O cérebro mecânico


Stanley Kubrick

Stanley Kubrick

Magistral notoriedade lúdica e técnica, da perfeição sem cores e espetaculares focos em cor, capacidade intrínseca de subjugar condições e maniqueísmos, antecipando o conceito e antevendo maneiras. Sobressaio em panoramas reais, fictícios e de grande conjunção, grande mola propulsora da genialidade com a capacidade demonstrativa.

Obscuro abstrato de partes em quadros, focos psicológicos e existencialistas, estudo da notoriedade, experiências brutais e cortantes da explícita abrangência malvada das situações mais promiscuas da mente humana. Arrebatador na definição, avassalador no conjunto e esbanjador de controle técnico, tudo em função de amostras visuais de cobaias meramente humanas em função do estudo paranormal do lado mais psicológico dos absurdos humanos, um pesadelo kafkaniano, um laboratório surreal de ideias, um cérebro mecanizado, propulsor de engrenagens artísticas e realizadoras da arte visual.

Uma tradução do pensamento cosmopolitano fisiológico, dos transtornos viris e da alma em julgamento pelo próprio ser. Terror e drama, situações simuladas, desejos e sátiras, inovação e perfeccionismo, arte, nada mais do que meramente arte, assim como quem a faz, torna-se artista, especulador da vida, intuito da concepção do entreter, chocar, escandalizar e satirizar conceitos em sua magnitude.

Da análise de personalidade e aparência junto à obra que completa, tira-se a conjuntura do complexo sombrio, com dramaticidade e psicologia intensa, genialidade que por si só compreende um vasto criativo do ofício singular demonstrado no julgador olho de uma lente filmográfico, para que este olhar, viesse a ser o olho da maioria, curiosa, crítica, esperançosa e por si só, louca! Louca nos artifícios que intrigam e que propiciam o estudo da auto-análise, corporal e mental, de atitudes e pensamentos, do real e do horror, da vida e da morte.

Kubrick era mais que um simples cineasta, era um questionador com sua própria arte, seu cinema é ambivalente e “multi-conceitual”, seus filmes sempre carregam um arcabouço de ideias inovadoras, sejam técnicas ou práticas, mas que em amplitude demonstram uma concepção artística apurada e com desejos de pretensão, pelo lado mais positivo da “pretensiosidade”.

Da busca por um cinema mais real e contestador, Stanley Kubrick sempre foi primordial em todos os seus filmes, sempre buscando perfeição, e sempre a obtendo. Ao total de sua carreira dirigiu somente o que acreditava e o que queria, e com isso demonstrou uma filmografia meramente curta, mas de grande impacto e mais completo entre muitos outros diretores, mas Kubrick dispensa comparações, é um cineasta único, cultuado e apreciado por cada obra-prima que realizou.

Com Kirk Douglas em “Glória feita de Sangue” e “Spartacus”, Peter Sellers em “Lolita” adaptação do romance de Vladimir Nabokov, e “Dr. Fantástico”, Ryan O’Neal em “Barry Lyndon” visão primordial do clássico de William Makepeace Thackeray, Malcolm McDowell em “Laranja Mecânica” de Anthony Burgess, à tradução primordial de Arthur C. Clarke em “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, Jack Nicholson em “O Iluminado” tradução do terror de Stephen King, “Nascido para Matar” a metáfora da violência no Vietnã, e toda a luxúria de “De olhos bem Fechados”, seu último filme, com Tom Cruise, Nicole Kidman e Sydney Pollack, diretor que morreu em 2008, que além de ator no filme ajudou Kubrick a completar a obra, sendo que o próprio Kubrick não a viu completa, faleceria antes, ainda com ideias pendentes e realizações engajadas, um exemplo disto é a criação do filme “AI – Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg, que Kubrick havia projetado, mas não acreditava nos efeitos especiais para sua realização, esperava por uma nova evolução, que veio com “Parque dos Dinossauros” de Spielberg, onde segundo o próprio Kubrick o filme deu vigor ao que poderia ser feito em “AI – Inteligência Artificial”.

Mas a grande sacada de Kubrick são seus primeiros filmes, “A Morte Passou Perto”, “O Grande Golpe”, onde já se presencia sua vasta técnica, tanto em direção, montagem e roteiro, que ao passar do tempo, ao lado destes grandes atores, conservou um retrato do exemplo da arte cinematográfica. Qualquer dúvida basta olharmos para a fotografia de “Barry Lyndon”, as cenas de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, a criatividade de “Laranja Mecânica”, e a grande obra satírica da guerra fria “Dr. Fantástico”.

Sempre fora indicado ao Oscar por seus filmes mais célebres, sendo que nunca venceu, somente ganhou por efeitos especiais em “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Em palavras não podemos definir Kubrick, mas seus filmes falam por si só, veio a falecer em março de 1999 por um ataque cardíaco enquanto dormia nos deixando carentes de  grandes obras. Mas nos deixou de herança um pedaço de si mesmo em cada filme, foi o cineasta mais importante do século XX, e um dos mais enigmáticos e fabulosos de todos os tempos.

Filmografia

Documentários (Nunca lançados no Brasil):

  • Flying Prade – 1951.
  • Day of the Fight – 1951.
  • The Seafarers – 1953.

Longa-metragem:

  • Fear and Desire – 1953 (nunca lançado).
  • Killer’s Kiss (A morte Passou Perto) – 1955.
  • The Killing (O Grande Golpe) – 1956.
  • Paths of Glory (Glória Feita de Sangue) – 1957.
  • Spartacus – 1960.
  • Lolita – 1962.
  • Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (Dr. Fantástico) – 1964.
  • 2001 A Space Odissey (2001 Uma Odisséia no Espaço) – 1968.
  • A Clockwork Orange (Laranja Mecânica) – 1971.
  • Barry Lyndon – 1975.
  • The Shining (O Iluminado) – 1980.
  • Full Metal Jacket (Nascido para Matar) – 1987.
  • Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados) – 1999.

Em negrito seus filmes de maior repercussão!

Escrito por Thiago Luis de Souza. Naga é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro e um dos organizadores do Ilhota Rock Festival.

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