A soberania da superioridade


Testamento Político

Deus, ou qualquer entidade suprema e superior em que você acredite, podendo ser até uma árvore, criou o mundo conforme seu pensamento e sua mesquinhez, desta grande obra vangloriou-se por décadas, mas sentindo falta de ter a quem se vangloriar criou o homem, este feito a sua imagem e semelhança, mas desculpe a você que optou pela árvore, e agraciou-os com a terra que havia criado, lhe deu corpo, cabeça, pernas, braços e outros membros menos importantes até então.

Analisando que este ser não o ouvia, criou o ouvido, mesmo ouvindo esta pessoa não conseguia se comunicar, então criou a boca, que emitia sons horríveis e desconformes, com isso criou a linguagem. Percebendo que este ser não enxergava nada a um pé de distância, deu-lhe olhos, e percebendo sua miopia, criou óculos com lentes.

Pronto! Agora Deus, ou quem você preferir, podia se vangloriar com sua criação perfeita e fazer dele seu fiel súdito, mas este percebeu que o ser era ignorante e burro que nem uma pedra, um cabeça de vento, e resolveu dar a inteligência completa, mas designou que usasse apenas parte desta inteligência, e então este senhor começou a se incomodar!

O que era criado não podia ser desfeito. Como não havia cobaia e nem nada, Deus acabou por “engembrar” aquele ser com dúvidas e dilemas, criou regras e costumes, fez a necessidade de comer, crescer, beber e de pensar. Mas havia um porém, o de não comer um bife a milanesa que se encontrava em uma mesa bem arrumada com talheres folheados a ouro que ficavam no Éden, próximo a avenida Paraíso, no cruzamento com a Santíssima Trindade. Aquele bife era a segunda obra de Deus, e guardava ele para uma comemoração particular.

No ato em que foi dando e criando membros e características para a criação do homem, outros fatores foram vindo em sua consequência. Foi criado o nariz para respirar e junto veio o olfato, com isso o cheiro das coisas atiçavam o homem, e através de um sonho com rizoto de camarão, carne ensopada e macarrão de espaguete, começou a delirar com o desejo de comer, sentiu o cheiro do bife e o comeu.

Deus ficou furioso e criou um imenso deserto sem água para o homem atravessar, prometendo que se completasse tal ato ganharia um carro importado. Não deu certo. O homem morreu seco no deserto uma semana depois. Deus não gostou de nada disso, criou outros milhares de homens de forma diferente e dividiu-os em grupos.

Deu-lhes muito trabalho e poucos benefícios, com um salário de dois conhecimentos por dia. Os grupos foram separados por longas distâncias e cada grupo ganhou tarefas diferentes e linguagem diferentes. Uns ficaram em regiões mais frias e montanhosas, outros em regiões quentes e prósperas, e outros na lama, outros ainda, construíram bares e inventavam bebidas com a água fornecida por Deus e ficavam a se embebedar todos os dias, pagando tudo a Deus conforme combinado, uma reza de agradecimento e meio porcento de tudo que eles colhiam.

Tudo isto para Deus sentir onipotente sobre eles e a colheita que eles entregavam. Deus se enfartava em comer mesmo sem vontade, mas em complacência do trabalho dos humildes homens.

Depois de muitos anos, Deus viu os homens tristes e cabisbaixos com o trabalho e lhes deu outra designação, montou um ser de sexo oposto e criou o desejo carnal, e o usou isso como pretexto para a procriação da humanidade, como a geração de filhos. Todos ficaram alegres e passaram a trabalhar mais e rezar menos.

No final, Deus estava quase esquecido, alguns homens desenvolveram inteligência apurada e começaram a questionar tudo, a calefação da água, a cor dos olhos, o sexo e foram criando atributos para se promoverem a serem melhores que Deus. Se uniram em grupos políticos, empresas estatais, seitas religiosas e passaram a adorar outros deuses, gregos, árvores, gordos, e outras formas complicadas de vida!

Deus irritado com tudo, criou o dilúvio e matou à todos, depois comeu seu bife a milanesa deu um arroto e foi dormir, “amanhã tenho um dia cheio” pestanejou o grande criador de uma futura obra em andamento.

Escrito por Thiago Luis de Souza, o Naga, é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro e um dos organizadores do Ilhota Rock Festival.

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