Invictus usa metáfora esportiva para celebrar o fim do apartheid


Invictus

Depois da saia-justa causada pela declaração de Spike Lee sobre a opção de Clint Eastwood em não incluir nenhum ator negro em seus dois filmes sobre a 2ª Guerra Mundial (“A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”), eis que o destino fez com que o protagonista de “Por uns Dólares a Mais” fosse convocado por Morgan Freeman para dirigir a adaptação do livro “Playing the Enemy”, de John Peyton, sobre a chegada de Nelson Mandela ao poder da África do Sul em 1994, e sua estratégia de usar o mundial de rugby, um esporte dos brancos, como forma de unir e enterrar os rancores do povo sul-africano após o fim do apartheid em 1990.

“Invictus” foi o nome escolhido para o projeto, um filme sobre a esperança e fim da intolerância entre as raças, propostas de Mandela em seu governo, e que pode soar como resposta às críticas feitas pelo diretor de “Faça a Coisa Certa”.

Morgan Freeman (“Menina de Ouro”), além de produzir, dá vida ao ex-presidente, contracenando com Matt Damon (“Supremacia Bourne”), que por sua vez interpreta François Pienaar, capitão da seleção de rugby às vésperas da Copa do Mundo.

O longa segue os passos de ambos os personagens em suas buscas pessoais. Mandela, em meio a desconfiança por parte dos brancos sul-africanos, procura uma forma de fazer com que o preconceito racial desapareça de uma vez por todas, já Pienaar se esforça para transformar sua fraca seleção em uma time competitivo, capaz de vencer um dos maiores torneios do esporte. Os dois líderes unirão forças em prol de seus objetivos, usando o esporte como metáfora de superação e ponte para o sucesso.

O que vemos é uma produção bem didática. Quem não conhece muito sobre o apartheid e aqueles que não entendem nada sobre rugby não terão dificuldades em seguir a trama. “Invictus” não difere do modelo cinematográfico que Eastwood se acostumou a fazer, seguindo à risca uma narrativa classicista (convencional), que favorece os espectadores mais preguiçosos, já que tudo que precisamos saber sobre a trama e os personagens são apresentadas da forma mais clara e linear possível.

O filme não desagradará aos fãs do veterano diretor. Nesse tipo de cinema tradicional, Eastwood é mestre, além de contar com uma exemplar atuação de Morgan Freeman, absolutamente soberbo na difícil tarefa de representar uma lenda viva da política internacional.

Mas, apesar do saldo positivo, “Invictus” não será lembrado como um dos principais filmes de Clint Eastwood. Ele não ultrapassa o registro histórico, ao apresentar um pouco da filosofia de vida de Nelson Mandela e sua estratégia de unir o negros e brancos por meio do esporte. Spike Lee com certeza não esperava por essa.

Fonte: Bruno Marques Peixotohttp://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/?p=15154.

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