Para Glauco


Glauco

Los Três Amigos

Homenagem a Glauco

Desde quando comecei a gostar de desenhos, isto com os meus 10 anos de idade no ano de 1995, comecei a ter conhecimento dos vários autores e ilustradores brasileiros e também estrangeiros. Boa parte disso se deve a Marvel Comics e seus super-heróis, mas, no entanto, comecei a descobrir por outro tipo de histórias que vinham aqui do Brasil, da cidade de São Paulo. Era então o meu primeiro contato com a revista Chiclete com Banana, escrita pelo cartunista Angeli e que naquele tempo já era considerada uma revista antiga, pós-ditadura.

Eram textos puramente humorísticos e irônicos, que mostravam um espelho distorcido do modo de vida brasileiro, e personagens pra lá de exuberantes tanto como fantásticos.

Entre eles, outro cartunista que me chamou a atenção daquela época, com seus desenhos simples e humor certeiro, com toques de humor muito contemporâneos, era Glauco e seus personagens, Geraldão, Doy Jorge, Casal Neuras e muitos outros. Além da obra-prima dos quadrinhos brasileiros com a incursão dos maiores quadrinistas humorísticos, Angeli, Laerte e Glauco, eram a Santíssima Trindade dos quadrinhos brasileiros, Los Três Amigos, assim designados, Angela-Villa, Laerton, Galuquito.

Bom, com quantas palavras podemos designar a imensidão da vida de um artista, com quantas homenagens podemos chegar a algo que chegue a seu nível, a resposta é nenhuma, pois sua criatividade e simplicidade fizeram da vida brasileira e do cotidiano principalmente paulista, crônicas engraçadas de nossa própria imagem. Glauco foi um artista completo em vida, e agora ficamos com seus personagens carismáticos e órfãos, pois o artista vai, mas sua obra permanece pelos anos vindouros.

Foi de uma tristeza muito grande saber que sua vida foi tirada por outra tão jovem que nem sequer sabe o que a vida lhe aguarda, espero que se arrependa do que fez, pois nosso estimado cartunista nos foi tirado como consequência da violência descontrolada que assombra nosso país, assim como no mundo inteiro. Alguns perderam um familiar, outra um marido, um pai, um amigo como no caso de Angeli e Laerte, mas nós perdemos o grande artista e sua obra espetacular, que digo que chega ao mesmo nível de um Frank Miller, Robert Crumb, Bill Waterson, Charles Schultz, Bob Kane, Jack Kirby e Will Eisner, era o cartunista aqui do Brasil.

Por fim, obrigado por tudo Glauco, pois sua arte nos levou a dar risadas de nós mesmos, sendo ela debochada, escrachada, moderna, simplória e também espetacular.

O grande artista não morre, vira tinta

Pois com essa mesma tinta deixada.

Novos artistas continuarão novas obras

para assim serem contempladas.

Todo aprendiz possui um mestre

Mesmo que o mestre não os conheça

Dando sequência ao seu trabalho

Para que enfim, essa arte prevaleça.

Homenagem do Clube do Rock ao grande cartunista Glauco Villa-Lobos, cartunista morto no começo do mês de março de 2010.

Escrito por Thiago Luis de Souza, o Naga, é membro Clube do Rock, sendo diretor financeiro e um dos organizadores do Ilhota Rock Festival.

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