Black Sabbath: 40 anos do nascimento do Metal


Black Sabbath

Ao tentar traçar a linha evolutiva dos sub-gêneros mais pesados do Rock, certamente vai se encontrar o primeiro álbum do Black Sabbath como sendo a pedra do gênesis, o início daquilo que anos mais tarde se convencionou a chamar de Heavy Rock, Heavy Metal e conseqüentemente influenciou praticamente todas as bandas e estilos que daí derivaram.

Obviamente existem discordâncias sobre quem realmente seria o pai do Heavy Metal. Na mesma época outras bandas, além do Sabbath, começavam a dar um novo direcionamento ao Rock que era feito até então, abusando de distorções e carregando no clima pesado e até sombrio, como o Sir Lord Baltimore, o Black Widow e o Blue Cheer.

Mas a verdade é que o álbum “Black Sabbath” é considerado o precursor do Heavy Metal pela maioria daqueles que apreciam o estilo. Este texto traz algumas curiosidades e é uma pequena homenagem do Território da Música ao disco que deu origem a tudo isso e que neste sábado, 13 de fevereiro de 2010, completa 40 anos.

“What is this that stands before me?”

O disco “Black Sabbath” foi lançado na Inglaterra em uma sexta-feira, 13 de fevereiro de 1970, e se tornou um marco na história da música pesada. Tony Iommi, Terry ‘Geezer’ Butler, Ozzy Osbourne e Bill Ward gravaram as músicas praticamente ao vivo no estúdio. Existem versões diferentes sobre como se deu o processo de gravação. Algumas fontes dizem que o disco foi gravado em apenas um dia, em novembro de 1969, outros afirmam que as gravações foram realizadas em três dias, em janeiro de 1970.

A produção foi assinada por Roger Bain, que nos anos seguintes também produziria os primeiros LPs do Budgie e o disco de estréia do Judas Priest. A versão original do LP, hoje uma raridade, tem a capa dupla e traz no interior o desenho de uma cruz invertida e um texto sombrio que fala sobre “o véu da escuridão que cobre árvores enegrecidas, pássaros mudos, e uma jovem que, à beira do lago, sorri invisível, enquanto a chuva cai”.

A própria imagem da capa ajudou a criar toda essa ligação da banda com o ocultismo. Uma garota, vestida de preto, parada em frente a uma antiga construção à beira de um rio, entre folhas e galhos secos. Próximo dela – na contracapa do disco – um corvo parece aguardar uma ordem, esperar um chamado. O rosto desfocado ajuda a criar o clima sombrio e, ao dificultar a identificação daquela figura, deixa a dúvida se seria realmente uma mulher ou alguma entidade maligna.

A imagem da capa por muitos anos permaneceu uma incógnita até mesmo para os integrantes do Sabbath, que não tinham nenhuma participação nas escolhas das capas que eram feitas pela gravadora Vertigo. O responsável pela fotografia foi Marcus Keef, fotógrafo da Vertigo, que posteriormente também faria a capa do “Paranoid” e a imagem do pôster de “Master of Reality”.

Black SabbathA construção que aparece na foto é um antigo moinho localizado no condado de Oxfordshire, às margens do rio Tâmisa, na Inglaterra. A garota da foto ninguém sabe dizer quem era ou qual seu paradeiro…

A primeira edição do álbum lançada nos Estados Unidos traz algumas diferenças em relação à versão inglesa. Na Inglaterra o LP foi trazia a música “Evil Woman, Don’t You Play Your Games with Me” como a primeira do lado B. Esta música é um cover de uma banda chamada Crow. Já nos Estados Unidos “Evil Woman” foi trocada do repertório por “Wicked World”.

Além disso, a versão norte-americana traz as introduções de algumas faixas com títulos próprios. É o caso de “A Bit of Finger”, parte acústica no início de “Sleeping Village”, “Bassically”, o solo de Geezer Butler na introdução de “N.I.B.”, e “Wasp”, no início de “Behind the Wall of Sleep”. Outra curiosidade deste disco é como está grafado o nome do vocalista: Ossie Osborne.

O Black Sabbath – a banda – provavelmente é o grupo mais influente na história do Metal. Basta uma busca rápida na internet para encontrarmos outros importantes músicos ou pessoas relacionadas à música dando seu depoimento sobre a influência do grupo.

Pensando nisso o Território da Música pediu para alguns músicos e pessoas ligadas ao Metal darem seus depoimentos sobre a banda ou sobre o primeiro disco. Confira a seguir:

Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura (www.sepultura.com.br)

Andreas KisserEu conheci o Black Sabbath com um amigo. Ele tinha um irmão mais velho que tinha todos os discos, inclusive o recém-lançado “Speak of the Devil”, do Ozzy. Acho que era o único na cidade que tinha estes discos, importados. Eu escutava a coleção com eles e fui me apaixonando pela banda.

O som é cru e intenso. Você sente a energia dos caras tocando. É mágico, é a raiz fundamental do Heavy Metal e mudou o curso da história da música. [A música] “Black Sabbath”, pra mim, é a mais importante e influente da história! 

Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado (www.golpedeestado.com.br) e do Mobilis Stabilis (www.mobilisstabilis.com)

Hélcio AguirraPara a época, o primeiro [álbum] é todo revolucionário. Diziam, na época, que os Rolling Stones eram pesados, mas o Black Sabbath mostrou quem era realmente pesado. Os Stones foram os primeiros a gravar com pedal de distorção, mas o Black Sabbath foi o primeiro a dar sentido ao pedal. Depois deles mudou muito o conceito.

No primeiro disco o que eu gosto muito é a mistura com o psicodelismo. Não é só aquela coisa de misticismo, das letras satanistas, diabólicas. A magia do começo [do disco] é muito grande. O sino, a chuva, é algo muito marcante. Lembro que a primeira vez que eu ouvi nem era o disco mesmo, era uma fita de rolo que um amigo tinha.

Foi marcante porque a gente nem conhecia direito o Black Sabbath, só conhecida de ver algumas fotos na [revista] Pop, mas tinha uma defasagem muito grande.

Na minha formação como músico a influência foi total. Não consigo fugir dessa raiz, por mais que eu tenha criado uma personalidade com os anos, sou muito associado a esse tipo de música, principalmente por causa do Electric [Funeral, banda tributo ao Black Sabbath fundada por Hélcio e Vitão Bonesso]. Participei por dez anos da banda.

Uma coisa que eu achava muito bacana no Black Sabbath eram os arranjos do primeiro disco. Às vezes a gente não conseguia decifrar o que era baixo e o que era guitarra de tão grave e tão bacana que são os arranjos dos dois.

Eu mesmo projeto meus amplificadores, meus pedais e isso tem relação um pouco com uma busca, lá atrás, de conseguir o som igual ao Black Sabbath, foi uma coisa que me fez pesquisar muito.

Vitão Bonesso, produtor e apresentador do programa Backstage (www.radiobackstage.com), baterista e fundador do Electric Funeral

Vitão BonessoNa verdade, meu primeiro contato com a música do Black Sabbath se deu pelo álbum “Vol. 4”, isso por volta de 1973. Foi paixão à primeira vista, ou ouvida e, daí pra frente, passei a procurar os trabalhos anteriores da banda. Eu ouvi o “Paranoid” e o “Master of Reality” até cair em minhas mãos o primeiro álbum.

Devo ter uma seis versões de cada um dos primeiros cinco discos do Black Sabbath. Recentemente adquiri uma versão expandida, tripla, com out-takes, que me deixou ainda mais impressionado com a versatilidade do quarteto. Versões até então guardadas em algum canto do estúdio.

É sempre inevitável fazer a mesma pergunta cada vez que ouço alguma coisa desse disco: O que seria do Heavy Metal sem os ‘riffs’ de Tony Iommi? O que seria da música pesada sem os acordes de “Black Sabbath” (a música), sem os acordes de “N.I.B.”? Sem dúvidas, um marco zero na existência de um estilo que no final dos anos 70 seria batizado de Heavy Metal.

Ricardo Batalha, editor-chefe da revista Roadie Crew (www.roadiecrew.com.br)

Ricardo BatalhaNo Heavy Metal costumeiramente alguém mais velho, da sua própria família ou do círculo de amizades, mostra um som para você e se aquele som de guitarras pesadas o pega ‘de jeito’ pode estar certo que fará parte de sua vida para sempre. No meu caso sempre fui vidrado em música e desde pequeno ficava dividido entre os esportes, os estudos e a minha sagrada vitrolinha portátil.

Apesar de não dançar nas festinhas de colégio, estava sempre antenado com o que estava rolando no momento, porque meu falecido pai havia sido advogado da gravadora Odeon e habitualmente levava para casa caixas e caixas de LPs, especialmente na época do Natal. Mesmo voltando todos os esforços para os estudos e esportes (basquete e futebol), era um ouvinte esporádico de rádio. Só que mantive a paixão pelos discos de vinil. Sendo assim, animei-me e comecei a ouvir tudo que tinha em casa.

Em meio a muitas coletâneas, a maioria de Disco Music do final dos anos 70, estava o álbum “Vol. 4”, que rapidamente se tornou meu preferido. A partir daí passei a ouvi-lo todos os dias. Assim, descobri o Heavy Metal por acaso na passagem de 1979 para 1980 ouvindo uma obra do Black Sabbath, que curiosamente gravou seu disco de estréia no ano em que nasci: 1969.

Depois de ficar absolutamente viciado no “Vol. 4”, fui atrás de todos do Black Sabbath. Como o escritório de advocacia do meu falecido pai ficava na Rua José Bonifácio, ia direto na loja Woodstock Discos. O funcionário do escritório do meu pai, João Carlos ‘Johnny Dillinger’, me levava quase todos os dias para lá, pois curtia muito Rock e Metal e conhecia o Walcir Chalas [dono da Woodstock]. Acabei comprando de cara o primeiro do Sabbath. Só aquela capa já hipnotizava (risos). Quando ouvi a música título senti que aquele seria o meu caminho!

Fonte: Eduardo Guimarães, da redação TDM.

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