A contracultura de cada um


Cena do filme ‘Sem Destino’ de Dennis Hopper

William S. Burroughs3

Jack Kerouac

Falar sobre a geração “beat” que mostrou as caras em meados dos anos 50 e reinventaram todo o meio de vida entre os jovens e os questionamentos sobre a dialética da personalidade, é de fato bem curioso, pois sempre teremos interpretações intensas e diferentes.

O mundo, e particularmente os EUA, na época vinham com um pensamento diferenciado, proposto para um mundo mais unido, era uma época pós Segunda Guerra que presenciava a Guerra na Coréia. Jovens da época se mostravam perturbados com a ficção da vida e desiludidos com os futuros incertos que o mundo lhes proporcionava, eram tempos difíceis e bem diferentes de um mundo completamente interligado de hoje.

Surge então uma nova força, vindo de pensamentos de pessoas que queriam expurgar toda aquela maneira de vida, seja ela demonstrada em forma de arte ou atitudes, começam a dar cara a bater, os novos intelectos da era presente, era a contracultura, assim denominada pela geração.

Jornalistas com didática diferente, escritores mais pessimistas e extravagantes, e novas maneiras de marginalização no cinema. Apareceria com essa força, uma nova safra de viajantes com aspiração de desmistificar as várias formas de vida, uma geração pronta a mostrar ao mundo que suas opiniões e ideias eram totalmente novas e mudariam certos conceitos já idealizados.

Surge Jack Kerouac, com a publicação de um dos mais influenciadores livros que propagariam toda uma geração de jovens, “On the road”, pé na estrada, a influente história de suas próprias experiências de andanças pelo EUA a fora, junto de seu fiel amigo Neal Cassidy, outro expoente da geração, autor do livro “O primeiro terço”, onde narra sua própria visão do primeiro terço de sua vida, e junto deles a nova poesia, a nova prosa, e novos rumos para a contestação da presença do ser humano no mundo, poetas como Allen Ginsberg, homossexual e depois budista, assim como Kerouac que acatou certas filosofias budistas, além do álcool, muito marcante na vida de ambos, e também o mistificador e mais abrangente da loucura desta geração, William Burroughs, autor de “Almoço nu” e “Junky”, que eleva o conceito do uso das drogas, sua real presença no corpo, e alucinações que beiram a loucura e surpresa total.

No meio jornalístico, Thomas Wolfe, com o novo jornalismo e Hunter S. Thompson, com a criação do Gonz Jornalismo, assim denominado, sendo eles expoentes da contracultura intelectualizada, e no cinema, o filme “Sem destino” dirigido por Dennis Hopper e protagonizado por ele mesmo, Peter Fonda e Jack Nicholson.

Toda esta geração que se seguiu, refletiu na influência de novos campos para a maneira literária, jornalística e novos rumos do cinema e na prática de sobrevivência das pessoas, junto com a mudança na arte, nos poemas marginais e seus autores algozes, na pintura também, o mundo ia entrando no pânico da guerra fria, presidentes assassinados, a influência da revolução cubana, e no Brasil tínhamos o começo da ditadura militar em 1964.

Juntando todos os fatos, podemos presenciar e entender de certa forma a perspicácia desses jovens autores no desejo de querer abrir novos campos de conhecimento sobre os conceitos da alma, Kerouac viajando pelos estados americanos, sendo influenciado por personagens da vida real, camponeses, drogados, mendigos, Cassady em meio aos vagabundos em vagões de trem, onde mais tarde fora encontrado morto diante aos trilhos, Ginsberg poetizando a vida delinquente e contestadora, sendo o que morreu mais tarde da turma, e Burroughs, o mais estudado e intelectual, e um baita de um velho safado, que de suas loucuras bibliográficas e sua vida também tão pouca, fez de si mesmo a característica monstruosa de um autor pronto a assassinar a literatura, o tio Bill Burroughs.

Havia outros autores, e outras bases da conjectura “beat” e também da contracultura em si, como outros membros não só da geração denominada “beat”, mas, contestadora e nova, ai podemos citar outro autor interessante e marginal como Charles Bukowski, amigo da turma e viajante eterno dos becos obscuros da alma humana e de ruas dos bares e hotéis baratos da costa americana.

Hoje, podemos interpretar essas obras como percussoras de uma época, e idealizá-las como forma de atribuição ao nosso conhecimento e aprendizado também sobre uma época diferente da história universal.

Todos os livros citados, e podemos citar também “O apanhador no campo de centeio” de J.D. Sallinger, como idealizadores de uma juventude aos prantos, pois foram seus personagens que moveram um movimento propício para a idéia de novas maneiras de vida, e fragmentação do intelecto em comum e a presença do jovem como pré-adulto.

E então, como bons curiosos que cada um de nós somos, despertamos através da leitura de uma literatura realística e precedente, a contracultura interna de cada um de nós. Sempre aprenderemos algo com qualquer movimentação e estudos de épocas, tanto literárias, sociológicas e do mundo em si, em relação com a desmistificação do ser humano!

O que é geração beat?

Geração “beat” (Beat Generation em inglês) são termos usado tanto para descrever a um grupo de artistas norte-americanos, principalmente escritores e poetas, que vieram a se tornar conhecidos no final da década de 1950 e no começo da década de 1960, quanto ao fenômeno cultural que eles inspiraram (posteriormente chamados ou confundidos aos beatniks, nome este de origem controversa, considerado por muitos um termo pejorativo).

Escrito por Thiago Luis de Souza, o Naga, é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro e um dos organizadores do Ilhota Rock Festival.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: