Sérgio Binachi, a mediocridade em cena


Sérgio Binachi

Crítico mordaz e criador de grandes panoramas em âmbito nacional, do político ao cotidiano, levando alcunhas para ir do ilógico ao provocante, sendo o chamador das atenções para incrédulos pessoais de cada ser humano que cultiva questões como o preconceito, a ambiguidade, o ódio, a descrença, a vergonha e a submissão.

Das situações avassaladoras que dominam nosso país em todos os cantos, do debate promovido e questionado através das imagens, e da provocação que nos remete diretamente aos nossos sentimentos internos. Assim este cineasta nos desconcerta e nos coloca em uma situação de assistirmos nossos desejos e sentimentos mais cruéis e desagradáveis, algo como se colocasse um espelho diante de nós nos mostrando nossa verdadeira face da alma, o que de fato pode ser insuportável às vezes, e de acordo com aquele que assiste, pode ser até deplorável.

Sérgio Bianchi é do tipo de cineasta que faz seus filmes com propósitos, além de chocar deliberadamente seus espectadores, nos transmite a crítica mordaz que faz em seus longas, sempre com tramas que revelam a capacidade humana de fazer o mal, discriminar, escolhas erradas e o desconcerto perante a sociedade. Analisando suas obras, vemos filmes diferenciados, com visões únicas sobre tais temas tão debatidos e que ainda hoje são tabus em nossas vidas, o homossexualismo, a discriminação, preconceito, a diferença de classes, poder aquisitivo, a influência do mal, a negligência e o ódio.

Desde a criação de seus curtas, já transmitia essa visão contestadora sobre pontos essenciais da vida em sociedade, com seus longas, alcançou isto em nível maior, se despindo de qualquer convencionalismo, suas imagens intrigantes e extremamente provocadoras, como em seu segundo filme “Mato Eles?”, onde debate sobre a questão do índio, onde estes são expulsos de suas terras e obrigados a trabalhar na plantação de cana, onde um próprio índio o questiona sobre a situação de diretor, o perguntando quanto ganha para mostrar a “desumanização” provocada pelo homem em relação ao índio, sendo esta imagem uma das mais instigantes e atemporal do cinema brasileiro.

Bianchi é paranaense, de Ponta Grossa, trabalhou como assistente até começar a fazer seus próprios filmes, sempre obteve dificuldades para obter financiamento, assim como também sempre é questionado por seus filmes, negativamente e positivamente, já foi de prêmios às críticas ferozes sobre sua obra.

Um dos grandes triunfos do cineasta é o filme “Cronicamente Inviável”, que traz a situação brasileira em pleno ano 2000. Discutindo sobre várias questões e valores da sociedade, a vida marginal, a busca por situação financeira de vida melhor em São Paulo, o desmatamento descontrolado em Mato Grosso, a discussão sobre a força de trabalho mais responsáveis nos estados do Sul, o índio, a criminalidade e pobreza nas grandes metrópoles, a “mendigagem” e a negligência pela sociedade dita “superior”, e o medo desta sociedade em estar sendo massacrada pela parte da “pobreza” e pela marginalidade. Além de provocador o filme traz grande apuracidade cinematográfica, e grande elenco.

Todos os seus filmes possuem o debate em relação às situações mais escandalizadoras e aterradoras, em “Quanto Vale ou é Por Quilo?”, novamente eleva o panorama da discriminação e preconceito racial, antes e depois da escravidão, e nos mostra que o ser humano não avançou muito nestas questões, novamente grande elenco e mais uma grande demonstração de seu cinema instigante.

Recentemente lançado pela Versátil (que anda trazendo para DVD outros grandes diretores e obras essenciais) o Box com 5 de seus filmes. Uma grande oportunidade para conhecermos a obra deste cineasta pouco conhecido, assim como seus filmes, mas que revelam em suas imagens e narrativas, um grande panorama sobre nossos sentimentos mais podres e “inamorosos”, o que pode nos chocar, mas aquele que não se ver enrustido nas situações demonstradas em sua obra e alegar isso será um grande mentiroso, pois Bianchi vai aos pontos mais minúsculos das entranhas do preconceito, e ai não há escapatória para ninguém.

Seja como for, é essencial o estudo de seus filmes, e o diretor esta em plena atividade, seu último filme é datado em 2009, “Os Inquilinos”, onde mais uma vez estamos presentes as nossas situações mais derradeiras e preocupantes.

Filmografia

Curta-metragem:

  • Omnibus (1972).
  • A Segunda Besta (1977).
  • Divina Previdência (1983).

Longa-metragem:

Em negrito, todos os filmes que valem a pena ver!

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro e um dos organizadores do Ilhota Rock Festival.

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