extra-oficial.

O bairro de Sankt Pauli recebeu milhares de imigrantes na década de 60, o que fez com que o tradicional clube que lá existia desde 1910 se identificasse com a emergente luta da classe trabalhadora da periferia de uma das cidades mais ricas da Alemanha. Hoje em dia, o estádio é rodeado por ocupações do movimento anarquista e as ruas do bairro se tornam festas gigantes sempre que tem jogo do time local. Manifestações fascistas, de extrema direita foram banidas dos jogos do time na década de 80, quando o hooliganismo xenófobo crescia assustadoramente na Europa.

Após a conquista do acesso, haverá um grande festival de cultura (http://community.fcstpauli100.com/welcome/daskonzert) e um torneio antiracista (http://www.antira-stpauli.org), cuja renda será revertida para iniciativas sociais do distrito. A iniciativa parte de uma torcida organizada (ultras) que realiza ações sociais para imigrantes sem moradia.

Muitos dos fãs também se organizam em grupos de luta por direitos dos torcedores e contra a mercantilização do futebol. Na segunda divisão, aconteceram partidas nas segunda-feiras, o que a torcida considerou injusto, pois muitos trabalhadores não puderam comparecer. Em protesto, a torcida passou os primeiros 20 minutos de uma partida entoando músicas contra as emissoras de televisão. Dentro e fora do estádio, abundam cartazes de conotação política. Se o clube mantém seu caráter independente, sem dúvida essa força vem das arquibancadas. “É mais do que somente futebol. Há uma identificação com o bairro, com a sua gente. Ser anticapitalista, é um estilo de vida”, disse Thiele.

Com apoio massivo pelo mundo, são mais de 500 fãs clubes, e contando com a simpatia de bandas como o “Bad Religion” e “Asian Dub Foundation”, o St. Pauli tem uma alta média de público – quando estava na terceira divisão chamava 15 mil pessoas por jogo contra a média de 200 da competição. A torcida faz de cada jogo um evento político com bandeiras, mensagens politizadas e cantos contestadores. Os punks, com seu visual chamativo, também marcam presença nas arquibancadas e atraem bastante atenção da mídia.

O clube sempre começa seus jogos com uma música da banda de rock “AC/DC” e toca a “Song#2” do “Blur” quando saem gols. O St. Pauli também tem um dos últimos placares manuais do futebol europeu. Toda vez que um gol é marcado, um funcionário atualiza a plaquinha. O Estádio Millertorn, casa do St. Pauli, não pode vender por determinação estatutária o nome a uma marca, como aconteceu com o Bayern de Munique e uma empresa de seguros que financiou a Allianz Arena. “Uma vez uma empresa tentou colocar um mascote no estádio. Foi expulso com um banho de cerveja”. disse Maarten. O mesmo já aconteceu com uma propaganda machista, que foi jogada ao lixo pela torcida.

Até o ídolo do time participa deste espírito coletivo. Afinal, ele poderia ser mais uma vítima da xenofobia contra imigrantes, um problema bastante atual na Europa. Alemão e filho de pais turcos, Deniz Naki se identificou especialmente com o clube. Durante a disputa da segunda divisão, fez um gol contra o Hansa Rostock, equipe relacionada com a direita alemã. Na comemoração, dirigiu-se a torcida adversária, fez o gesto de que iria cortar-lhes o pescoço e fincou a bandeira pirata no gramado.

Na última vez em que esteve no topo do futebol alemão, derrotou o campeão mundial Bayern de Munique e alguns preconceitos. O que reservará a próxima temporada? Para Thiele, as expectativas superam o futebol: “espero que ele mantenha sua atitude, que estar na primeira divisão não signifique fazer concessões. Tenho confiança de que continuaremos nadando contra a corrente”, afirmou.

Agora, nos amantes da música, da cultura e da política, principalmente a galera do rock temos um time de futebol de verdade para torcer!

Chupado da internet sem autorização!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: