Documentário vencedor do Oscar alerta contra matança de golfinhos


Documentário vencedor do Oscar alerta contra matança de golfinhos

A maioria das pessoas adora golfinhos. Eles são bonitos, inteligentes, engraçados, carinhosos. Estão sempre sorrindo, não é verdade? Pois é, prepare-se para ver toda essa imagem ser desconstruída – e justamente pelas pessoas que mais gostam de golfinhos na face da Terra. “O sorriso do golfinho é a maior enganação da Natureza”, diz uma delas em determinado momento. Essa é apenas uma das surpresas que o documentário vencedor do Oscar (e da maioria dos festivais dos quais participou) revela.

“A Cova” conta a história de um grupo de ambientalistas que têm como missão alertar o planeta para a matança de cetáceos a partir do litoral de Taiji, no Japão.

O documentário está longe de ser panfletário ao extremo. Possui cenas fortes bem pontuais, uma cronologia perfeita, intervenções didáticas rápidas e funciona bem como filme. Não enche a cabeça do espectador de estatísticas – até porque 23.000 golfinhos sendo exterminados por ano no Japão e a venda dos animais por 150 mil dólares cada já é assustador o suficiente.

O Governo do Japão, alvo de boa parte da artilharia dos realizadores de “A Cova”, construiu uma tese fajuta de que baleias e golfinhos são os culpados pela diminuição da quantidade de peixes no mar para justificar a vista grossa.

Mas a saúde do ser humano também corre risco por conta dessa matança, já que a substituição da carne de baleia pela de golfinho (sem o consumidor saber) faz com que muita gente ingira altas doses de mercúrio, provocando a doença de Minamata (responsável por uma morte lenta e dolorida).

Até as ONGs voltadas para a preservação da vida marinha são alvo de crítica da produção. Absurdamente, a defesa de grande parte dessas entidades se limita aos cetáceos de grande porte, como as baleias.

Ao contrário de “Terráqueos” (2005), referência entre os documentários sobre maus-tratos aos animais, o tom mais direto e elegante desse filme de Louie Psihoyos e Fisher Stevens acaba por se mostrar mais eficaz. Difícil não se encantar com o mundo que revelam as belas imagens do oceano, a partir de câmeras de profundidade e equipamento de captação de som, criados para registrar o fundo do mar. Mas também envolvem com cenas saídas de filmes de espionagem, em missões secretas para captar cenas da matança.

É impossível ficar impassível diante da cena (que não é inédita) do mar mudando de azul para vermelho, diante do massacre imperdoável perpetrado pela humanidade.

Inimigo número dois da equipe, após os caçadores japoneses? O aquário gigante Sea World, da Flórida, que mantém diversos golfinhos em cativeiro. Um responsável pelo aprisionamento desses animais? O seriado de televisão “Flipper”. Um dos líderes das filmagens do documentário, Ric O’ Barry, deve toda sua fama e fortuna justamente ao programa. Era ele quem adestrava os bichos que interpretavam o célebre golfinho. Agora, tenta compensar o que causou.

O ex-treinador de “Flipper” passou os últimos 35 anos de sua vida lutando contra as consequências da série – a imagem do golfinho amigo do homem, que está sempre feliz dentro de um aquário barulhento.

Um Oscar mais que merecido que, no final, pode ajudar a preservar uma espécie animal no planeta. O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil, mas vale a pena conhecer desde já o projeto (pelo site http://www.takepart.com/thecove).

Fonte: Jorge Cruz Jr. é carioca, formado em Direito com alma de cinéfilo. É dono do http://oblogdojj.blogspot.com/.

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